Todo mundo pode sapatear

Todo mundo pode sapatear

Atualizado: Quinta-feira, 17 Abril de 2008 as 12

O sapateado é mais democrático do que parece. Não faz distinção de peso, sexo ou idade e ainda ajuda a emagrecer. Uma hora sapateando, em nível intermediário, queima cerca de 500 calorias. Em termos de consumo de energia, é o mesmo que praticar um esporte como a corrida ou a natação.

"Com certeza o sapateado é uma modalidade de dança muito aeróbica. Por isso, o gasto calórico é intenso", atesta a professora Flávia Scalzzo, do Studio de Sapateado Andrei Udiloff, em São Paulo. "Há todo tipo de novo aluno, daqueles que estão em busca de uma atividade física, mas não gostam de academia, aos que procuram a dança para relaxar e aliviar o stress. Em todos os casos, no início a curiosidade é grande, depois vira paixão", avalia Flávia.

Claro que para sair sapateando por aí com a desenvoltura de um personagem de Musical leva um certo tempo - na verdade, o suficiente para os aprendizes perceberem nas coreografias vários movimentos que já executam normalmente. "Se você reparar bem, a gente pula e corre nas aulas. Tudo coordenado com a música", explica o coreógrafo Waldomiro Pires, que também é professor de educação física. Aí, tudo fica mais fácil. Por isso, sapatear, mesmo que um pouco fora do ritmo no início, está ao alcance de todos. "Tem quem aproveite o sapateado até como terapia, para melhorar a auto-estima".

Sapatear é bom para o corpo inteiro

No campo físico, a atividade aumenta a capacidade cardiovascular, protege as articulações e trabalha os músculos inferiores, já que a dança exige mais das pernas e dos pés do que de qualquer outra parte do corpo. Assim, panturrilha, glúteos e coxas ficam em forma. "Mas também trabalhamos a musculatura dos braços e do abdômen. As aulas visam que o aluno utilize o corpo como um todo", ressalta Flávia.

No fim, o saldo de quem sapateia é mais positivo do que os ponteiros da balança são capazes de indicar: a postura melhora, desenvolve-se força, resistência, agilidade, coordenação motora, equilíbrio e velocidade, aguçando a consciência corporal. Por isso, é ideal para quem está perdendo peso e percebendo um novo corpo. "O curso também ajuda a lidar com a energia corporal, ensinando a ampliá-la e concentrá-la no momento certo, com expressão e domínio de espaço e tempo", completa a professora.

E quem sapateia ainda fica com os ouvidos afiados, pois sapatear é como tocar um instrumento de percussão - o barulho das chapinhas no solo produz uma melodia à parte, complementar à da música escolhida para embalar os passos. Por tabela, aprende-se um pouco de teoria musical. "A grande proposta do sapateado é fazer música com os pés", ensina Waldomiro.

Dicas pra sapateadores de primeira viagem:

Quem já tem histórico de problemas ortopédicos deve consultar um médico antes de optar pelo sapateado. Esse conselho vale para qualquer modalidade de dança. Fora isso, não há restrições. Na hora de procurar a escola, certifique-se de que ela oferece condições apropriadas. A sala deve ter o piso em madeira, de preferência isolado do chão. Essa medida diminui o impacto do corpo com o solo, protegendo o bailarino de possíveis lesões. Também observe se há barras, aparelhagem de som e acústica perfeita. É sempre importante saber qual a metodologia do profissional com quem você pretende trabalhar. Faça uma aula experimental antes de comprar os sapatos, que custam por volta de R$ 70. Roupas de malha permitem um maior conforto e flexibilidade na hora dos exercícios. Mas, o conselho principal é: esqueça tudo no momento da aula e divirta-se! Um pouco da história do sapateado

O sapateado surgiu na Irlanda, no início da Revolução Industrial, onde os operários costumavam usar tamancos de madeira ("clogs") para isolar a intensa umidade que subia do solo. Nas poucas horas de folga, tanto homens como mulheres reuniam-se nas ruas dos pequenos centros urbanos para uma animada competição, cujo objetivo era ver quem conseguia produzir os sons e ritmos mais originais com o bater das solas no chão de pedra. Por volta de 1800, os tamancos foram substituídos por calçados de couro (jigs), mais flexíveis, e moedas foram adaptadas ao salto e à biqueira para que o som do "sapato musical" soasse mais puro. Com o tempo, as moedas foram trocadas por plaquinhas de metal, os "taps". Daí, o nome em inglês do sapateado: "tap dancing".

Por volta de 1920, surgiu o sapateado americano, cuja história começou com os negros. O auge veio com as grandes produções do cinema entre 1930 e 1950, quando surgiram grandes nomes como Gene Kelly, Fred Astaire, Ginger Rogers e Eleonor Parker. Vale ressaltar que nos musicais o estilo adotado é mais dançado com o corpo, utilizando técnicas de ballet. No sapateado do negro americano, as batidas são mais rápidas e o corpo fica mais à vontade. Fred Astaire dançava os dois estilos de uma maneira surpreendente e perfeita, altamente clássico e com a velocidade dos negros. 

Postado por: Claudia Moraes  

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