Testosterona pode ser um perigo ao organismo feminino

Testosterona pode ser um perigo ao organismo feminino

Atualizado: Terça-feira, 13 Dezembro de 2011 as 1:40

Quando o assunto é o uso do hormônio masculino testosterona pelas mulheres, as promessas são as melhores possíveis: menos gordura corporal, músculos para lá de definidos e disposição total para encarar e melhorar o desempenho nas atividades físicas. Mas o que aparentemente pode ser uma boa para qualquer mulher, pode representar, na verdade, um grande perigo.

Para quem não sabe, a testosterona é um hormônio masculino produzido nos testículos e nas glândulas suprarrenais, que se situam sobre os rins. Ela é responsável por todas as características sexuais dos homens - aparecimento dos pelos, aumento dos músculos e engrossamento da voz -  e tem ligação com a libido, a disposição e a agressividade. A substância também é produzida nas mulheres, nas glândulas suprarrenais e no ovário, mas em uma quantidade bem menor.

Jeito de homem

A ingestão desse hormônio sem orientação médica pode causar no organismo feminino uma porção de efeitos colaterais, mais intensos do que os possíveis bons resultados oferecidos e afetam, inclusive, o ciclo menstrual da mulher. “Quando a testosterona é consumida de um modo suplementar, uma das primeiras reações percebidas é a irregularidade da menstruação. O hormônio também pode provocar, em alguns casos, a falha na ovulação, que culmina em problemas de fertilidade, e a diminuição dos seios”, informa Antônio Carlos Rodrigues da Cunha, ginecologista e professor da Universidade de Brasília (UnB).

Além disso, como muito se fala por aí, o crescimento do pomo de adão (conhecido como gogó), o aumento de pelos faciais e corporais e o engrossamento da voz realmente são comuns às mulheres que usam e abusam da testosterona. E, infelizmente, não para por aí. “Com a ingestão desse hormônio, além do desenvolvimento de características fortemente masculinas, é muito comum o aparecimento de acne, o crescimento do clitóris, a queda de cabelo, a retenção de líquido e a potencialização da agressividade”, informa Alessandra Rascovski, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

E se a dose ingerida de testosterona for muito alta ou o tempo de uso longo demais, o quadro pode ficar ainda mais complicado e outros problemas de saúde podem ser causados. “O consumo muito alto de testosterona pode aumentar a formação dos glóbulos vermelhos e a coagulação do sangue, que pode elevar o risco de trombose, hepatite e o surgimento de cistos e tumores malignos”, alerta Alessandra.

Pois é. Lançar mão da testosterona pode ser uma grande furada. No entanto, em alguns casos, a utilização do hormônio é permitida por mulheres que estão na menopausa. "Nessa fase da vida, a reposição da testosterona ajuda a restabelecer a libido e a combater a perda de massa muscular, mas isso deve ser feito com total controle e acompanhamento médico, porque o hormônio pode também aumentar os riscos de doenças cardiovasculares, como o infarto. Por isso, é preciso ter cautela. Nem mesmo nesses casos, a testosterona é muito indicada”, alerta Antônio Carlos.

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