Robôs cirúrgicos: médicos se dão bem com eles e pacientes sentem segurança

Robôs cirúrgicos: bom para médicos e pacientes

Atualizado: Terça-feira, 14 Setembro de 2010 as 4:13

Participei do Simpósio Ítalo-Brasileiro de Endoscopia Ginecológica, que aconteceu em São Paulo, de 16 a 21 agosto, no Bourbon Convention Ibirapuera, onde pude observar muitas novidades. Foi a oitava edição do evento, que ocorre a cada dois anos.

Este ano, foi comemorado o 15º aniversário do simpósio, que reúne ginecologistas que atuam nas áreas de laparoscopia e histeroscopia e é presidido pelo professor doutor Luiz Cavalcanti de Albuquerque Neto, chefe do Setor de Histeroscopia do Departamento de Ginecologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), entidade à qual também sou vinculada, como médica colaboradora deste mesmo setor.

A laparoscopia é um exame ou procedimento feito através da cavidade abdominal, com um aparelho chamado laparoscópio (pequeno tubo dotado de uma câmera), sob anestesia geral. Já a histeroscopia permite avaliar a cavidade uterina, por meio do histeroscópio (também dotado de câmera).
 
Robôs facilitam procedimentos

Participaram do simpósio renomados professores europeus e da América Latina, que falaram sobre temas ligados a essas áreas. Nas discussões, o destaque ficou para a utilização cada vez maior da robótica em procedimentos cirúrgicos. Isso aumenta a segurança das pacientes, pois o médico consegue ter um controle mais rigoroso nas cirurgias, podendo evitar, assim, complicações.

O robô cirúrgico é um dispositivo controlado por computador que pode ser programado para auxiliar o posicionamento e a manipulação de instrumentos cirúrgicos. O objetivo é ajudar cirurgiões a realizar procedimentos complexos, por meio da laparoscopia - no Brasil, esse método está começando a ser utilizado. Além disso, a robótica permite a realização de cirurgias a distância, com o especialista comandando a equipe via computador.

Destaque foi dado também à esterilização definitiva por via histeroscópica, com a utilização de um dispositivo - na forma de uma pequena mola -, que é colocado dentro das trompas e impede que ocorra uma nova gravidez.

Pólipos endometriais

Discutiu-se ainda a necessidade de se retirar ou não os pólipos endometriais -  formações que se dão no interior da cavidade uterina e, em uma pequena porcentagem, podem evoluir para câncer de endométrio.

Na minha opinião, sempre que diagnosticados, os pólipos devem ser retirados, principalmente porque, hoje, com o advento da histeroscopia ambulatorial - na qual não há necessidade de internação nem de utilização de anestesia -, os riscos desse procedimento são diminuídos.

Entre os dias 16 e 19 de agosto ocorreram os cursos pré-congresso. No módulo de histeroscopia cirúrgica, do qual sou instrutora permanente, utilizamos úteros artificiais de Neoderma®, criados pelo professor Marcos Lyra, pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Neoderma cirúrgico® é um novo material, uma espécie de tecido, atualmente presente em sete tipos diferentes de simuladores. Eles permitem o treinamento de ginecologistas em técnicas como a histeroscopia, sem a utilização de seres humanos. O grau de verossimilhança é tão real que os simuladores podem até sangrar.

veja também