Queda de temperatura provoca alta no movimento de hospitais

Queda de temperatura provoca alta no movimento de hospitais

Atualizado: Segunda-feira, 7 Junho de 2010 as 8:44

As recentes quedas de temperatura modificaram a rotina dos grandes centros de saúde de Belo Horizonte. No Hospital Infantil João Paulo II, que é referência em atendimento para crianças de até 12 anos, cerca de 240 meninos e meninas são atendidos, diariamente, com sintomas de doenças respiratórias. Há duas semanas, esse número correspondia a 190 por dia, o que equivale a um aumento de 26%.

O atendimento deve ser ainda maior nos próximos dias, pois o serviço de meteorologia prevê que a temperatura continuará em queda. Em Belo Horizonte, os termômetros devem marcar 13 graus nas madrugadas e noites da próxima semana.

Na sexta-feira (4), o autônomo Willian da Silva, 29 anos, saiu do Bairro Taquaril, Região Leste de Belo Horizonte, para levar o filho Otávio Santos Silva, de 2 anos, ao Hospital Infantil João Paulo II. O menino estava com febre alta, dores no peito e muita tosse desde quinta-feira (3).

Devido ao feriado de Corpus Christi, o posto de saúde do bairro não funcionou. Como o menino piorou, Willian Silva preferiu levá-lo até o hospital infantil. O pai conta que o garoto "tossia muito e estava com o peito bastante cheio".

Com diarreia, febre, dores de cabeça e tossindo muito, Myrela Felício Martins Rodrigues Soares, de 7 anos, também foi levada ao hospital infantil pela madrasta Carina Aparecida Monteiro, 31 anos, moradora do Bairro Santa Maria, região noroeste da capital. Apesar do mal estar, as duas tiveram que vir de ônibus para conseguir o atendimento.

- Gastei quase uma hora dentro do ônibus para chegar aqui. Não sei o que ela tem. A Myrela está se queixando de muitas dores.

A chegada do frio aumenta em até 40% a incidência de doenças respiratórias, alertam infectologistas. As principais incidências são as alergias, asma, gripe, resfriado, pneumonia e sinusite.

Além da queda da temperatura, que provoca a irritação das vias aéreas, o inverno favorece a redução da umidade relativa do ar e uma maior concentração de pessoas em locais fechados e pouco arejados. Segundo a diretora do Hospital Infantil João Paulo II, Helena Maciel, a população deve tomar alguns cuidados para afastar doenças comuns desta época do ano.

- As baixas temperaturas, o ar seco, a poluição, os casacos de lã que ficaram guardados no armário e os ambientes fechados favorecem a ação de vírus e bactérias.

O infectologista José Geraldo Ribeiro, da Faculdade de Medicina da UFMG, reforça que crianças e idosos estão mais propensos a desenvolver as doenças, mas pessoas de todas as faixas etárias devem tomar cuidados.

Segundo ele, a melhor forma de amenizar essas situações é equilibrar a saúde de forma geral, com alimentação saudável, horários regulares e adoção de hábitos saudáveis. O médico destaca a necessidade de a pessoa se agasalhar bem e não ficar em locais sem ventilação.

- É preferível colocar roupas mais pesadas que protejam do frio, do que se trancar dentro de casa.

Alerta contra a automedicação

Ribeiro também condena a automedicação feita pelos pais, muito comum quando os filhos estão doentes.

- As pessoas devem evitar essa prática. O correto é observar a criança e levá-la ao médico, que é o profissional gabaritado para indicar o medicamento adequado. Esse momento de clima frio e temperatura baixa deve ser levado a sério.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia, a madrugada de sexta-feira (5) foi a segunda mais fria do ano. Os termômetros marcaram 15 graus, mas com sensação térmica de 9 graus, por causa dos ventos fortes, que chegaram a mais de 30 km por hora. Em maio, a mínima registrada foi de 12,3 graus.

Para os próximas dias, o céu deve ficar claro a parcialmente nublado, com queda de temperatura em todo o Estado. Há possibilidade de geada em pontos isolados no sul de Minas. Em algumas cidades a temperatura pode variar entre 3 graus e 19 graus.

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