Reino Unido estuda pagar por doação de sêmen e óvulos

Reino Unido estuda pagar por doação de sêmen e óvulos

Atualizado: Segunda-feira, 30 Agosto de 2010 as 8:51

O Reino Unido estuda mudar suas leis sobre doação de sêmen e óvulos para tentar acabar com a espera em clínicas de fertilização, que chega a dois anos.

Um das mudanças visa autorizar a remuneração dos doadores. A outra, permitir que o esperma de um mesmo homem seja utilizado na fertilização de até 20 mulheres. O limite hoje é de dez, para reduzir as chances de casamento entre meio-irmãos.

O estoque de óvulos e esperma caiu muito no Reino Unido desde 2005, quando acabou o anonimato dos doadores.

Desde aquele ano, qualquer adolescente, quando completa 18 anos, pode por lei obter a identidade do doador do esperma e/ou do óvulo que possibilitaram seu nascimento.

PROCESSO ACELERADO

Com as longas filas de espera, acontece o que é chamado de turismo da fertilização. Casais vão para países como Chipre e Espanha (onde as doações são remuneradas e o anonimato é garantido) para acelerar o processo de fertilização.

Segundo os órgãos de saúde do Reino Unido, um em cada sete casais no país tem problemas de infertilidade.

É o caso de Margareth e Stefan, que na quinta-feira à tarde saíam de uma clínica de fertilização no centro de Londres. Eles não quiseram dizer seus sobrenomes.

O casal tenta há dois anos e meio uma inseminação artificial. Há pouco menos de um ano, foram implantados embriões em Margareth. Mas a gravidez não evoluiu. Agora, vão tentar novamente.

Ela afirma ter pensado em fazer o tratamento em outro país. "Falam da Espanha e de Chipre, mas eu gostaria de ter uma criança que fosse como nós, 100% britânica."

A possível mudança na lei recebeu algumas críticas da comunidade científica. Muitos acreditam que pagar mais de mil libras (cerca de R$ 2.800) por doação pode criar um comércio de óvulos e esperma.

Além disso, temem que aconteça o mesmo que ocorre em alguns Estados norte-americanos, onde pessoas com boa aparência recebem mais que as outras.

Por: Vaguinaldo Marinheiro

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