Alexandria, no Egito: uma das poucas cidades do mundo árabe onde a mistura entre o oriente e ocidente é bem acentuada

Alexandria, no Egito: uma das poucas cidades do mundo árabe onde a mistura entre o oriente e ocidente é bem acentuada

Atualizado: Terça-feira, 12 Janeiro de 2010 as 12

Localizada bem ao norte do Egito, Alexandria carrega história desde seu nome: foi fundada por Alexandre, o Grande, no século IV a.C. Aqui esteve uma das Sete Maravilhas do mundo antigo, o famoso Farol de Alexandria, e foi sede de uma das maiores bibliotecas da Antiguidade. Segunda maior cidade do Egito, com cerca de 4,1 milhões de habitantes ao longo de mais de 20 quilômetros de orla, é um destino absolutamente fora do comum. Nas suas ruas, muitos vestígios da Antiguidade, como castelos, museus e monumentos falam dos encontros e desencontros de civilizações que a cidade testemunhou. A culinária é reflexo do misto de influências ocidentais e do oriente que marcam a história desta cidade excepcional.

É indispensável a visita a edifícios históricos, como o museu Greco-Romano, na Rua Mathaf al Romani, com os cerca de 40 mil itens do acervo que datam o século III a.C. O palácio Al-Montazah, que já serviu como residência real, destaca-se pelos seus mais de 370 jardins e vista para uma praia com seus iates. Mas nada é tão marcante quanto o anfiteatro romano, em pleno centro da cidade, no antigo bairro de Kom al Dekka. E não podem faltar as mesquitas, entre elas a de Abu al-Abbas al-Mursi, a maior de Alexandria, construída por volta de 1775 pelos mouros argelinos, de cor clara e conservação impecável. Mas talvez a visita mais interessante seja a do Forte Qaitbey. Datado de 1480 d.C., foi feito com pedras reaproveitadas do Farol de Alexandria, uma das Sete Maravilhas da Antiguidade.

Pompey's Pillar, na rua Amod el Sawary, recebeu este nome de uma grande coluna de granito vermelho com mais de 30 metros de altura por 9 metros de largura. Ficava no grande templo dedicado a Serapis e hoje está ladeado por um par de esfinges de Heliopolis. Em seu subsolo, encontram-se catacumbas. E por falar nelas, Kom el Shaqafa, na rua Tawfikeya, guarda algumas que estão 35 metros abaixo do nível do solo e são alcançadas por uma escada em formato espiral. O complexo funerário foi descoberto em 1900, acidentalmente, quando um funcionário que trabalhava no local caiu no buraco. Além das escoriações, ele levou os louros da descoberta dos tesouros.

Outro sítio importante é o de Kom el Dikka, na rua Ismail Mehanna, que mais se parecia a uma "colina de cascalho" até a sua escavação nos anos 60. Após a construção de um novo edifício para proteger os mosaicos (e da retirada de 10 mil metros cúbicos de terra), Kom el Dikka guarda ruínas romanas, com colunas e um anfiteatro para 600 pessoas. Neste bairro, que pode ser acessado desde a estação Misr, pode-se observar outras obras da arquitetura romana do local. O Royal Jewelry Museum, na Ahmed Yehia Pasha, é onde estão relíquias do passado que pertenceram à família real do país, entre coleções de jóias em instrumentos de diamantes, relógios, miniaturas e medalhas.

A atual Biblioteca de Alexandria foi construída em homenagem à Grande Biblioteca, uma das maiores da Antiguidade, fundada no século III a.C. e destruída por um incêndio que a tradição atribui a um erro do imperador Júlio César . Inaugurada frente ao mar em 2002, a biblioteca é hoje a maior do mundo.

Alexandria é bem abastecida também em culinária. Os restaurantes mais conhecidos servem especialidades árabes. Comida mediterrânea e frutos do mar são servidos por casas em toda a cidade. Pode-se degustar de um saboroso shawarma (sanduíche árabe) a um kushari, o prato egípcio mais consumido, que é uma mistura de macarrão, arroz, lentilha, cebola torrada, molho de tomate e caldo de limão com alho. No Cap D'Or, bar em que as paredes são todas decoradas com antigas campanhas de publicidade, peça uma cerveja e prove nishouga, um pequeno peixe servido como aperitivo. O El-Yunani, na Sharia Memphis, em Sidi Gaber, é uma taverna grega que tem paredes azuis cobertas de cartões-postais. É um point popular entre moradores e turistas, servindo boa comida e ótimos drinques. Existe ainda o Karma, que está na rua Bab Sidra, restaurante que, a partir das 23h, transforma-se em um sofisticado clube noturno.

Não se volta de Alexandria sem fazer as tradicionais compras nos mercados de rua. Os principais ficam nas ruas Attarine e Fransa, onde o turista encontra ruelas lotadas de lojinhas que vendem absolutamente de tudo - de botões e tecidos até peixes e verduras. O mercado de peixes funciona todos os dias e oferece um ar de pitoresquismo único, mas exige chegar bem cedo. Por roupas e lençóis egípcios, vá até Mahattat el-Raml. Mas por coisas para casa, então Mancheya e Mostafa Kamel são mais atrativas.

Para hospedar-se, uma dica: o hotel Cecil, que fica na Midan Saad Zaghloul, na Midan Ramla Area. É uma instituição de Alexandria e um memorial para a belle époque da cidade: o escritor Somerset Maugham e Winston Churchill eram habituês. O serviço secreto britânico funcionava em uma suíte no primeiro andar.

Agência Andrés Bruzzone Comunicação

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