4º Salão do Turismo: A diversidade cultural contemplada num só lugar

4º Salão do Turismo: A diversidade cultural contemplada num só lugar

Atualizado: Terça-feira, 7 Julho de 2009 as 12

Por Felipe Pinheiro (www.guiame.com.br )

Em sua quarta edição, o Salão do Turismo potencializou a divulgação de destinos nacionais e em relação ao ano passado, o evento cresceu tanto em número de estandes - de 200 para 300 - quanto em público visitante. Em 2008, o número de participantes que foi à exposição no Pavilhão do Anhembi, em SP, foi de 87 mil; a  expectativa para 2009 é de 100 mil nos cinco dias (1 a 5 de julho), número ainda não contabilizado. De acordo com Maíra Chianca, assitente de vendas do Salão,"o Ministério do Turismo (MTur) tem feito fortes investimentos, tanto de campanha como de capacitação dos empreendimentos turísticos. Isso tem ajudado o turismo doméstico a se fortalecer". Estatísticas do MTur revelam que o segmento cresceu 76% em cinco anos no mesmo período, de 2000 a 2005.

Enquanto os visitantes apreciavam os temperos e sabores típicos dos 25 estados brasileiros, no Espaço Sabor, a atenção voltava-se ao Corpo de Baile da Companhia Jovem da Escola, do Teatro Bolshoi de Joinville (SC), o qual apresentou, em curtos períodos, um repertório com peças clássicas como "A Morte do Cisne"; "Dança Mercedes (II Ato do Balé Don Quixote)"; Pas de Deux, do conto natalino "O Quebra Nozes"; e "Gopak", balé folclórico ucraniano. "A gente considera importante essa integração das diversas culturas do nosso país. Como o formato da feira é instantâneo, não tem como fazer um ballet inteiro, também pelo espaço que requer um ballet clássico. Mas estar comendo e de repente deparar-se com um Ballet Bolshoi é algo inusitado", avaliou Henrique Beling, diretor-executivo da companhia originada em Moscou.  

Tour Gastronômico

Um dos principais atrativos e diferenciais dessa edição do Salão de Turismo, foi o espaço destinado à gastronomia nacional, que compreendeu um cardápio variado degustado pelo valor de R$ 20.  "Tivemos certa dificuldade em relação a alguns produtos que quisemos manter. Como, por exemplo, da região centro-oeste (semente de paru, da região nordeste (vinagreira) e da região norte (alguns peixes)", afirmou o chef Walter Karoki, um dos quatro coordenadores do Espaço Sabor, organizado pela Abrasel.

Entre os pratos mais procurados, Karoki destaca alguns como a peixada do centro-oeste, o sertão vai virar mar, o tradicional arroz carreteiro do sul e a mogica de tucunaré. "Como as pessoas estão fazendo um verdadeiro tour gastronômico, está tudo muito equilibrado. Mas notamos que pela curiosidade, há um movimento um pouco maior no nordeste e norte", afirma o chef.

Assim como na gastronomia, a circulação de público intensificou-se nos estandes do norte e nordeste. "Aqui é o retrato do que o Amazonas pode oferecer. Pesca esportiva, hotelaria de selva, observação de pássaros e turismo fluvial faz parte de uma série de atividades que o turista pode usufruir no nosso estado. O principal interesse das pessoas é saber como vivenciar a natureza e saber como preservamos 98% desse grande patrimônio", comentou ao Guia-me Oreni Braga, a presidenta da empresa estatal de turismo da Amazônia, a respeito de um dos maiores estandes do Salão do Turismo, que envolveu os sete estados da região norte. "Sempre trazemos um casal de índios do festival folclórico para que as pessoas possam tirar fotos e se identificar um pouco com as nossas tribos e raças da Amazônia", disse Oreni.

Vitrine Móvel

A fim de ressaltar a mostra de roteiros com destinos domésticos, o Salão do Turismo trouxe algumas características que tornaram o evento uma grande vitrine móvel. Casais regionais, escolas de samba e até mesmo uma jibóia chamaram a atenção dos visitantes. "Mostramos a importância de preservar a serpente no meio ambiente, pois são animais extremamente importantes para o equilíbrio no ecossistema. A gente trouxe a jibóia para divulgar a nossa cidade e para que as pessoas saibam que é um animal como qualquer outro", afirmou Henrique Naufal, do Projeto Jibóia de Bonito (MS), com a cobra no pescoço.

Num evento multifacetado, as regiões sudeste e sul não poderiam deixar de ser contempladas. Silvana Pujol, de Pomerone (SC), atraía cada vez mais observadores enquanto exercitava a arte de pintar em ovos na seção de artesanato. "A tradição é pintar a casca do ovo - de galinha, ganinzé, ganso, ema e avestruz. As pessoas querem levar essa tradição da nossa cidade, mas como se sentem inseguras em levar a casca, há algum tempo pintamos ovos de madeira. Eles duram muito mais e não precisam de tanto cuidado", comentou a artista plástica que aprendeu a prática, que chegou ao Brasil com os primeiros imigrantes alemães, aos três anos com a avó.  "Ela acordava às 2h da manhã e começava a pintar as vacas holandesas de rosa, amarelo e verde. No outro ano, se chovia muito, ela pintava os gatos. No seguinte, era a vez do os pombos. Ela dava um banho de anelina naquela bicharada. Era a coisa mais linda", relembra.

São Paulo no Salão

Entre duas companhias aéreas, o estande da SP-Turis aproveitou o evento para divulgar destinos culturais na cidade em que o principal turismo é o de negócios. "Queremos mudar um pouco esse foco. Recebemos muita gente que quer conhecer museus e a parte histórica de SP. Tentamos segmentar em outros roteiros até para a pessoa que vem a negócios poder conhecer lugares culturais", explicou Bernardo Ignarra, assessor da diretoria de lazer e do estande da SP-Turis, que não vê uma discrepância de público em relação a estandes que atendem pontos turísticos já consagrados no cenário nacional.  

Escrito por: Felipe Pinheiro

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