Você sabe o que é Síndrome do Bebê Sacudido?

Você sabe o que é Síndrome do Bebê Sacudido?

Atualizado: Quinta-feira, 10 Fevereiro de 2011 as 8:53

Pelo fato de a cabeça do bebê ser muito pesada em relação ao pescoço, a sacudida produz um movimento de aceleração-desaceleração na cabeça, levando a lesões cerebrais graves e até fatais. De acordo com o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (EUA, 2007), de 25% a 30% de crianças vítimas da SBS morrem e apenas 15% sobrevivem sem qualquer sequela.

Do ponto de vista neurológico, uma consequência possível é a ocorrência de sangramento subdural, havendo em ¾ dos casos hemorragia de retina. A hipertensão intracraniana e o sangramento cerebral podem provocar na criança letargia, vômitos, convulsões e até mesmo coma. Adicionalmente, é possível que o bebê apresente fraturas nas partes do corpo em que o adulto o segurou. Nos casos graves, a criança pode apresentar, em longo prazo, deficiências (cegueira, surdez, paralisia cerebral, etc.).

Trata-se de uma síndrome de difícil diagnóstico, uma vez que, geralmente, não há sinais externos de violência que expliquem a hemorragia cerebral ou da retina. O exame oftalmológico é fundamental para o diagnóstico, já que existem lesões quase características, segundo informa a Academia Americana de Oftalmologia. Cabe mencionar que a constelação de sinais encontrados na SBS não ocorre em consequência de quedas leves.

Como os profissionais de saúde, muitas vezes, desconhecem a SBS, eles deixam de investigar a possibilidade de histórico de violência (ou seja, as sacudidelas violentas do bebê) nos casos em que há hemorragia cerebral e de retina ou fraturas. Assim, a Academia Americana de Pediatria admite haver presunção de abuso físico sempre que um bebê com menos de 1 ano apresentar lesão intracraniana.

O que leva um adulto a sacudir um bebê? Além do desconhecimento da gravidade das sequelas, as pesquisas têm sido unânimes em apontar que a SBS ocorre, geralmente, em resposta ao choro prolongado do bebê, decorrente da frustração dos pais ou cuidadores que podem ficar tensos com o choro, ter pouca paciência ou mesmo pouca experiência em cuidar de crianças. As pesquisas também mostram que um bebê normalmente chora muito: em média de 2-3 horas por dia.

Já que a SBS causa problemas tão sérios e que seu diagnóstico é difícil, prevenir é a melhor solução. Há, principalmente na América do Norte, vários projetos de prevenção da SBS que procuram aumentar o conhecimento dos pais sobre o choro do bebê, ensinando-lhes a lidar de um modo adequado com as frustrações decorrentes do choro.

Um desses projetos consiste num vídeo com três minutos e meio desenvolvido na Austrália pelo Hospital da Criança de Westmead. De forma bem-humorada, o vídeo ilustra, em animação, um casal de pais tentando lidar com o filho que chora de forma inconsolável.

Desde 2009, o Laboratório de Análise e Prevenção da Violência (Laprev) da Universidade Federal de São Carlos, fez uma parceria com o Hospital da Criança de Westmead e juntamente com o Instituto Zero a Seis, o Centro de Estudos Integrados Infância Adolescência e Saúde (CEIIAS), e outras instituições, com o apoio da Polycom, traduziram e adaptaram o vídeo em três versões (espanhol e português do Brasil e de Portugal).

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