Sintomas associados a doenças simples pode apontar para esclerose múltipla

Sintomas associados a doenças simples pode apontar para esclerose múltipla

Atualizado: Terça-feira, 29 Abril de 2008 as 12

Pessoas que sentem com freqüência sintomas como fadiga, fraqueza braços e nas pernas, formigamento, tremor, disfunção na bexiga ou perda de visão temporária ou total devem ficar atentas, pois podem ser portadoras de esclerose múltipla, uma doença neurológica crônica, de causa ainda desconhecida e que atinge cerca de 2,5 milhões de pessoas em todo o mundo e aproximadamente 30 mil no Brasil. De acordo com informações da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM), a doença atinge principalmente mulheres da raça branca, com idade entre 18 e 45 anos, e, curiosamente, que moram em áreas com boas condições sanitárias.

De acordo com o neurologista André Muniz, chefe do serviço de neurologia do Hospital Salvador, com sede na capital baiana, a esclerose múltipla é resultado de uma alteração no sistema imunológico, onde as células de defesa não reconhecem a bainha de mielina (que é uma espécie de revestimento dos nervos) como parte integrante do organismo, passando a atacá-la, danificando-a e inviabilizando a comunicação cerebral. A doença, que tem componentes degenerativos e inflamatórios (inflamação no sistema nervoso central, do qual fazem parte o cérebro e a medula espinhal), é caracterizada por surtos e está sujeita a crises que podem ser uma neurite óptica, uma fraqueza muscular, uma descoordenação motora que causa dificuldades para realizar vários movimentos com os braços e pernas, ou uma alteração urinária. O tipo de surto vai depender da região inflamada no cérebro e na medula espinhal, e a evolução é imprevisível e individual.

O tratamento precoce da esclerose evita a piora do quadro do paciente provocado pelas inflamações, por isso quanto mais cedo for detectada, melhor. Em relação ao quadro degenerativo ainda não existe um tratamento que previna a piora do paciente, mas em relação ao inflamatório é possível fazer um tratamento preventivo onde o paciente pode permanecer com os sintomas, porém com surtos mais espaçados. "Esta é uma doença que não tem cura, mas tem tratamento. Ainda não se sabe o que a desencadeia. Existem algumas teorias que apontam fatores ambientais como uma transmissão viral, e outras que apontam o fator genético", explica o neurologista.

Dentre os possíveis tratamentos, há os que são realizados com imunomoduladores -drogas que não tiram a defesa do paciente e ajudam a inibir as inflamações. Os imunomoduladores têm o poder de retardar a doença e ajudar a diminuir a quantidade de surtos que o paciente tem durante o ano. Há também o tratamento feito com imunossupressores, que são drogas mais pesadas, que diminuem a imunidade do paciente, deixando-o mais suscetível a ter infecções secundárias. Os imunossupressores são usados nos casos mais graves.

Postado por: Claudia Moraes

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