Saiba como proteger a saúde antes de sair de férias

Saiba como proteger a saúde antes de sair de férias

Atualizado: Quinta-feira, 23 Dezembro de 2010 as 3:05

A partir de dezembro, cresce o número de pessoas que viajam para aproveitar as férias de fim de ano. Apesar de as principais preocupações antes de pegar estrada serem a bagagem e o roteiro de viagem, é preciso ficar atento para não trazer na volta algum problema de saúde, que vai desde os menos preocupantes, como uma diarreia, até doenças mais graves, como malária ou hepatite A.

Para isso, existe um ramo da saúde especializado em cuidar dessas situações: a medicina do viajante. De acordo com o infectologista Marcus Vinícius da Silva, do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo, o objetivo é prevenir os viajantes para “proporcionar uma melhor viagem”.

Com o roteiro de viagem e a carteira de vacinação em mãos, o médico avalia todo o percurso que será feito pelo viajante, o tempo de viagem, o deslocamento por diferentes fusos, os locais de hospedagem, os meios de transporte, entre outras questões.

A partir dessas informações, o especialista avalia os principais problemas de saúde das regiões a serem visitadas, define as vacinas que precisam ser tomadas e dá recomendações sobre métodos preventivos, alimentação, roupas, dentre outras.

- A avaliação é individualizada. Em cima do roteiro vemos as condições de saúde do viajante.

Esses cuidados devem ser redobrados para quem viaja a regiões de risco, como as que apresentam piores condições de higiene. De acordo com a infectologista Tânia Souza Chaves, responsável pelo ambulatório dos viajantes do Hospital Emílio Ribas e o do Hospital das Clínicas, ambos em São Paulo, em países com baixo saneamento básico (como Índia e Afeganistão), há mais chances de contrair doenças como cólera, hepatite A e poliomielite.

Além da falta de saneamento, há regiões consideradas de risco por se localizarem nos trópicos, terem altas temperatura e umidade e serem pouco industrializadas. É o caso de países da Ásia, (como parte da Índia, Camboja, Mianmar, Tailândia, Sri Lanka), partes da África e a região amazônica, na América do Sul.

Nessas áreas, diz Tânia, os viajantes ficam mais expostos a doenças como dengue, malária e chikungunya, todas transmitidas por mosquitos e que não possuem vacina, entre diversas outras.

- Se você vai para uma área de risco, visite o ambulatório dos viajantes.

Confira cuidados básicos para se proteger durante as viagens de férias

Apesar de as áreas de risco exigirem mais cuidados, algumas medidas básicas garantem uma viagem mais tranquila, independentemente se você passa as férias em outro país ou em um local há poucas horas de casa. Veja abaixo algumas dicas:

Sol

Evite ficar no sol em horários inapropriados, que vai das 10h às 16h. O cuidado deve ser redobrado para quem tem a pele mais clara. Além disso, não se esqueça de usar o filtro solar, que deve ser aplicado, camada sobre camada, a cada quatro horas. Com isso, o viajante poderá evitar problemas como queimaduras e insolação.

Hidratação

Mantenha-se hidratado ingerindo água mineral e sucos. O ideal é que não se consuma gelo, mas, sim, água de fonte segura, como de estabelecimentos definidos, evitando vendedores ambulantes. Água com gás é mais confiável porque, além de dificilmente ser violada, seu PH mata os micróbios. Os especialistas alertam ainda para tomar cuidado com o álcool, que desidrata muito, e evitar água da natureza. Esses cuidados podem impedir um problema muito comum em viagens: a diarreia.

Alimentação

Além da boa hidratação, os turistas também podem evitar a diarreia se ficarem atentos à alimentação. Prefira os alimentos cozidos e ainda quentes, condições que matam possíveis bactérias. Evite também os alimentos crus. Além de alimentos contaminados, o que pode provocar a diarreia é uma alimentação gordurosa ou comidas muito condimentadas (temperadas). Escolha locais estabelecidos, já que em barracas da praia, por exemplo, a manipulação dos alimentos é mais difícil e o risco de contaminação é maior. Esses cuidados protegem também contra intoxicações e alergias.

Calçados

Para quem vai viajar e conhecer lugares novos, é preciso lembrar uma dica fundamental: usar calçados adequados. Os mais recomendados são aqueles que protegem e ficam firmes no pé. Além disso, é importante que eles já estejam amaciados, por isso é bom evitar calçados novos. Segundo especialistas, os chinelos e sandálias de dedo são uma das principais razões para acidentes com quedas. Além disso, tome cuidado para que os calçados não fiquem apertados, porque isso pode causar bolhas e infecções.

Medicamentos

Para os pacientes que tomam remédios todos os dias, é importante ter sempre o medicamento à mão. Muitas vezes o paciente vai viajar e despacha o remédio com a bagagem, mas, se algum problema ocorre com a mala, como ser extraviada, o turista vai ficar sem a medicação obrigatória.

Insetos

Há doenças que são transmitidas por insetos e que possuem vacina, como a febre amarela. Outras, no entanto, ainda não são prevenidas por vacinas, como é o caso da malária. Nesses casos, a recomendação é passar repelente. Além disso, evite usar perfume durante caminhadas dentro de matas, porque isso atrai insetos.

* Diarreia: A diarreia é um dos problemas mais comuns em viagens. Sua duração média vai de 48 a 72 horas. Se você passar por essa situação, o mais importante é se hidratar. As farmácias vendem soros prontos em sachês que podem ser usados.

Evite tomar substâncias para prender o intestino.

A volta

Em São Paulo, existem dois ambulatórios públicos que cuidam da saúde do viajante: o do Hospital Emílio Ribas e o do Hospital das Clínicas.

Além da consulta pré-viagem, que deve ser feita 45 dias antes de sair de férias, Silva recomenda uma ida ao médico após a viagem. O foco dessa consulta são aqueles que viajaram sem orientação, foram para áreas de risco ou retornaram com algum problema de saúde. Nesse caso, o risco é o viajante estar doente, mas não saber de sua condição.

- Uma flatulência, febre ou desarranjo intestinal podem passar logo, mas é preciso avaliar para saber o problema. Às vezes o paciente só procura o médico já em estado grave.

Apesar de o viajante ficar mais exposto às doenças nos locais de risco, Silva explica que esse risco também existe nos países mais desenvolvidos. O sarampo, por exemplo, circula em países europeus – além da África do Sul e da Ásia.

Como a prevenção é o melhor remédio, procure um médico antes. Tire as dúvidas e curta sua viagem.

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