Ser feliz pode ter um lado ruim?

Ser feliz pode ter um lado ruim?

Atualizado: Terça-feira, 24 Maio de 2011 as 10:41

A busca pela felicidade está se tornando uma obsessão que pode trazer resultados opostos àquele pretendido. Estudo publicado na revista científica   Perspectives on Psychological Science , fez um levantamento de vários estudos realizados sobre o tema na última década, e mostrou que a busca desenfreada pela felicidade, que parece ser uma marca registrada da época atual, tem um lado negativo - eventualmente, muito negativo.

Segundo o artigo, o sentir-se bem não pode ser pensado como algo universalmente bom e destaca ainda situações em que a felicidade pode ser ruim. A psicologia sugere algumas técnicas para tentar alcançar a felicidade, tais como dedicar um tempo todos os dias para pensar sobre coisas que lhe deixam feliz ou grato, ou a criação de situações que possam fazer você feliz. Contudo, June Gruber, da Universidade de Yale, diz que “quando você está fazendo isso com a motivação ou a expectativa de que essas coisas deveriam fazê-lo feliz, isso pode levar à decepção e à diminuição da felicidade”.

Os pesquisadores concluíram que as pessoas que se sentem extremamente felizes tendem a assumir mais riscos e não pensam mais de forma criativa. Entre esses comportamentos de risco pode-se citar o abuso de drogas, dirigir em alta velocidade ou gastar todas as suas economias. O estudo chama atenção ainda para a "sensação de felicidade de forma inadequada”, que é quando a pessoa se sente feliz em momentos impróprios, por exemplo, quando vê alguém chorando a perda de uma pessoa querida.

Segundo os cientistas, há ainda outro fator que pode prejudicar a vida das pessoas extremamente felizes: elas podem ignorar os sentimentos negativos, que têm sua função na preservação da saúde. O medo, por exemplo, é um sentimento negativo vital para segurança, e o não sentir medo pode levar a riscos desnecessários. Os pesquisadores descobriram ainda, que para a maioria das pessoas a felicidade não está relacionada ao dinheiro, mas sim às relações sociais. Os autores do artigo sugerem que, para ser feliz, deve-se deixar de se preocupar em ser feliz e nutrir os laços de convívio social.

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