Vitamina D: mais do que proteger os ossos, a vitamina assegura longevidade

Vitamina D: mais do que proteger os ossos, a vitamina assegura longevidade

Atualizado: Quinta-feira, 30 Abril de 2009 as 12

Depois dos 50 anos, muitos especialistas preconizam doses mais elevadas de vitamina D, prescrevendo, de acordo com o caso, até mesmo a suplementação

A gente não cansa de ouvir que a receita para uma vida longa e cheia de saúde deve incluir uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividade física, boas noites de sono e uma mente sem estresse. Hoje, muitos estudiosos já acrescentam a essa lista banhos de sol diários, nem muito extensos, nem muito curtos: bastam 15 minutos para que os raios solares ativem no organismo a produção de uma substância capaz de fortalecer os ossos, preservar a atividade cerebral e garantir que o coração bata por anos a fio. "Trata-se da vitamina D, uma substância que, com tantas qualidades elencadas nos tempos muito recentes, tem despertado o interesse de pesquisadores de várias áreas - de nutricionistas a bioquímicos", afirma o geriatra Eduardo Gomes de Azevedo, diretor da rede de Clínicas Anna Aslan.

Um trabalho científico recente, que foi publicado na revista científica Archives of Internal Medicine revela que níveis adequados de vitamina D ampliam a expectativa de vida. A pesquisa avaliou mais de 13 mil homens e mulheres. Quem estava com taxas insuficientes da substância apresentou um risco de morte das mais variadas causas 26% maior em relação aos indivíduos com altos índices da molécula. "A vitamina D está envolvida em vários processos no organismo, participando inclusive da homeostase, o equilíbrio interno de todas as funções do corpo", explica o médico.

Outra pesquisa da Universidade da Califórnia em Riverside, nos Estados Unidos, analisou o papel do nutriente em diversos tecidos do corpo. Seu autor, o bioquímico Anthony Norman, quis mostrar que os benefícios da vitamina D vão muito além do fortalecimento dos ossos. O pesquisador defende que a recomendação diária vá das atuais 400 UI (unidades internacionais) para 2 mil. "Os valores indicados hoje se baseiam apenas no aporte de cálcio, que a vitamina ajuda a fixar no esqueleto. Mas agora sabemos que a vitamina D atua no sistema imune, no coração, no cérebro e na secreção de insulina pelo pâncreas", diz o geriatra Eduardo Gomes.

Para dar conta de tantas tarefas, a dose de vitamina D precisaria ser mesmo maior. "Atualmente, essa vitamina é considerada um potente modulador das células de defesa. Ela estimula a atividade das células imunológicas quando elas precisam entrar em ação. Sem o banho solar diário, ficamos indefesos", explica a nutricionista da clínica Anna Aslan de Curitiba, Renata Rothbarth.

Boas doses de vitamina D são, ainda, sinônimo de peito forte. Isso porque ela controla as contrações do músculo cardíaco, vitais para o bombeamento de sangue. Sem contar que, em níveis desejáveis, mantém a pressão arterial em dia. "A razão para isto é que ela inibe, nos rins, a síntese de renina, uma enzima envolvida na secreção de um hormônio que faz a pressão disparar. A insulina é mais uma substância que depende da ação adequada da vitamina D, pois ela estimula o pâncreas a produzi-la", explica Renata Rothbarth.

No caso do câncer, desconfia-se que a vitamina D regule genes vinculados à proliferação celular na mama, no cólon e na próstata. "A vitamina também comanda os genes que inibem a angiogênese, a formação de vasos que alimentam o tumor, ou seja, age contra o câncer em várias frentes", explica a nutricionista.

O déficit de vitamina D pode estar por trás de problemas como o Parkinson, que provoca tremores involuntários. Esse elo foi verificado por cientistas da Universidade Emory, nos Estados Unidos. Os portadores do mal tinham uma carência acentuada do nutriente. "A hipótese é que a vitamina D ofereça uma maior proteção aos neurônios ameaçados pelo Parkinson", explica a nutricionista.

Exposição solar adequada

A falta deste nutriente no organismo talvez se explique pelo fato de a população se expor cada vez menos ao sol, até mesmo no Brasil. O medo do câncer de pele não pode servir como desculpa para evitar os raios solares. "Os protetores não impedem que tenhamos uma quantidade adequada de vitamina D", explica o geriatra Eduardo Gomes, adepto da prática ortomolecular.

Depois dos 50 anos, a vitamina D se torna ainda mais fundamental. Isso porque a partir dessa idade os ossos tendem a se desmineralizar em um ritmo acelerado, aumentando o risco de osteoporose. Além disso, o corpo perde massa muscular, o que favorece a ocorrência de quedas e até de certa dificuldade de locomoção. "O problema é que nessa idade a pele tem uma menor capacidade de síntese da vitamina. Por isso, muitos especialistas preconizam doses mais elevadas da substância, prescrevendo, de acordo com o caso, até mesmo a suplementação", diz o geriatra Eduardo Gomes de Azevedo.

Mais informações sobre a prática ortomolecular no blog:

http://annaaslan.blogspot.com

Postado por: Adriana Amorim

veja também