Região metropolitana de SP lidera ranking internacional de depressão

Região metropolitana de SP lidera ranking internacional de depressão

Atualizado: Quinta-feira, 26 Agosto de 2010 as 8:45

A pesquisa São Paulo Megacity realizada pela Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) mostrou que a região metropolitana de São Paulo tem a maior taxa de depressão em um grupo de 17 países. Os pesquisadores constataram que 10,9% dos entrevistados tiveram ao menos um episódio de depressão no ano anterior à entrevista. A taxa é mais alta que a de países como Estados Unidos, Alemanha, Colômbia e Ucrânia.

Os pesquisadores da USP estimaram que a depressão afeta 11,9% das pessoas entre 35 e 49 anos da Grande São Paulo, a faixa etária mais atingida. Entre os maiores de 65 anos, a taxa cai para 3,9%. Já nos jovens entre 18 e 34 anos, a prevalência é de 10,4%, afirma a líder do grupo que fez a pesquisa em São Paulo, Laura Helena Guerra de Andrade, médica do Ipq (Instituto de Psiquiatria) do Hospital das Clínicas da faculdade

- Nossas taxas de depressão estão muito próximas e têm um padrão semelhante ao dos países desenvolvidos.

O país com a segunda maior porcentagem são os Estados Unidos. Lá a faixa etária mais atingida, de 18 a 34 anos, tem uma taxa de depressão de 10,4%. Nos idosos, a taxa cai para 2,6%.

No grupo de países classificados como “em desenvolvimento”, que inclui o Brasil, apenas uma em cada quatro pessoas que tiveram a doença buscou ajuda. Nos países classificados como “desenvolvidos”, a média foi de 53,4%.

Jovens são mais depressivos

A São Paulo Megacity foi a parte brasileira de uma pesquisa internacional coordenada pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, e pela OMS (Organização Mundial da Saúde), com o nome Levantamento Mundial de Saúde Mental (WMHS, na sigla em inglês). No total, os pesquisadores estudaram 89 mil pessoas dos cinco continentes, perguntando sobre sintomas de doenças psiquiátricas e físicas, entre outros assuntos. Um artigo com o resultado foi publicado na revista científica internacional Depression and Anxiety.

Os pesquisadores da USP entrevistaram 5.037 pessoas da Grande São Paulo maiores de 18 anos e com as características da população total. As entrevistas aconteceram entre 2005 e 2007.

O objetivo do estudo era confirmar se a depressão atinge menos os idosos, como sugeriam estudos da década de 1990. Alguns cientistas acreditavam que um erro metodológico era a causa da taxa menor entre os maiores de 60 anos: os pesquisadores poderiam ter confundindo sintomas de depressão com os de doenças físicas que atingem mais os idosos.

Mas, os dados obtidos pelo WMHS não confirmaram a hipótese. Os pesquisadores observaram que a presença, ao mesmo tempo, de depressão e doenças físicas é mais comum entre os jovens que entre os idosos.

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