Sangue doado ganha etiqueta inteligente

Sangue doado ganha etiqueta inteligente

Atualizado: Sexta-feira, 9 Dezembro de 2011 as 10:38

Um novo sistema de identificação universal de bolsas de sangue será implementado no Sistema Único de Saúde (SUS). Até o final de 2012, o Ministério da Saúde pretende classificar as 4 milhões de bolsas de sangue coletadas anualmente em hemocentros públicos nacionais pelo padrão ISBT 128. Utilizado em grande parte da Europa, nos Estados Unidos e Japão, por exemplo, a classificação tornará mais segura as transfusões sanguíneas e padronizará a identificação do material biológico.

O padrão ISBT 128 é definido como “o RG (registro de identidade) da bolsa de sangue”, diz Silvano Wendel, presidente da International Society os Blood Transfusion (ISBT), entidade que desenvolveu a técnica. “É um processo de padronização e rastreabilidade da informação”, completa Wendel, que também é diretor médico do Banco de Sangue do Instituto de Hemoterapia do Hospital Sírio-Libanês.

Pelo novo sistema, todas as bolsas sanguíneas receberão uma etiqueta e um código de barras contendo informações sobre o material biológico, como país, data e local em que o sangue foi colhido, exames pelo qual o material foi submetido, validade, classificação e descrição do produto.

“A padronização eleva a segurança no processo de distribuição, descarte e transfusões”, afirma o médico Guilherme Genovez, à frente da Coordenadoria Nacional de Sangue e Hemoderivados do ministério. Segundo Genovez, os 14 hemocentros NAT no País, que conforme o [BOLD]JT[/BOLD] adiantou ontem farão a partir de março do ano que vem a testagem do sangue pelo teste de ácido nucleico (NAT) – capaz de diminuir o tempo da janela imunológica para detecção dos vírus HIV e da hepatite C – já utilizarão a nova etiquetagem. O teste NAT é uma das exigências cobradas pela ISBT para licenciar uma instituição.

Atualmente o Brasil utiliza dois principais sistemas de classificação de bolsas de sangue: o do Hemovida, sistema do governo, e o SBS. “Mas há também os sistemas ‘in house’ em que cada instituição define como identificar seu material”, diz Genovez. “O que gera uma ‘Torre de Babel’. Várias pessoas falando em línguas diferentes”, compara o membro da pasta da saúde. Genovez afirma que o prazo de implementação – até o final de 2012 – foi “acelerado pela confirmação da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada 2016 no Brasil. “Receberemos muitos estrangeiros e não podemos correr riscos. Contamos com a possibilidade deles precisarem dos nossos bancos de sangue”, admite.

Custos Apesar das exigências para licenciar o uso do padrão ISBT 128, Wendel explica que a ISBT não tem “caráter regulatório”. “Não iremos definir como os hemocentros brasileiros irão trabalhar.”

O ministério afirma que gastará R$ 0,01 por etiqueta. Além disso, há também uma taxa de adesão anual do padrão ISBT 128, que depende do volume coletado de sangue pelo hemocentro. O valor pode variar entre US$ 200 e 500.

“Acredito que o custo dá operação não é tão baixo e a implementação tão simples quanto o ministério prega”, afirma Dante Langhi, diretor da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH)

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