Saúde do viajante: dicas gerais para quem está pensando em viajar

Saúde do viajante: dicas gerais para quem está pensando em viajar

Atualizado: Terça-feira, 1 Março de 2011 as 9:15

Marcelo Litvoc, infectologista do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, respondeu a algumas dessas questões.

Quando falamos de saúde, qual a primeira providência antes de viajar?

Antes de qualquer viagem, é fundamental saber detalhadamente os destinos, estilo e riscos envolvidos neste deslocamento. Seja no Brasil ou no exterior, cheque o tipo e qualidade do atendimento de saúde disponível e a cobertura de saúde do seu plano de saúde. É altamente recomendável em viagens para o exterior contratar algum seguro de saúde (verificar planos, limites e coberturas) para o período envolvido, já que nem sempre o atendimento público é universal e de boa qualidade, sendo o serviço privado muitas vezes caro.

A depender do destino, principalmente nas regiões tropicais (Amazônia brasileira e demais países sul-americanos, Caribe, países do continente africano e asiático) é importante saber a existência de determinadas doenças específicas como malária, febre amarela, hepatites virais e dengue. Medidas específicas para evitar o contágio podem ser tomadas, como vacinas, cuidados com insetos e medicações profiláticas.

É preciso esperar até a última hora para atualizar as vacinas?

Não, as vacinas devem ser tomadas preferencialmente com pelo menos 15 dias antes das viagens, para que o efeito de proteção ocorra na região de risco. Mesmo que algumas doses complementares sejam aplicadas após o retorno, como no caso das hepatites A e B, é interessante tomar as doses iniciais antes da partida.

As vacinas também são ferramentas na prevenção de doenças mesmo para pessoas que não viajarão, como no caso da atualização da vacina do tétano e para meningite meningocócica.

Mas e se não for possível tomar antes, o viajante pode tomá-las no aeroporto mesmo? Quais os riscos?

A única vacina disponível no aeroporto é a vacina para febre amarela. Tomá-la no aeroporto não garante a eficácia de proteção para a viagem, principalmente nos 15 dias iniciais de exposição.

Outro problema é a possibilidade remota de efeitos colaterais ocorrerem em locais e momentos não adequados.

Em viagens internacionais deve-se montar uma “farmácia básica” e deixá-la na mala?

É sempre recomendável não se esquecer de levar os medicamentos habituais em doses suplementares para qualquer imprevisto da viagem.

Recomenda-se também levar um kit de medicamentos para situações emergenciais. Não se deve estimular a automedicação, entretanto, o acesso aos serviços de saúde e farmácias em determinadas localidades pode ser bastante difícil.

Devem-se levar as medicações na bagagem de mão (exceto líquidos), com receitas das medicações, principalmente nos deslocamentos internacionais.

No que deve consistir essa “farmácia básica”?

Os viajantes devem sempre ser orientados com relação aos sintomas e ao uso do(s) medicamento(s), devendo sempre que possível procurar assistência médica no local de destino.

O kit medicação deve conter medicamentos de classes como:

• Analgésicos

• Antitérmicos

• Anti-inflamatórios

• Antieméticos (náusea e vômitos)

• Antiespasmódicos (cólicas abdominais, menstruais e renais)

• Antidiarreicos

• Antimicrobianos (circunstâncias e orientações muito específicas)

• Bloqueador Solar

• Hidratante

Esses medicamentos podem ficar retidos em países que exigem a compra com receita para todos os remédios? Que outros problemas podem ocorrer? O que fazer então: acionar a seguradora de saúde contratada – é obrigatório para alguns países – ou levar as receitas do Brasil?

Recomenda-se sempre levar as receitas médicas de todos os medicamentos prescritos. Algumas vezes pode-se fazer um laudo médico para justificar o uso de determinado(s) medicamento(s) de uso especial. Muitas vezes é interessante fazer o laudo em inglês ou na língua do país de destino.

No caso de receitas levadas do Brasil, o médico deve ficar atento para os nomes comerciais dos medicamentos fora do País, por exemplo?

O nome farmacológico da droga, e não o nome de fantasia (comercial) é suficiente para a compreensão.

Medicamentos para doenças crônicas estão liberados nesses casos, como remédios para enxaqueca, epilepsia, alergias, etc.?

Sim, desde que o paciente leve a receita médica específica para cada medicamento.

Caso haja alergia a alguma medicação – como aspirina, por exemplo – isso deve constar nas páginas do passaporte?

Caso haja alguma alergia, principalmente grave, deve-se deixar registrado com os documentos internacionais. Escrever os nomes comerciais também é uma medida interessante para aumentar a segurança.

Onde se informar sobre doenças nos países para onde se vai viajar?

No site do Centro de Prevenção e Controles de Doenção (o site do CDC tem informações em inglês): www.cdc.gov

Mesmo dentro do Brasil há regiões onde certas doenças – como malária e febre amarela – têm maior risco de serem adquiridas, não?

Sim, o Brasil é um país com regiões onde existe risco de transmissão maior de doenças tropicais, como a região da Amazônia Legal. Doenças como malária e febre amarela ocorrem predominantemente naquela região. Entretanto, algumas doenças tropicais como febre amarela e leishmaniose visceral (calazar) são transmitidas em cidades do interior de São Paulo.

No caso de viagens longas de avião, ainda há o risco dentro da própria aeronave – como é o caso de pessoas com problemas de circulação ou que tomam medicamentos cujos efeitos podem ser afetados pela altitude ou pressurização, além de problemas de ouvido. Quais as dicas para que a viagem seja menos cansativa e não comprometa a saúde?

Pessoas com problemas circulatórios, antecedente de trombose, trombofilia e pneumopatias graves devem procurar seus médicos para avaliação do risco da viagem (principalmente nos destinos longos) e instituição de medidas, como a aplicação de medicamentos que favorecem a circulação do sangue (anticoagulantes).

Cabe lembrar que a pessoa deve levantar-se da poltrona durante o voo, fazer pequenas caminhadas no avião e exercícios de alongamento que evitam o risco de trombose.

Com relação ao desconforto do ouvido, convém não viajar em vigência de quadros respiratórios obstrutivos, procurar o médico para prescrição de medicamentos que melhorem os sintomas e realizar manobras para equalizar a variação de pressão dos ouvidos.

E quanto ao fuso horário? Isso modifica o modo como os medicamentos para condições crônicas são tomados, como é o caso de remédios que devem ser ingeridos ao acordar ou ao dormir? É necessário um período de adaptação para não haver superdosagem?

O ideal é não deixar de tomar as medicações e adaptar-se o mais rapidamente ao novo fuso horário, principalmente nas viagens de maior duração. Ajustes de poucas horas para adaptação dos períodos não acarretam maiores problemas. Para determinados medicamentos que necessitem de horário fixo, é conveniente conversar com o médico qual é a melhor solução para mudanças extremas de fuso horário, podendo levar à suspensão de alguma dose ou aumento pontual de determinada dose de medicação.

Quais as principais dicas gerais para os viajantes quanto à alimentação e ingestão de água?

Com relação à alimentação, é sempre interessante evitar a ingestão de saladas, exceto em lugares confiáveis, carnes cruas ou malcozidas, alimentos vendidos nas ruas ou praias sob condições inadequadas de conservação. Sempre lave muito bem as mãos antes de se alimentar. Preferencialmente utilize água mineral.

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