Soro de leite bovino reforça sistema imunológico de infectados pelo HIV

Soro de leite bovino reforça sistema imunológico de infectados pelo HIV

Atualizado: Segunda-feira, 25 Fevereiro de 2008 as 12

As condições imunológicas de crianças e adolescentes infectados pelo HIV podem ser alteradas de acordo com a qualidade da sua alimentação. É o que atesta uma pesquisa desenvolvida para a tese de doutorado da nutricionista Yara Maria Franco Moreno, defendida recentemente na Unicamp. Ao administrar suplementos alimentares, contendo proteínas do soro do leite bovino a um grupo de soropositivos, na faixa etária de 3 a 16 anos, a pesquisadora constatou melhora no desempenho do sistema imunológico dessas pessoas. “Conforme os testes clínicos, as proteínas do soro do leite bovino demonstraram ter um papel imunomodulador, ou seja, apresentam a propriedade de reforçar a defesa natural do organismo contra eventuais doenças”, afirma a pesquisadora.

Financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a pesquisa deu continuidade ao trabalho iniciado por Yara por ocasião do mestrado. Segundo a nutricionista, o objetivo era saber que contribuição os alimentos considerados funcionais, aqueles que fornecem algo além de energia ao organismo, poderiam dar ao sistema imunológico de crianças e adolescentes infectados com o vírus HIV, transmitido de forma vertical (no parto ou através do aleitamento materno). Método – A pesquisadora selecionou 40 pacientes submetidos a terapias antiretrovirais no Hospital de Clínicas da Unicamp. No momento de entrada nos testes, nenhum deles apresentava infecções associadas à Aids, conforme a pesquisadora. “Uma preocupação do estudo foi selecionar pessoas que tivessem padrões alimentares similares. De modo geral, todos apresentavam dificuldades de acesso a alimentos”, explica.

A proteína do soro do leite bovino vem sendo usada em larga escala, por exemplo, em países desenvolvidos. No Brasil, segundo Yara, isso ainda não ocorre. “Nós dispomos de tecnologia, mas não a empregamos para desenvolver novos produtos”, analisa. Para produzir o queijo, as fábricas promovem a coagulação do leite por intermédio de um tratamento térmico, que também tem a função de combater as bactérias. Após a coagulação, obtém-se a caseína, base para o preparo de derivados, e o soro. Este último, embora possa dar origem a produtos com alto valor agregado, normalmente é jogado fora.

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