Saúde ameaçada por tratamentos estéticos

Saúde ameaçada por tratamentos estéticos

Atualizado: Quinta-feira, 25 Agosto de 2011 as 10:53

  Mais variado do que o de um rodízio de pizza, o cardápio das clínicas estéticas promete auxiliar todo e qualquer tipo de descontentamento estético. Antes de escolher e farta-se deles, porém, vale conhecer os riscos à saúde e as inúmeras contraindicações. Não são poucos os paliativos da beleza que podem provocar prejuízos maiores do que o motivo inicial para procurá-los.

Seja a razão da infelicidade localizada no rosto ou no corpo, é indispensável uma avaliação clínica, que deve ser feita por um médico dermatologista. É ele o responsável por investigar o histórico de doenças de cada paciente e prever possíveis complicações.

A anamnese garante o sucesso – ou, ao menos, minimiza os riscos – dos tratamentos, sejam eles faciais ou corporais, endossa o dermatologista Reinaldo Tovo, do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

“Não há tratamento sem riscos. É preciso avaliar o perfil e o histórico de cada paciente e investigar possíveis doenças antes de submetê-los a qualquer procedimento. Uma falha no começo pode provocar complicações mais sérias e irreversíveis.”

Os limites

A recomendação não é mau agouro ou excesso e zelo. Pessoas com doenças infecciosas ou autoimunes, como o vitiligo   ou a psoríase, podem ter o quadro agravado por conta de um procedimento estético. Dependendo do tipo de pele do paciente, o uso de ácidos ou laser, luz pulsada, pode desencadear uma cicatrização com queloide – estrutura fibrosa e elevada que deixa marcas na pele.

"Pele com tendência a manchas também é alvo fácil de complicações. Um tratamento que supostamente suavizaria o desconforto estético é capaz estimular a pigmentação em vez de clarear", relata Tovo.

O drama pode ir muito além. O uso incorreto do laser e da luz pulsada, por exemplo, provoca feridas na córnea e até a cegueira. Sem os óculos de proteção, o procedimento não pode ser realizado em nenhum paciente, alertam os especialistas.

No corpo Uma simples gripe   já é motivo suficiente para adiar a drenagem linfática pré-agendada. Todas as massagens que aceleram a  circulação  sanguínea, como a drenagem e a modeladora, quando feitas durante um quadro infeccioso, seja provocado por vírus, bactéria ou fungos, agravam a doença ou retardam a cura.

Em casos mais graves, o procedimento ainda é capaz de alastrar o problema, conduzindo as bactérias ou os vírus para outros órgãos. Inflamação na garganta, infecção na urina também inviabilizam o procedimento.

“Infecção exige repouso e cuidados. Além de não se submeter ao tratamento estético é preciso esperar o vírus ou bactéria serem eliminados do organismo. A massagem feita no finalzinho de uma infecção em processo de cura pode provocar o retorno da doença”, pondera Roseli Andrade, dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Saúde da mulher

Em casos de suspeita de câncer   ou de tratamento com quimioterapia, a drenagem passa a ser um procedimento de alto risco, podendo até estimular a proliferação de células tumorais para outras partes do corpo (metastáse).

Mulheres que enfrentaram um câncer de mama devem evitar a massagem na região do braço, próximo ao seio onde estava o tumor.

“Uma célula adormecida, se conduzida para a corrente sanguínea, possivelmente acarretará em problemas futuros.”

A especialista acrescenta: a drenagem só é recomendada durante o tratamento contra o câncer em casos específicos, quando a paciente retém muito líquido, geralmente nos braços, após a mastectomia (retirada da mama). Para esse grupo de mulheres, o tratamento é diferenciado do tradicional e deve ser feito por fisioterapeutas, sempre após recomendação médica.

Risco de gravidez?

Pacientes que usam o Dispositivos Intra Uterinos (DIU) feitos de cobre não devem recorrer à procedimentos que prometem reduzir medidas por meio de equipamentos de radiofrequência ou ondas de calor.

Tais métodos usam o calor para estimular a queima de gordura abdominal. Ao elevar a temperatura da região pélvica, o cobre é aquecido cauterizando o útero. O procedimento, porém, não é capaz de mudar o DIU de lugar e inutilizar sua função contraceptiva, pontua Mônica Azulay, coordenadora do Departamento de Cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia do Rio de Janeiro.

Embora esse tipo de problema não seja recorrente, requer cuidados. O metal não está em contato direto com a parede do útero. Se por algum motivo estiver encostado, pode queimá-lo.

"O risco é baixo, mas não inexistente. Por isso, contraindicamos", assevera Roseli Andrade. O uso de marca-passo no coração também inviabiliza tais tratamentos. "A radiofrequência pode alterar os batimentos cardíacos e provocar complicações à saúde do paciente", explica Mônica.

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