Uma UTI amazônica

Uma UTI amazônica

Atualizado: Quarta-feira, 9 Novembro de 2011 as 11:15

Médicos com máscaras azuis, luz branca, macas de metal, bisturis elétricos, monitores cardíacos. O centro cirúrgico dos Expedicionários da Saúde é semelhante ao de muitos hospitais, com uma singela diferença: funciona sob quatro barracas de lona, para atender povos indígenas da região amazônica. Para isso, as tendas são erguidas dentro das aldeias, em plena selva, a centenas de quilômetros das cidades mais próximas. Fundada em 2003 por voluntários de Campinas, São Paulo, a organização já realizou 18 mutirões, em 12 comunidades ribeirinhas, e fez 2,5 mil cirurgias e 14 mil atendimentos clínicos. Essas expedições, que geralmente duram uma semana, levam 40 pessoas para a floresta, entre médicos, enfermeiros e profissionais de logística. 

Os casos cirúrgicos mais comuns são de hérnia abdominal e catarata, problemas que se resolvem com certa facilidade em grandes cidades, mas que trazem grandes transtornos aos povos indígenas. Num modo de vida sustentado sobretudo pelo artesanato e pelo trabalho braçal, a falta de visão e de força física podem significar o fim das atividades produtivas. “Para quem precisa levantar peso todos os dias para ganhar seu pão, ter hérnia pode limitar totalmente a vida”, diz o cirurgião Fábio Atuí, que trabalha no projeto. Apesar dessa necessidade, por conta das dificuldades de transporte, são raros os doentes que saem das comunidades em busca de atendimento. Em certas localidades, com os barcos que têm à disposição, são necessários dezenas de dias para se chegar à cidade mais próxima. 

Segundo o ortopedista Ricardo Affonso Ferreira, um dos fundadores da Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), a ideia é que, em algum tempo, as expedições deixem de ser semestrais e passem a ser mensais. E também que o modelo proposto pelos expedicionários se torne uma forma definitiva de levar atendimento de saúde aonde ele não chega por outros meios. 

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