Vítimas de estupro não buscam ajuda a tempo de realizar contracepção

Vítimas de estupro não buscam ajuda a tempo de realizar contracepção

Atualizado: Quarta-feira, 22 Dezembro de 2010 as 8:42

De acordo com um estudo realizado no hospital estadual Pérola Byington, da Secretaria de Estado da Saúde, a maioria das mulheres que sofrem violência sexual não procuram o serviço de saúde a tempo de realizar a contracepção.

Do total de mulheres atendidas no Hospital, 88,9% admitiram não ter procurado orientações durante os cinco dias decorrentes da violência. No período, teria sido possível o uso da pílula do dia seguinte.

“O dado sinaliza que o trauma faz com que a primeira reação das mulheres ainda seja a reclusão. Só depois, quando percebem a gravidez, é que elas passam a tomar atitudes e enfrentam o problema”, afirma a psicóloga e mestre em Saúde Pública Daniela Pedroso, autora da pesquisa.

A situação é ainda mais alarmante quando o assunto é o aborto legal. Das 200 mulheres que tiveram o pedido negado pelo serviço de saúde, 39% estavam com idade gestacional avançada.

O levantamento revela o perfil das mulheres grávidas vítimas de abuso sexual no Estado de São Paulo e foi realizado com base em 936 pacientes atendidas na unidade ao longo dos últimos 15 anos pelo projeto Bem-Me-Quer, realizado pelas secretarias de Estado da Saúde e da Segurança Pública.

Agressor único e desconhecido

Em 61% dos casos estudados, o autor era desconhecido da vítima e em 92%, agiu sozinho. Entre os autores conhecidos, destaca-se um membro da comunidade em que a vítima reside, que corresponde a 5,2% dos casos. O ex-parceiro foi o autor da violência em 3,5% dos casos e o padrasto em 3,4%.

“Nos casos em que não houve aborto, em geral por demora na procura pelo atendimento, segundo apontou o estudo, os autores da violência eram conhecidos, em sua maioria. Isso denota que a carga emocional faz com que as vítimas demorem mais para procurar ajuda”, afirmou Daniela.

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