Trabalhos mais flexíveis trazem benefícios para a saúde

Trabalhos mais flexíveis trazem benefícios para a saúde

Atualizado: Quarta-feira, 24 Fevereiro de 2010 as 12

Uma recente revisão de estudos realizada pela Universidade de Durham, no Reino Unido, indica que pessoas que trabalham em empregos mais flexíveis - que permitem ao trabalhador maior controle sobre suas funções e horários - podem gozar de melhor bem estar físico e mental do que aqueles que têm menos controle sobre seu trabalho. Avaliando 10 estudos com um total de mais de 16,6 mil pessoas, os pesquisadores observaram que certas condições que dão certo controle para os trabalhadores, como a possibilidade de ter um horário de trabalho flexível e uma aposentadoria gradual, estavam associados a benefícios para a saúde - incluindo pressão sanguínea e ritmo cardíaco mais baixos, melhor qualidade de sono e menos fadiga.

De acordo com os especialistas, diversos estudos vêm mostrando a relação entre a "alta tensão do trabalho" - definida como a combinação de grandes exigências no trabalho com o pouco controle do trabalhador sobre suas funções - e maiores taxas de doença cardíaca, depressão e outras doenças. Apesar disso, os autores destacam que estudo não prova que agendas mais flexíveis no trabalho levam à melhor saúde, mas apoia a teoria de que "controle sobre o próprio trabalho é bom para a saúde". Os benefícios das ocupações mais flexíveis para a saúde ocorreriam por causa de seu menor nível de estresse, ou por oferecer mais tempo livre para os exercícios.

Entre os quatro estudos avaliados que davam ênfase às políticas de "auto-agendamento" que permitiam que os trabalhadores controlassem a rotação de suas horas de trabalho, três apresentaram benefícios para a saúde com essa prática. Em um deles, por exemplo, os resultados indicaram que os funcionários de uma companhia aérea que participaram dessa política tiveram redução de seis pontos na pressão sistólica após sete a oito meses, enquanto sua taxa cardíaca no descanso declinou em seis batimentos por minuto.

Além disso, outros dois estudos mostraram que os trabalhadores que têm a possibilidade de aposentadoria gradual ou parcial - em lugar de serem forçados a parar de trabalhar - relataram melhor bem estar emocional após um ano do que aqueles que tinham menos controle sobre sua aposentadoria.

Os pesquisadores destacam que ainda há uma grande lacuna em relação a esses estudos, o que aponta para a necessidade de desenvolvimento de testes randomizados controlados antes de se chegar a alguma conclusão sobre o assunto. "Os dados que temos são mais indicativos do que conclusivos", explicam os autores. Porém, eles recomendam que empregadores e políticos comecem a pensar em formas de tornar o trabalho mais flexível, com o objetivo de promover a saúde do funcionário.

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