Transplante de córnea é cada vez mais comum no Brasil

Transplante de córnea é cada vez mais comum no Brasil

Atualizado: Quinta-feira, 17 Abril de 2008 as 12

Tecnologia e mudança no comportamento da sociedade tornam o procedimento mais acessível. As as doações ainda são insuficientes.

O transplante de córnea torna-se cada vez mais comum no Brasil, graças à eficiência no diagnóstico de patologias oculares e também à evolução dos bancos de olhos. "Há menos de 10 anos, era preciso importar córneas dos Estados Unidos. Hoje, dispomos de um número razoável de doações, mas ainda em quantidades inferiores ao necessário", informa a oftalmologista Micheline Borges, responsável pelo Departamento de Córneas do Instituto de Microcirurgia de Brasília - Inob.

Cerca de 25 mil brasileiros aguardam na fila de espera para o procedimento. Dados do Banco de Olhos do Distrito Federal mostram que, em 2007, as principais causas para o transplante foram o ceratocone, doença que compromete a forma da córnea (43,9% dos casos), e a ceratopatia bolhosa, que provoca a baixa visual causando diminuição da transparência corneana (14,5% dos casos). "Enquanto esperam, os pacientes têm sua qualidade de vida reduzida, por conta da baixa acuidade visual e dos sintomas das patologias", enfatiza a especialista.

O aumento das doações é primordial para a redução da espera. Os familiares autorizam a doação das córneas em um período de até seis horas após o óbito. A equipe de captadores do Banco de Olhos retira o tecido ocular inteiro e o substitui por próteses. O tecido doado é devidamente processado e conservado em um líquido com nutrientes e antibióticos. Também são realizadas sorologias no doador eliminando o risco de transmissão de doenças para o receptor.

Procedimentos

"O transplante é feito através da retirada regular da região central da córnea doente, para substituição por um tecido saudável", explica Dra. Micheline. Para ser submetido à cirurgia, o paciente necessita realizar um exame oftalmológico completo, que será avaliado por um especialista em córnea. "Muitas vezes o paciente ainda precisa realizar exames mais específicos e complexos como topografia, microscopia especular e ultra-sonografia, para a correta indicação do procedimento", complementa a médica.

A cirurgia leva, em média, uma hora para ser realizada e exige anestesia local. O paciente recebe alta no mesmo dia para repouso em casa. "Indicamos descanso relativo durante 30 dias. A recuperação visual é lenta e o paciente necessita ser acompanhado por vários meses", descreve.

Após o transplante, o risco de rejeição é bem menor que em órgãos como rim, fígado e coração, pois a córnea é um tecido avascular, ou seja, sem vasos. Na maior parte das vezes não há necessidade de realizar imunossupressão sistêmica - repressão ao sistema imunológico, como ocorre no transplante de outros órgãos.

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