Softwares fazem deficiente auditivo perceber ritmos

Softwares fazem deficiente auditivo perceber ritmos

Atualizado: Segunda-feira, 27 Julho de 2009 as 12

Todos nós aprendemos a falar graças aos estímulos sonoros que recebemos ainda quando bebês. Os sons vêem de todos os lados e dão ritmo à atividades, como correr, nadar, falar e até pensar. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) demonstra que com os deficientes auditivos este processo ocorre de maneira diferente: como não escutam, eles não conseguem apreender estes estímulos sonoros e sua percepção rítmica é bastante comprometida, assim, a dificuldade de aprender a falar se dá pela não compreensão da fala, que é rítmica.

"Nossa fala é rítmica e pausada, e o surdo tem dificuldade em compreender como fazer isso por causa da falta de ritmo", diz a coordenadora do estudo Teumaris Buono Luiz. "A realização de tarefas cotidianas também pode ser prejudicada".

Foi apostando nisso que os pesquisadores da Unicamp, em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), criaram dois softwares inéditos, que ajudam deficientes auditivos a entender o que é o ritmo.

Os dois programas criados convertem os ritmos em fenômenos visuais ou sensitivos, o que faz com que o deficiente possa percebê-los e torna possível a compreensão da mensagem transmitida, em seu ritmo real, o que proporciona melhorias na fala, nos movimentos e na socialização.

O programa que converte os ritmos em recursos visuais é o BPM Counter. Coloca-se o número de BPM (batidas por minuto) de uma música, por exemplo, e o software traduz o ritmo em quadrados coloridos que se acendem conforme a velocidade das batidas. O programa ainda não traz autonomia total ao usuário, pois exige que um ouvinte conte as BPM que o deficiente irá visualizar, mas já é um grande avanço para facilitar a vida destes pacientes.

O outro software, desenvolvido pela Unicamp com a UFPR, funciona com a tecnologia VPM (vibrações por minuto) e pode ser colocado em celulares. Ao chegar a ambientes onde há som, o programa capta as vibrações e as repassa para o celular do usuário usando o modo vibratório. "O surdo poderá sentir, pela vibração do celular, o ritmo ambiente", explica. O programa pode ajudar o deficiente a participar de festas e outros eventos.

O maior benefício trazido a estes pacientes não é a melhora auditiva  em si, mas o novo sentido que a vida destes pacientes vai ganhar, afinal, o ritmo traz um sentimento de que se pertence a um grupo.

Por enquanto, o software só existe em protótipos. Já o BPM Counter pode ser acessado gratuitamente pelo endereço www.inf.ufpr.br/imago/bpmcounter.html.

Postado por: Felipe Pinheiro

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