Tratamento preventivo pode reduzir o risco de câncer de mama

Tratamento preventivo pode reduzir o risco de câncer de mama

Atualizado: Terça-feira, 14 Junho de 2011 as 11:41

Devem-se oferecer medidas preventivas e monitoramento próximo a todas as mulheres cujo risco de contrair câncer de mama nos próximos 10 anos seja 4% superior à média, afirmam os especialistas em um comunicado que resultou de um encontro na Suíça em 2010 (Lancet Oncology doi:10.1016/S1470-2045(11)70030-4).

O desafio é quantificar o risco. As evidências até o momento apontam a densidade mamográfica do tecido mamário como um possível concorrente – atualmente, esse é o “mais forte preditor de câncer de mama”, disse o estudo. Mulheres com densidade mamária superior a 75% têm risco 4 a 5 vezes maior de contrair câncer do que mulheres com tecido não denso.

Uma redução da densidade do tecido mamário também pode indicar resposta ao tratamento. Uma revisão de quatro estudos observou que usar tamoxifeno como terapia preventiva por 5 anos reduziu em 43% a incidência de câncer de mama invasivo positivo para o receptor de estrogênio. Ele também reduziu em 38% o risco de novos tumores nos 5 anos após o fim do tratamento.

O presidente do encontro, Jack Cuzick, epidemiologista da fundação beneficente Cancer Research UK, que leciona na Faculdade Queen Mary, da Universidade de Londres, disse que, embora o tamoxifeno e o raloxifeno sejam licenciados para a prevenção de câncer de mama nos Estados Unidos, nenhum deles é amplamente utilizado, sobretudo devido a preocupações com efeitos colaterais e a uma certa incapacidade de prever o câncer de mama.

Cuzick acrescentou: “A densidade mamária aumentada é um dos principais fatores de risco para o câncer de mama, e resultados iniciais dos ensaios clínicos sugerem que, quando o tamoxifeno diminui a densidade, o risco de câncer também diminui. Se isso for confirmado em estudos de longo prazo, a densidade mamária poderá tornar-se um meio importante de identificar mulheres de alto risco que se beneficiem com tratamentos preventivos”.

Outros possíveis tratamentos preventivos são novos medicamentos, tais como lasofoxifeno, arzoxifeno e inibidores da aromatase, como anastrozole e exemestano, que também se mostraram promissores, mas necessitam de maiores investigações, diz a revisão.

“Esperamos que, no futuro, seja possível avaliar o risco de câncer de mama das mulheres como parte do rastreamento de mama de rotina, além de oferecer orientação personalizada sobre redução do risco e medicamentos preventivos”, disse Cuzick.

Essa revisão apela às instituições públicas para que avaliem medicamentos de uso preventivo, já que, como aponta, é improvável que a indústria farmacêutica queira arcar com os custos de tais ensaios clínicos, uma vez que a proteção a patentes de muitos dos medicamentos já expirou ou está prestes a expirar.

O estudo também apela às organizações reguladoras de medicamentos e aos comitês de revisão para que revejam seus procedimentos para a aprovação de tratamentos preventivos de forma a possibilitar um julgamento geral quanto ao equilíbrio entre riscos e benefícios.

Créditos: este material é uma reprodução autorizada do texto publicado pelo   BMJ Brasil   (British Medical Journal). © 2008. Artmed Editora S.A. Todos os direitos reservados. Traduzido e reproduzido com permissão. Este texto não pode ser reproduzido ou distribuído, em nenhum tipo de mídia, sem permissão prévia por escrito do BMJ Brasil.    

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