Quase dez milhões de brasileiros precisam de cirurgia nos maxilares

Quase dez milhões de brasileiros precisam de cirurgia nos maxilares

Atualizado: Quinta-feira, 25 Junho de 2009 as 12

O procedimento ainda é pouco conhecido e o nome pode até soar estranho, mas cerca de dez milhões de brasileiros precisariam se submeter a uma cirurgia ortognática para a correção de problemas na maxila (estrutura óssea que suporta os dentes superiores) ou na mandíbula (que mantém os dentes inferiores).

A estimativa é feita pelo presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Mario Francisco Real Gabrielli, com base em pesquisas realizadas por institutos norte-americanos e na literatura nacional da área. "De acordo com os números, 60% da população do país necessita de algum tipo de tratamento ortodôntico [uso de aparelhos para consertar a posição dos dentes ou fazer outros ajustes], mas 5% só resolveria o problema se passasse pela intervenção cirúrgica", calcula o cirurgião bucomaxilofacial.

Além de deixar o rosto assimétrico e esteticamente comprometido - fator que na maioria das vezes provoca o isolamento social dos pacientes, pois precisam conviver com as "brincadeiras" maldosas das pessoas -, ter o queixo pra frente ou pra trás causa problemas funcionais graves, como apneia, dores na musculatura do rosto, dores na ATM (articulação na frente dos ouvidos), enxaquecas e até disfunções estomacais (devido à mastigação incorreta).

Para detectar com exatidão a origem dessas dores e resolver de vez o problema, é necessária a orientação de um cirurgião bucomaxilofacial, para a realização de exames específicos. Ele deve avaliar se apenas o uso do aparelho ortodôntico é, ou não, suficiente para a resolução do caso.

De acordo com Gabrielli, apesar de ainda ser considerada baixa, a quantidade de pessoas que buscam informações e decidem iniciar o tratamento cirúrgico vem crescendo. "O número de pacientes que têm acesso aos tratamentos em clínicas privadas ou em cursos é cada vez maior, e a quantidade de cirurgiões que realizam o procedimento também está aumentando."

Segundo ele, quando o problema é moderado e o paciente ainda está em fase de crescimento, é possível usar técnicas de direcionamento para colocar os dentes na posição correta, mas, se a pessoa já for adulta, as compensações ortodônticas não chegam a resultados tão eficazes.

Uso do aparelho ortodôntico

Para que a intervenção cirúrgica possa acontecer, os dentes de cima e os de baixo precisam estar alinhados em suas respectivas bases ósseas, e esse posicionamento só é possível com a utilização de aparelhos ortodônticos fixos. Isso porque, para compensar o desalinhamento que ocorre entre a maxila e a mandíbula, os dentes acabam se movimentando pouco a pouco para melhorar a oclusão da boca.

Por essa razão, o uso do aparelho é indispensável para a realização da cirurgia - o tempo de permanência com ele pode variar de seis meses a dois anos.

Tipos de cirurgias

Com base nos exames e nas queixas do paciente, o bucomaxilofacial irá definir se a cirurgia deve ser realizada na maxila, na mandíbula ou nos dois, dependendo se o queixo é para frente (problema chamado de classe 3) ou para trás (conhecido como classe 2), além de ver a necessidade de fazer ou não uma mentoplastia (preenchimento ou retirada de parte óssea do queixo).

A cirurgia ortognática é realizada sob anestesia geral, e todas as incisões (cortes) são intraorais (como não há incisão externa, também não ficam cicatrizes).

Geralmente o paciente leva de duas a três horas para sair do centro cirúrgico, mas tudo depende das intervenções necessárias durante a operação. Por causa da anestesia geral, é preciso permanecer em observação no hospital por 24h, mas no dia seguinte ele já está apto a voltar para casa.

O paciente sai com a boca aberta, falando e respirando normalmente. Mas o inchaço aumenta bastante após o primeiro dia, e o ápice costuma ocorrer até seis dias depois. A partir disso, o rosto começa a voltar aos poucos ao normal, mas o chamado "inchaço residual" só vai desaparecer completamente após alguns meses.

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