Riscos e benefícios dos fitoterápicos

Riscos e benefícios dos fitoterápicos

Atualizado: Terça-feira, 9 Fevereiro de 2010 as 12

Riscos e benefícios dos fitoterápicos O tratamento de origem natural, o baixo custo e a redução de efeitos colaterais são apontados como as maiores vantagens do uso de fitoterápicos. Segundo especialistas, esse tipo de medicamento, assim como os convencionais, oferece garantia de qualidade, efeitos terapêuticos comprovados, composição padronizada e segurança de uso para a população. Segundo a farmacêutica Ana Valesca Rabelo, a eficácia e a segurança são validadas através de estudos físico-químicos e microbiológicos. "O medicamento fitoterápico passa por um processo demorado. Todas as garantias devem ser respeitadas para colocar o produto disponível para consumo, assim como acontece com qualquer tipo de medicamento", adverte.

Não é porque os fitoterápicos são advindos da natureza, que pode ser consumido indiscriminadamente. A utilização inadequada dos fitoterápicos, como a automedicação, pode gerar uma série de efeitos colaterais, como reações alérgicas e efeitos tóxicos graves. O uso só pode ser feito com orientação médica. Por isso, é necessário avisar ao médico quando estiver tomando chá de planta medicinal ou os populares lambedores, por exemplo, para não provocar interação medicamentosa.

A comercialização dos fitoterápicos também deve seguir alguns critérios. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é o órgão responsável por regulamentar todos os medicamentos, incluindo os fitoterápicos, e fiscalizar as indústrias produtoras de medicamentos com o intuito de proteger e promover a saúde da população. Sendo assim, a Anvisa controla a produção, a liberação para consumo (registro) e acompanha a comercialização dos medicamentos, podendo retirá-los do mercado caso seu consumo apresente risco para a população.

Na hora de comprar lambedores e compostos caseiros é preciso muito cautela. O registro da Anvisa é indispensável. A participação de um farmacêutico responsável pelo composto também.

A grande variedade de plantas medicinais entre os estados brasileiros pode gerar confusão entre os que realizam compostos fitoterápicos caseiros. A professora do curso de Farmácia, Regina Cláudia de Matos Dourado, alerta para a importância de verificar a procedência do medicamento fitoterápico. "Os lambedores e compostos caseiros podem misturar várias plantas medicinais e causar sérios malefícios", comenta. Cada estado tem um elenco diferente de espécies vegetais. A ausência de um farmacêutico responsável pelo composto, a falta de testes de qualidade e a confiança exclusiva no conhecimento popular podem provocar equívocos na fabricação dos medicamentos.

Outro cuidado deve ser com a utilização da planta medicinal. Em alguns casos, a espécie deve ser usada de forma tópica, outras vezes, oral. É o caso do confrei. A planta de efeito cicatrizante só pode ser usada de forma tópica. A ingestão é desaconselhável, por causa do seu alto grau de toxicidade. O mesmo ocorre com a babosa.

O agrônomo do Núcleo de Fitoterapia do Ceará (Nufito), Sebastião Silva Leite, também alerta para os cuidados que devem ser tomados durante o plantio. O cultivo de plantas medicinais não pode ser feito em qualquer solo. "Precisa estar distante de fossa, central de esgoto e estradas", recomenda. Além disso, a água utilizada para regar as plantas também influencia no resultado do composto. "Não pode ser usado água de torneira, tem que ser de poço profundo", explica. (Viviane Gonçalves)

Novos fitoterápicos na lista do SUS

Alcachofra (Cynara scolymus) - Tratamento de dores na região abdominal associadas a disfunções no fígado. Aroeira (Schinus terebenthifolius) - Produtos ginecológicos anti-infecciosos. Cáscara sagrada (Rhamnus pushiana) - prisão de ventre. Garra do diabo (Harpagophytum procumbens) - Anti-inflamatório (oral) para dores lombares, osteoartrite. Insoflavona da soja (Glycine max) - Climatério (coadjuvante no alívio dos sintomas). Unha de gato (Uncaria tomentosa) - Anti-inflamatório nos casos de artrite reumatóide, artrose e imunoestimulante.

veja também