Saúde promove jogos de futebol para incentivar doação de órgãos

Saúde promove jogos de futebol para incentivar doação de órgãos

Atualizado: Terça-feira, 29 Setembro de 2009 as 12

Sob o sol da Praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, o esporte abriu caminho para uma causa nobre: a doação de órgãos. Na manhã deste domingo, 27 de setembro, o Ministério da Saúde lançou a Campanha Nacional de Incentivo à Doação de Órgãos e Tecidos - 2009. Partidas de futebol de areia chamaram a atenção das pessoas para a importância de informar seus familiares sobre a opção de ser um doador. A competição envolveu ex-jogadores do Vasco da Gama e do Flamengo, profissionais do Ministério da Saúde e pacientes transplantados do Hospital Geral do Bonsucesso (HGB).

"Nas partidas de futebol disputados por transplantados há um simbolismo muito forte que é a vitória de quem aguardava ansiosamente por um órgão e ganhou a vida", afirma a ministra da Saúde interina, Márcia Bassit. Um desses jogadores é Claudenir Cabreira, 57 anos. Ele recebeu um fígado de um jovem de 23 anos em 2005. "Minha vida mudou totalmente. Hoje dou valor a pequenas coisas".

Formada por transplantados de rins e fígado, a equipe 'Superação' se revezou em uma série de três partidas (de 20 minutos cada) contra o time de médicos, enfermeiros e demais profissionais que participaram do processo de tratamento e cura. No time, estão comerciantes, bancários aposentados, motoristas, que por meio do atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS), superaram todas as dificuldades e, agora, celebram a vida e dão exemplo.

Depois dos jogos entre transplantados e médicos, a programação esportiva continuou com um dos maiores clássicos do futebol carioca. As equipes masters do Flamengo e do Vasco da Gama transferem para a praia a rivalidade sadia dos antigos confrontos do Maracanã. Pelo rubro-negro jogaram Adílio, Wallace, Waltinho, Lulinha, Gilmar, Júlio César (Urigueler), Nunes, Renato Carioca, Delacir e Edu. Do lado do Vasco, participaram Márcio, Sidney, Gaúcho, Ernani, Paulinho Pereira, Wilsinho, Vivinho, Luis Claudio, William e Galdino. Mas apesar dos craques veteranos, o time de médicos e funcionários do Hospital Geral de Bonsucesso ganhou a partida por 3 a 1.

A CAMPANHA - A atriz Danielli Haloten - a personagem Anita, da novela Caras e Bocas, da TV Globo - é uma das protagonistas da Campanha Nacional de Doação de Órgãos do Ministério da Saúde. "Vamos conversar com nossas famílias porque é muito egoísmo não doar os nossos órgãos após a nossa partida", afirmou Danielli, durante o lançamento em Ipanema. A atriz, que é portadora de deficiência visual, passa o recado de que ninguém precisa deixar nenhum documento por escrito para expressar sua vontade de doar órgãos. Basta avisar dizer aos parentes sua intenção.

O foco da campanha deste ano estará na importância de comunicar os familiares sobre a decisão de se tornar um doador. Com o slogan "A vida é feita de conversas. Basta uma para salvar vidas", a nova campanha de doação de órgãos começa a ser veiculada nas televisões e rádios de todo o Brasil. Haverá também mobiliário urbano com a mensagem espalhados pelo país.

Durante o lançamento, foram distribuídos folders com orientações e explicações sobre a importância deste ato de solidariedade, além de distribuição de camisas da campanha autografadas pelos jogadores dos dois times cariocas. No local, o Ministério da Saúde, com o apoio do Departamento de Gestão Hospitalar do Rio de Janeiro (DGH), montou um palco para apresentação de DJ.

ESTATÍSTICAS - Os dados mais recentes do Ministério da Saúde mostram que o número de transplantes de órgãos realizados em todo o país, com doador falecido, subiu 24,3% no primeiro semestre de 2009 em comparação com o mesmo período de 2008. Entre janeiro e junho de 2009, foram feitos 2.099 transplantes de órgãos. No primeiro semestre, de 2008, foram 1.688. Nesse mesmo intervalo, houve crescimento nacional da quantidade de transplantes de rim de 30,28%. O transplante de fígado aumentou 23,17%.

"De 2004 a 2008, dobramos o nosso gasto com transplantes, mas, além de recursos materiais, precisamos do bem mais valioso, e mais escasso, que são os órgãos doados. Por isso, reforçamos a necessidade da população se engajar nessa campanha e na doação de órgãos, não somente autorizando a doação, mas também exercendo seu direito de informação e decisão sobre este assunto perante a morte de um familiar", afirma Rosana Nothen, coordenadora do Sistema Nacional de Transplantes (SNT). Em 2004, o gasto com transplantes foi de R$ 409,4 milhões e, quatro anos depois, atingiu R$ 824,2 milhões.

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