Vencedor morreu de câncer três dias antes do prêmio

Vencedor morreu de câncer três dias antes do prêmio

Atualizado: Segunda-feira, 3 Outubro de 2011 as 2:37

O cientista canadense Ralph Steinman, que foi anunciado nesta segunda-feira (3) como um dos vencedores do prêmio Nobel de Medicina por seu trabalho pioneiro sobre o sistema imunológico, morreu na última sexta-feira (30), aos 68 anos de idade, vítima de um câncer no pâncreas.

A informação foi divulgada pela Universidade de Rockefeller, nos Estados Unidos, onde Steinman era professor desde 1988.

- Steinman faleceu no dia 30 de setembro. Ele foi diagnosticado com câncer de pâncreas há quatro anos, e a vida dele se prolongou graças à aplicação de uma imunoterapia à base de células dendríticas que ele mesmo criou. 

Geralmente, o prêmio Nobel não é dado a pessoas que já morreram. 

Segundo consta nos estatutos de 1974, os prêmios Nobel não podem ser concedidos como título póstumo, a não ser que o agraciado morra no período transcorrido entre a concessão e a entrega do mesmo. 

No entanto, o secretário do Comitê Nobel para Medicina, Göran Hansson, declarou que é "muito cedo" para dizer o que acontecerá e lamentou a morte de Steinman. 

- Estudaremos as consequências práticas que isto terá durante os próximos dias junto da Fundação Nobel. 

O secretário admitiu que "em princípio" não é possível premiar um morto, mas indicou que se trata de uma "situação única", já que Steinman perdeu a vida "horas antes de a decisão ser tomada".

A dupla de pesquisadores Bruce A. Beutler e Jules A. Hoffmann dividiu com outro pesquisador, Ralph M. Steinman, o prêmio Nobel de Medicina de 2011, anunciado nesta segunda-feira (3) em Estocolmo, capital da Suécia. 

Segundo a organização do prêmio, este ano a homenagem foi feita a estudiosos que "revolucionaram nossa compreensão do sistema imunológico", descobrindo princípios-chave para sua ativação. 

- Seu trabalho abriu novos caminhos para o desenvolvimento de prevenção e terapia contra infecções, câncer e doenças inflamatórias. 

Beutler, que é americano, e Hoffmann, de Luxemburgo, vão dividir metade do prêmio. A outra metade seria entregue a Steinman, nascido no Canadá. A cerimônia será em 10 de dezembro, em Estocolmo. 

Os cientistas há muito tempo procuram os porteiros da resposta imune pela qual o homem e outros animais se defendem do ataque de bactérias e outros micro-organismos. 

Bruce Beutler e Jules Hoffmann descobriram proteínas receptoras que podem reconhecer tais micro-organismos e ativar a imunidade inata, o primeiro passo na resposta de imunização do organismo. 

Ralph Steinman descobriu as células dendríticas do sistema imunológico e sua capacidade única para ativar e regular a imunidade adaptativa, a fase posterior da resposta imune durante a qual os micro-organismos são eliminados do organismo humano.

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