A Tailândia tem desde a massagem com pau de tamarindo até a com peixinhos

A Tailândia tem desde a massagem com pau de tamarindo até a com peixinhos

Atualizado: Quinta-feira, 4 Novembro de 2010 as 1:57

Aqui vai um clichê: a Tailândia é o país das massagens. Mas eu só me dei conta disso quando estava lá, in loco. A quantidade de casas de massagem e spas nas cidades é inacreditável: todos os hotéis, todos os shoppings, todo mercado e toda esquina têm um lugarzinho para se fazer massagem, do mais simples ao mais suntuoso. Nos pontos de mototáxi, os motoristas fazem massagem uns nos outros; nas calçadas, volta e meia se esbarra com alguém massageando a perna de um amigo; nos centros comerciais não faltam lojas com produtos para massagem, como cremes, óleos, CDs, velas... É normal na Tailândia, principalmente em Bangcoc.

A mais comum de se achar é a foot massage, que, na verdade, é uma massagem que vai além dos pés e chega acima do joelho. Nas feiras, as foot massages são feitas em salinhas repletas de poltronas confortáveis, como se fosse um salão de pedicures. O tempo varia de 30 minutos a duas horas. As mais populares têm toalhas verdes encardidas, por isso eu fui numa mais arrumadinha, no Ruen-Nuad Massage Studio, no bairro de Sathorn, em Bangcoc. Em vez de ficar sentada, me deitei. Basicamente, a técnica consiste em massagear o músculo como se fosse jogador de futebol, passar uma pomada refrescante como Gelol, e daí a massagista pega um bastão de madeira e lixa o pé, entre os dedos, na sola, serviço completo. Fiquei uma hora. No fim, parecia que a perna não fazia parte do meu corpo. Paguei o equivalente a R$ 20.

Estilo Thai: ioga passiva

Tão comum quanto a foot massage é a Thai Massage, afinal, estamos na Tailândia. No Templo do Buda Deitado (Wat Po), ao lado do Grand Palace, fica o centro que, dizem, mostrou ao mundo pela primeira vez a Thai Massage, e até hoje é possível fazer cursinho de massagem express, o que atrai gente do mundo todo. Para os gringos, os tailandeses explicam que a Thai Massage é uma "ioga passiva" ou um "alongamento passivo", o que é mais ou menos verdade. Fiz duas massagens Thai, uma num lugar onde o tailandês médio vai, e outra no spa do Mandarin Oriental de Bangcoc, frequentado pelos farang (como o tailandês chama o turista ocidental rico).

O spa do Mandarin fica à beira do rio. Para chegar lá é preciso atravessar o Chao Praya, o que já dá um charme. A estrutura é impecável: cada sala de massagem tem tatame (as massagens Thai são feitas em tatames em vez de macas), roupão, chinelo, elástico para cabelo, calcinha descartável, escova de dente, desodorante, balança, água para beber, cofre... É praticamente uma suíte de hotel cinco estrelas. Ali na verdade fiz um mix de Thai com aromaterapia, o que significa passar óleo essencial na sua pele. Fiquei 1h50m sendo massageada. Preço: R$ 250. O ponto forte da minha massagista era a cabeça. Ela adorou apertar a minha - senti que depois fiquei até mais inteligente de tanto que ela estimulou a região. No Mandarin Oriental de Chiang Mai, cidade no norte da Tailândia, havia um tipo ligeiramente diferente, a Lanna Massage, característica daquela região, em que a massagista passa óleo de tamarindo e depois fica martelando suas costas com um bastão grosso de madeira da árvore de tamarindo. Um luxo.

A Thai classe média que fiz foi um capítulo à parte: lavei os pés (ritual clássico em qualquer massagem), entrei na sala, pus o pijaminha (em algumas casas de massagem eles costumam emprestar um pijaminha com corte oriental que é um charme), deitei no tatame e fiquei esperando a massagista. Dali a pouco chegou uma baixinha enfezada, parecida com a Cássia Eller, com máscara na boca (o que achei bom, para não ficar respirando em cima do cliente, como costuma acontecer). Perguntou se eu queria forte, leve ou moderada e eu disse forte, claro. Ela partiu com tudo para cima da minha virilha. Tenho tido pesadelos com aquele polegar apertando a minha virilha, mas a verdade é que a massagem foi a melhor de todas. Eu saí totalmente relaxada, foram duas horas de pura Thai Massage, e foi massagem o tempo todo, sem aquela velha tática de deixar o cliente dormindo e contar como tempo de tratamento. O mais inacreditável foi que paguei uns R$ 30 por isso.

Para quem faz SMS

Acabei fazendo mais uma Thai Massage, desta vez com massagistas cegos. Vi um anúncio no mapa do BTS, o metrô de superfície da cidade, que anunciava: "Eles podem não enxergar, mas suas mãos são mágicas!" Não tive dúvida, massagem com cegos? Vou lá. Cheguei no endereço e o estabelecimento era bem simples, do gênero povão. Na parede, um quadro com as fotos dos profissionais, uns três ceguinhos, todos de óculos escuros. Escolhi um profissional e o cumprimentei: a primeira coisa que notei foi que, de fato, a mão do meu ceguinho era macia demais, nunca senti mãos tão delicadas. Depois fui para o quartinho, pus o pijama e esperei. Confesso que achei tudo meio pesado no fim: o quarto parecia leito de hospital, e não havia música, porque os cegos tinham que escutar o movimento do salão. Uma secretária ficava avisando ao cego, por rádio, quanto tempo faltava de massagem, ou em que parte do corpo ele deveria estar. Foi uma experiência pela qual paguei míseros R$ 10.

Depois dessa, fiquei satisfeita e dispensei a Fish Massage, aquela que um cardume ataca a sua batata da perna, e a BlackBerry Massage, em Chiang Mai, para relaxar o braço de quem tem mania de ficar mandando SMS (mensagens de texto pelo celular) e BBMs (exclusivo para BlackBerry) para os amigos. Mas que vale a pena fazer massagem na Tailândia, isso vale. Palavra de quem já fez muita massagem por aí.

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