Vitiligo

Vitiligo

Atualizado: Sexta-feira, 15 Janeiro de 2010 as 12

No title O que é?

Doença de causa desconhecida, o vitiligo caracteriza-se pela presença de manchas acrômicas (sem pigmentação) na pele. As lesões formam-se devido à diminuição ou ausência de melanócitos (células responsáveis pela formação do pigmento melanina, que dá cor à pele) nos locais afetados.

A causa disto ainda não está clara mas fenômenos auto-imunes parecem estar associados ao vitiligo. Além disso, é comum a correlação com alterações ou traumas emocionais que poderiam atuar como fatores de desencadeamento ou agravação da doença.

Manifestações clínicas

As manchas típicas do vitiligo são brancas, com total ausência de pigmento. Têm limites bem definidos e podem apresentar um fino halo de pele mais escura ao seu redor. As lesões não apresentam quaisquer sintomas.

O vitiligo costuma atingir principalmente a face, extremidades dos membros, genitais, cotovelos e joelhos, mas pode chegar a acometer quase toda a pele. Quando atinge áreas pilosas, os pêlos ficam brancos.

O vitiligo tem curso crônico. Não há como prever a evolução da doença, que pode permanecer estável durante anos, voltar a se desenvolver ou regredir espontaneamente. Em um mesmo paciente podem ocorrer simultaneamente a regressão de algumas lesões enquanto outras se desenvolvem.

Uma característica da doença é que ferimentos na pele podem dar origem a novas lesões.

Apesar do vitiligo não causar nenhum prejuízo à saúde física, as alterações estéticas muitas vezes causam distúrbios psicológicos que podem prejudicar o convívio social. O grau de comprometimento emocional pode acabar interferindo negativamente na evolução da doença. Quando necessário, o acompanhamento psicológico dos pacientes em tratamento pode ser fundamental para um bom resultado.

Tratamento

O vitiligo se apresenta de forma e intensidade variada em cada paciente, portanto, o tratamento indicado pelo dermatologista deve ser individualizado, de acordo com cada caso.

Medicamentos que exercem ótimos resultados em alguns pacientes podem não ter efeito algum em outros. Muitas vezes, os resultados parecem estar mais relacionados ao paciente tratado do que ao tratamento em si.

As medicações visam corrigir as alterações imunes responsáveis pelo processo de despigmentação ou estimular os melanócitos presentes nas lesões a produzirem a melanina.

A repigmentação das lesões se dá a partir dos folículos pilosos, formando-se pontilhado pigmentar dentro das manchas. Estes pontos aumentam progressivamente coalescendo para fechar a lesão (foto abaixo).

Nos casos de vitiligo estável (quando não surgem novas lesões e as existentes não aumentam de tamanho), algumas técnicas cirúrgicas promovem a transferência de melanócitos obtidos em áreas de pele saudável para a área afetada. Uma vez incorporados ao tecido estes iniciam a produção de melanina repigmentando a lesão.

O vitiligo é uma doença que tem tratamento, mas este é demorado e exige paciência. No caso das crianças, é importante que os pais tentem se controlar para não transmitir sua ansiedade para elas, fazendo-as pensar que sofrem de uma doença grave, o que só trará dificuldades ao tratamento . É importante lembrar que o vitiligo não traz nenhuma alteração de saúde apesar do grande distúrbio estético.

A emoção por trás da doença

Tudo o que se vive envolve algum tipo de emoção. As doenças são situações que sempre disparam emoções e, muitas vezes, são antecedidas de emoções de tal significância que podem ser tidas como provocadoras da doença. Não se sabe em que nível as emoções participam da geração da enfermidade. Pode ser até que todas as doenças, que não as genéticas, tenham, na sua origem, emoções represadas ou mal solucionadas.

No estado atual dos conhecimentos e das possibilidades de investigação, não é possível garantir quando emoções tiveram papel ativo no desencadeamento de uma doença ou não. Entretanto, fatos circunstanciais levam a acreditar que efetivamente em certas situações estados emocionais específicos tiveram pelo menos uma estreita relação com a doença.

A ligação anatômica das emoções

As emoções podem ser a conexão entre a mente e o corpo, porque as substâncias químicas que controlam nosso corpo e nosso cérebro são as mesmas que participam das emoções, segundo a pesquisadora Candace Pert, descobridora de diversos mensageiros químicos conhecidos como neuropeptídios. As áreas do cérebro que controlam as emoções são especializadas - algumas para emoções positivas, como o nucleus accumbens, e outras para emoções negativas, como a amídala.

Dessas áreas, seguem fibras nervosas para o hipotálamo e para o tronco cerebral. Conforme a Dra. Esther Sternberg, diretora do Programa Integrativo Neuroimunológico do Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA, os centros emocionais estão ligados, acima, aos sinais que chegam do ambiente e, abaixo, aos centros motores, tornando-nos aptos a responder aos sinais conforme o estímulo do momento. Dessa maneira, as emoções interferem no funcionamento do organismo.

Resultado negativo

Temos dois casos clínicos da mesma doença com resultado diverso em situações semelhantes.

O primeiro é um paciente de 12 anos com vitiligo no rosto, que vem expandindo-se rapidamente nos últimos dois anos. Começou aos oito anos de idade, quando os pais se separaram. Era muito afeiçoado ao pai e sofreu muito sua ausência. Por dois anos, o pai não deu assistência , mas o paciente alimentava esperança de que houvesse uma reconciliação entre a mãe e o pai e este voltasse para seu convívio. A mancha iniciada aos oito anos permaneceu estável até o momento em que ficou sabendo que o pai tinha casado com outra pessoa, o que matou a esperança que nutria. Desde então, as manchas passaram a aumentar e tomaram grande extensão do lado direito do rosto.

Nenhum outro episódio patológico importante ocorreu neste paciente nesses momentos de surgimento da mancha e de sua expansão. A coincidência com ocasiões de emoção com grave conotação negativa pode ser o elemento desencadeante e agravante do quadro clínico.

Resultado positivo

Outro paciente, este de 15 anos, tem manchas de vitiligo desde os três anos de idade. Nessa época, a mãe vivia com uma pessoa que não era o pai do paciente. Era alcoólatra e tratava muito mal a ele e à mãe. O paciente tinha muito medo dele e vivia em constante sobressalto. As manchas de vitiligo expandiam-se continuamente, tendo atingido o dorso, membros superiores, rosto e pernas. Essa situação perdurou até dois anos atrás, quando a mãe separou-se dessa pessoa. A partir desse momento, o paciente sentiu-se aliviado, tornou-se alegre e comunicativo e as manchas, que aumentavam, estabilizaram-se e entraram em processo de repigmentação.

Diante dessa melhora, como costuma acontecer, o paciente relaxou o tratamento e suspendeu a medicação. Há mais de um ano, não faz tratamento; não obstante, as manchas continuam a regredir, estando já com algumas manchas cem por cento recuperadas e outras com 90% de repigmentação, a caminho da cura.

A concomitância da instalação das manchas e do início da cura com dois momentos emocionais significativos, um com carga negativa e o outro com carga positiva, faz-nos crer que eles efetivamente têm relação com os fatos físicos, o que coincide com relatos de inúmeros pacientes. Ressalte-se que é incomum que o vitiligo regrida espontaneamente. Só temos observado esse comportamento da dermatose em pacientes nos quais se identifica algum estado emocional relacionado com as manchas.

Desfechos opostos

Por trás da doença desses pacientes, que era a mesma em ambos, havia emoções intensas, provocadas por eventos de grande impacto na vida de qualquer pessoa, como a perda de um familiar e a convivência com familiar incômodo do qual não é possível afastar-se. O desfecho oposto dos fatos levou a emoções diferentes e ao agravamento do quadro num paciente e ao melhoramento no outro.

Assim como esses casos, talvez a relação com emoções no desencadeamento de doenças seja muito maior do que a medicina considera. Embora os instrumentos de medição atuais ainda não consigam demonstrar isso fisicamente, os fatos observáveis fornecem fortes indícios de que algum nexo existe, em muitos casos, entre a emoção e a doença.

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