Saiba mais sobre doenças relacionadas à tireóide

Saiba mais sobre doenças relacionadas à tireóide

Atualizado: Quarta-feira, 10 Agosto de 2011 as 8:57

Cansaço ou hiperatividade, ganho ou perda de peso, intolerância ao frio ou ao calor. Muitas pessoas apresentam estes sintomas, sem saber que eles podem estar relacionados a problemas da tireóide.

Cerca de 200 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de algum tipo de disfunção da tireóide. Na maioria dos casos, as doenças que atingem a glândula podem ser tratadas.

A tireóide é uma glândula endócrina, em forma de borboleta, localizada no pescoço, abaixo do “Pomo de Adão”. Ela é responsável pela produção dos hormônios T3 e T4, estimulados pela hipófise e pelo hormônio TSH. Os hormônios tireoidianos regulam o crescimento e o metabolismo do corpo, controlando funções como os batimentos cardíacos, os estados de humor, o funcionamento do intestino e a temperatura corporal. 

As doenças que afetam a tireóide podem ser distúrbios do funcionamento (hipotireoidismo e hipertireoidismo) ou da forma da glândula (bócio: aumento nodular (presença de caroços) ou difuso).

De acordo com o cirurgião de cabeça e pescoço Rogério Dedivitis, caso não sejam tratadas, as disfunções da tireóide podem acarretar problemas mais sérios. “O hipotireoidismo não tratado pode levar a ganho de peso, depressão e aumento das taxas de colesterol, com todas as suas conseqüências cardiológicas. Já as principais sequelas do hipertireoidismo não tratado são, em curto prazo, arritmia cardíaca (que pode até ser fatal) e, em longo prazo, osteopenia ou osteoporose”, explica.

Hipotireoidismo ou “tireóide preguiçosa” – O hipotireoidismo ocorre quando a glândula tireóide não produz quantidade suficiente dos hormônios T3 e T4. A causa mais comum é a Tireoidite Crônica de Hashimoto, doença em que o organismo produz anticorpos contra a própria glândula, reduzindo sua função e a produção de hormônios. Além disso, o hipotireoidismo pode ser congênito, no caso em que a criança já nasce com disfunção da glândula.

Os sintomas do hipotireoidismo são cansaço, sonolência, ganho de peso, redução do apetite, prisão de ventre, fraqueza muscular, dores nas articulações, inchaço nas pernas e no rosto, intolerância ao frio, pele seca, unhas e cabelos fracos, dificuldade de concentração, perda de memória e depressão. A disfunção também pode causar diminuição na freqüência dos batimentos cardíacos e aumento dos níveis de colesterol. Além disso, no caso das mulheres, a menstruação fica irregular e há falta de ovulação. Infertilidade e abortamento precoce também podem ter ligação com o hipotireoidismo.

Estes sintomas podem estar relacionados a outras doenças e devem ser avaliados pelo médico. O diagnóstico é confirmado por meio de exame que indique queda dos hormônios T3 e T4 e aumento do TSH no sangue.

O hipotireoidismo é tratado por meio de reposição de hormônio sintético, com ingestão de um comprimido diário. A dose é orientada pelo especialista e o paciente deve passar por exames clínicos anuais para verificar a dosagem dos hormônios no sangue.

Hipertireoidismo – O hipertireoidismo é caracterizado pelo funcionamento exagerado da tireóide e pela produção excessiva dos hormônios T3 e T4, que provocam uma aceleração do metabolismo.  Uma das principais causas é a Doença de Graves, distúrbio autoimune, em que o corpo produz anticorpos que estimulam a tireóide. Assim como no caso do hipotireoidismo, o diagnóstico é confirmado por meio de exames laboratoriais.

Os sintomas do hipertireoidismo são nervosismo, insônia, irritabilidade e alterações de humor, ansiedade, perda de peso e de massa muscular, aumento do apetite, intolerância ao calor,unhas fracas, mãos quentes, úmidas e trêmulas, taquicardia, palpitações e funcionamento mais acelerado do intestino. O hipertireoidismo também pode causar a exoftalmopatia (caracterizada pelo “olhos saltados”) e o bócio difuso (o aumento de volume da glândula).

O hipertireoidismo pode ser tratado por meio de medicamento (com drogas anti-tireoidianas), terapia com iodo radioativo ou cirurgia (nos casos em que a glândula é muito volumosa).

Câncer de tireróide – O câncer da tireóide é conhecido como um “câncer bonzinho”, pois em geral não é muito agressivo e a chance de cura por meio de cirurgia é muito alta.

Todo nódulo na tireóide deve ser avaliado por um especialista, para verificar a possibilidade de câncer. Embora as perspectivas de tratamento sejam boas, a doença exige cuidados especiais e monitoramento através de exames, pois este tipo de câncer pode reaparecer ou se espalhar por outras partes do corpo. Assim, o acompanhamento com exames de rotina deve ser realizado periodicamente, ao longo da vida.

A cirurgia da tireóide – A tireoidectomia, cirurgia de retirada de toda ou parte da tireóide, é indicada em casos de nódulos compressivos (que, embora benignos, podem deslocar as estruturas vizinhas, como os grandes vasos e a traquéia), razões estéticas (indicação relativa), bócio (aumento da glândula) e câncer da tireóide.

Atualmente, a operação da glândula tireóide é feita de modo bastante seguro. Uma opção de acesso é a cirurgia videoassistida minimamente invasiva, uma inovação realizada de modo pioneiro, no Brasil, em Santos.

A tireoidectomia videoassistida apresenta algumas vantagens em relação à cirurgia tradicional, como menor tempo cirúrgico e anestésico, pós-operatório mais confortável e com menos dor, cicatriz bem menor que o habitual (cerca de 2 centímetros) e uso dispensável do dreno.

Cirurgia de cabeça e pescoço – O profissional responsável pela tireoidectomia é o cirurgião de cabeça e pescoço. Embora a especialidade ainda seja pouco conhecida, ela já é regulamentada e reconhecida pela Associação Médica Brasileira. A cirurgia de cabeça e pescoço trata principalmente dos tumores benignos e malignos da região da face, fossas nasais, seios paranasais, boca, faringe, laringe, tireóide, glândulas salivares, dos tecidos moles do pescoço, da paratireóide e tumores do couro cabeludo.

Um dos principais procedimentos diagnósticos realizados pelo cirurgião de cabeça e pescoço é a laringoscopia, realizada para examinar lesões da laringe e faringe. As cirurgias realizadas com mais frequência pela especialidade são as tireoidectomias, traqueostomias (inserção de orifício artificial na traquéia), cirurgias de glândulas salivares, tumores da boca e da laringe.

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