Revisão de prótese proibida não deve ser motivo de pânico

Revisão de prótese proibida não deve ser motivo de pânico

Atualizado: Terça-feira, 6 Abril de 2010 as 12

A revisão das próteses de silicone da marca francesa Poly Implant Prothese (PIP), após a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibir a venda do produto não deve ser motivo de pânico entre as mulheres, diz a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

A diretora da regional de São Paulo, Cláudia Nunes Machado, afirma que as mulheres que verificarem no registro de sua prótese --concedido pelo cirurgião plástico-- que a origem do implante é da marca francesa devem procurar seu médico.

"O cirurgião vai pedir uma ultrassonagrafia para ver se há sinais de ruptura da prótese. Senão tiver, não há necessidade de troca do implante. Se houve, será necessário uma nova cirurgia para a retirada", explica a médica. "Não é preciso entrar em pânico, qualquer dúvida basta verificar seu registro e procurar seu cirurgião", diz a diretora da entidade.

Cláudia diz que a regional de São Paulo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica não recebeu nenhum relato de problemas com a prótese da marca francesa. "Nós, cirurgiões plásticos, recebemos informações de muitos produtos do mundo todo e cabe a Anvisa fiscalizar. Mas essa marca era bem vista entre os médicos e muito utilizada", afirma a médica.

O diretor da EMI, empresa responsável pela importação e distribuição no Brasil das próteses francesas, John Arnstein, disse à Folha Online que a decisão da Anvisa surpreendeu. "Nós sempre estamos atentos aos estudos feitos em todo o mundo sobre o assunto. E o índice de ruptura de prótese de silicone no Brasil está abaixo de 0,55%, que foi o índice médio publicado pela FDA (Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos)", diz Arnstein.

O empresário diz que a fabricante francesa está com dificuldades financeiras e entrou em concordata. "Recentemente fizemos uma grande compra, de 5 mil próteses, que corresponde a mais de um ano de vendas. Somos os maiores prejudicados com essa decisão. Nos colocamos à disposição da Anvisa para esclarecer o fato e estamos estudando o que fazer", afirmou Arnstein.

França

As autoridades francesas retiraram, na semana passada, do mercado implantes mamários considerados defeituosos e convocaram cerca de 30 mil mulheres que os utilizam, no país e no exterior, para exames médicos.

A PIP, empresa criada em 1991, é o quarto fabricante mundial de implantes mamários e atravessa dificuldades financeiras há vários meses, uma situação que se agravou com este escândalo e que lhe levou à liquidação judicial, anunciada na terça-feira (30) pelo Tribunal de Comércio de Toulon.

A Agência de Segurança Sanitária de Produtos de Saúde da França lançou um alerta em toda Europa e nos Estados Unidos para advertir sobre os possíveis riscos dos implantes e aconselha consultas com o cirurgião para exames devido ao risco de rompimento.

Postado por: Felipe Pinheiro

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