"Um sujeito gordo também pode fazer coisas extraordinárias"

"Um sujeito gordo também pode fazer coisas extraordinárias"

Atualizado: Quarta-feira, 30 Março de 2011 as 9:41

Ele é grande, pesado e não está nem aí para as supostas limitações dos gordos. Aliás, carrega com orgulho o apelido Fat Man, mais do que justo para quem tem uma cintura de 153 cm.

Três vezes campeão norte-americano de sumô, o estatístico Kelly Gneiting deixa a arena onde enfrenta sujeitos tão grandões quanto ele e vai para o asfalto, para mostrar que gente gorda pode fazer qualquer coisa. Até correr uma maratona.

Ele acaba de completar uma em Los Angeles e aguarda que o "Livro dos Recordes" oficialize seu título de homem mais pesado do mundo a completar uma prova do gênero.

Na semana passada, três dias depois de suas quase dez horas de corrida, Gneiting concedeu entrevista à   Folha , por e-mail. Leia a seguir os principais trechos.   Folha - Por que o senhor decidiu correr a maratona?

Kelly Gneiting -   Eu queria estabelecer um novo recorde mundial. Queria provar para mim e para os outros que um sujeito gordo também pode fazer coisas extraordinárias. [Meu exemplo] seria como uma injeção de penicilina para aqueles que são pesados, mas têm baixa autoestima ou deixam que seu peso se traduza em incapacidade de fazer qualquer coisa.

Foi uma espécie de declaração: gordos também podem estar em forma...

Sim, e também que gordos podem fazer qualquer coisa, que qualquer pessoa, mesmo com algum tipo de fraqueza, pode fazer qualquer coisa.

Como o senhor treinou para a maratona de Los Angeles?

Eu sou um sujeito muito ativo e não deixo que o meu peso me impeça de fazer nada. Estou sempre treinando para o sumô, mas, quando decidi fazer a maratona, passei a incluir treinos específicos na minha preparação desde cinco meses antes da prova. Treino seis vezes por semana: dois dias de preparação para o sumô, dois treinos em escadas e dois treinos de corrida; em geral, cada treino dura 45 minutos.

Como foi a prova?

Foi muito difícil, extremamente dura, desde o princípio. Meus pés começaram a doer pouco depois do segundo quilômetro; em geral, nos treinos, eles começam a doer só depois de uns dez quilômetros. Então, desde o começo fiquei muito preocupado, mas você acaba se acostumando com as dores. Cheguei a ter bolhas.

Naquele domingo, Los Angeles teve uma chuva recorde, e a chuva e o vento transformaram a corrida num inferno. Eu trotei por cerca de 13 quilômetros, depois caminhei com rapidez e energia por mais uns seis quilômetros e, depois, fiz o que era possível para sobreviver, ficar de pé e chegar até o fim.

Depois de completar a maratona em 9h48min52, reduzindo em mais de duas horas o seu tempo anterior, o senhor teria dito que se considera um dos melhores atletas do mundo. É isso mesmo?

Eu espero que o fato de eu ter completado a maratona mostre quanto eu sou durão. As lutas de sumô duram seis segundos; as maratonas duram muito mais. Meu corpo é extremamente durável. Nunca tive um osso quebrado. Eu tenho tanta confiança nas minhas habilidades que, sim, acredito que sou um dos melhores do mundo.  

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