Temporão reconhece falhas e anuncia investimento no combate ao crack

Temporão reconhece falhas e anuncia investimento no combate ao crack

Atualizado: Quarta-feira, 28 Outubro de 2009 as 12

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou nesta quarta-feira, 28 de outubro, que serão investidos R$ 110 milhões em atendimento a usuários de crack em todo o Brasil. Segundo o ministro, o número de leitos será ampliado em 2.500 em hospitais gerais, com capacidade para atender até 12 mil dependentes químicos.

"Esse é um problema gravíssimo que afeta a sociedade brasileira, nós temos que enfrentá-lo. É um problema complexo porque nós estamos lidando aí também com tráfico e criminalidade", afirmou Temporão, que participou no Rio da abertura do Fórum Global de Atendimento ao Trauma, promovido pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

O ministro, no entanto, não deu detalhes de quando seriam disponibilizados esses leitos e de como essa verba seria repassada aos estados. Ele admitiu que hoje há falhas no atendimento.

"Nós reconhecemos que existem falhas, nem todas as pessoas que precisam de atendimento conseguem atendimento no tempo que gostariam de ter, mas quero dizer que esse plano que está sendo lançado e implementado vai trazer resultados", afirmou.

Droga devastadora

"São mais de R$ 100 milhões, 2.500 leitos em hospitais gerais e uma capacidade para atender e acolher até 12 mil usuários de crack, que é um problema sério de dependência que devasta a pessoa e que afeta hoje principalmente as grandes cidades brasileiras".

De acordo com a psiquiatra Analice Gigliotti, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead) e chefe do Setor de Dependência Química da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, cerca de 40% dos usuários são pessoas de classe média.

Conforme estudos científicos, ao ser fumado, o crack atinge o cérebro em cerca de oito segundos, após passar pelos pulmões e pelo coração. Vicia com apenas três ou quatro doses. O efeito dura de um a dois minutos.

A droga produz insônia, falta de apetite e hiperatividade. O uso prolongado causa sensação de perseguição e irritabilidade, o que leva o usuário a agir de forma violenta.

Investigações

Segundo investigações da Delegacia de Combate às Drogas da Polícia Civil (Dcod), o crack é vendido nas maiores favelas e morros do Rio, como Jacarezinho, conjuntos do Alemão, Maré e Manguinhos (subúrbio), Macacos e Mangueira (Zona Norte), Rocinha, Santo Amaro (Zona Sul) e São Carlos (Centro).

De acordo com a polícia, o crack é produzido em laboratórios clandestinos nessas localidades.

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