Refluxo em bebês

Refluxo em bebês

Atualizado: Quarta-feira, 16 Abril de 2008 as 12

Aquela sensação tão incômoda de queimação na garganta ou azia que se sente é a volta do alimento, sólido ou liquido, do estômago ? o chamado refluxo gastroesofágico. Os bebês ainda lactantes costumam sofrer com este problema. Um estudo realizado pela Universidade Federal de Pernambuco diz que é mais comum esta ocorrência nos três primeiros meses de idade, atingindo cerca de 11% das crianças nessa faixa etária.

Para entendermos melhor este processo, o Arca Saúde entrevistou o presidente do comitê de gastroenterologia da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro (SOPERJ), José César Junqueira. "Este problema é resultado da adaptação à vida moderna. Se observarmos os livros de pediatria da década de 40, não se viam informações sobre o refluxo", revela. Segundo ele, atualmente utilizam-se muito as fraldas descartáveis, que apertam a barriga, e carrinhos que fazem os bebês se alimentarem quase deitados.

O pediatra explica que o refluxo é a passagem do conteúdo do estômago para o esôfago. Neste momento, a criança pode golfar, vomitar ou acontecer o que se chama de refluxo oculto, quando ela não vomita, mas pode ter algum sintoma de choro, por exemplo. "Há o hábito de dar de mamar com a criança muito tempo deitada, chegando ao absurdo de a mãe se deitar para amamentar. Isso nunca deve ser feito", alerta.

Com a criança de pé, a gravidade ajuda a reter o leite dentro da barriga. O tubo digestivo é uma via de mão única que leva o alimento da boca pelo esôfago e até o estômago; dali vai para o intestino até virar fezes. Mas quando ele retorna do estômago, volta com o ácido que existe nesse órgão; isso causa uma pequena inflamação na parte final do esôfago, provocando um círculo vicioso", explica o médico.

Outro motivo podem ser as alergias alimentares; porém, em poucos casos. Ele cita também a predisposição genética. "Existem crianças que têm incompetência do esôfago inferior", explica .

José César dá duas dicas para as mães:

 Sempre adotar uma posição ereta, colocando o bebê o mais sentado possível. O ideal é colocá-lo na perna, de forma que se mantenha de frente para a mama;  Estimular o leite materno até os seis meses e proporcionar mamadas mais curtas e freqüentes. Ele afirma também que a grande maioria das crianças se beneficia somente com esses dois procedimentos. O caso em que se faz necessário o uso de medicação é mais raro; geralmente são as que apresentam úlcera no estômago.

Atenção

A criança que chora muito e pode-se perceber que não se sente bem durante a mamada, vomita muito e não ganha peso, provavelmente sofre do problema. Entretanto, ele destaca que nem toda criança que vomita ou golfa tem refluxo gastroesofágico.

Postado por: Claudia Moraes

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