Remédios para dor e gripe devem ser pedidos ao farmacêutico

Remédios para dor e gripe devem ser pedidos ao farmacêutico

Atualizado: Terça-feira, 29 Setembro de 2009 as 12

Em agosto deste ano, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou que medicamentos isentos de receita médica, como antitérmicos e analgésicos, devem ficar atrás do balcão, e não expostos em gôndolas de farmácias e drogarias.

Esses produtos são usados para aliviar dor, febre, resfriado e gripe. A resolução pretende diminuir os riscos provocados pela automedicação, evitando que tais remédios fiquem ao alcance das mãos dos usuários. Os estabelecimentos terão até janeiro de 2010 para fazer as devidas mudanças. Os que não se adequarem às novas regras poderão receber multas, cujos valores variam de R$ 2 mil a R$ 1 milhão de reais.

Tomar remédios sem receita ou recomendar algum medicamento a outra pessoa são hábitos comuns dos brasileiros. César Jardim, cardiologista e coordenador do pronto-socorro do Hospital do Coração, explica que esse costume se deve a diversos fatores, como "difícil acesso aos médicos, questões financeiras e a precariedade da rede pública, que não atende às necessidades da população".

A legislação também colabora:

"Em outros países, comprar e vender medicamentos sem receita é proibido por lei. Aqui, se você chega a uma farmácia e pede um antibiótico sem receita, você consegue comprar".

Mas o cardiologista acredita que esse quadro começa a melhorar. "Com a decisão da Anvisa, vai ficar cada vez mais difícil conseguir este tipo de remédio, e isso vai redizir os efeitos adversos que a automedicação pode causar".

Os riscos para quem se automedica

Um dos principais riscos para quem compra remédio sem receita é tomar a substância errada.

- Os medicamentos que amenizam dores não necessariamente agem na doença. Na maioria das vezes, apenas disfarçam os sintomas. Os incômodos podem passar momentaneamente, e pessoa adia a visita ao médico. Com isso, não consegue um diagnóstico preciso sobre a doença que possa ter.

Em uma viagem ao Chile, Patrícia Soares começou a sentir dores de garganta e cabeça e logo imaginou que fosse o princípio de uma gripe. A administradora foi a uma farmácia e comprou um anti-inflamatório com o mesmo princípio ativo que estava acostumada a tomar. Mas as dores continuaram e quando chegou ao Brasil, Patrícia começou a sentir o estômago revirar. "Pensei que estava grávida, pois sentia dor e muito enjoo."

A paulista procurou então um pronto-socorro. "A médica me examinou e suspendeu o anti-inflamatório. Os enjoos passaram, mas tive de esperar a dor de garganta passar sozinha".

Patrícia conta que depois do episódio, seu estômago ficou sensível e alguns alimentos e medicamentos causam dor. "Agora, é impossível tomar anti-inflamatório".

Jardim afirma que casos como o de Patrícia são comuns. "Anti-inflamatórios e analgésicos em excesso podem causar doenças como gastrite, úlcera, insuficiência renal e interação medicamentosa (isso acontece quando o remédio tomado interage com outro medicamento que a pessoa esteja tomando). Essa interação pode diminuir ou aumentar o efeito do outro remédio".

Um dos problemas graves causados pela automedicação é a intoxicação. Dados do Ministério da Saúde compilados pelo Sinitox (Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas) registraram 32 mil casos de intoxicação humana por uso de medicamentos no Brasil em 2006. Esse número correspondente a 30,5% das intoxicações totais. Os benzodiazepínicos (calmantes), antigripais, antidepressivos e anti-inflamatórios são as classes de medicamentos que mais causam intoxicações.

Mais medidas da Anvisa

Além de diminuir os riscos da automedicação, o objetivo da Anvisa com a resolução é fazer o usuário receber orientação correta do farmacêutico sobre as ações do medicamento no qual tem interesse. Os únicos produtos que serão de fácil acesso ao público são os fitoterápicos e os produtos de uso dermatológico, como água boricada, glicerina, leite de magnésia.

Além dessas mudanças, as drogarias e farmácias também não poderão mais vender sorvetes, balas, pilhas, cartões telefônicos, chinelos ou qualquer outro produto que não seja de higiene pessoal, saúde e cosméticos.

Em nota, o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Mello, declarou:

"Não se pode banalizar esse ambiente com produtos sem relação com o seu objetivo, e que fazem o paciente cair em uma armadilha para consumir produtos que envolvem riscos".

Outra decisão também vai afetar o consumo de remédios e a automedicação: a venda de medicamentos pela internet só poderá ser feita por farmácias que também existam fisicamente, e tenham sites com domínio "com.br".

Postado por: Felipe Pinheiro

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