Algarve, em Portugal, usa turismo para conter "desertificação" de região portuguesa

Algarve, em Portugal, usa turismo para conter "desertificação" de região portuguesa

Atualizado: Quarta-feira, 5 Agosto de 2009 as 12

Licores de figo, observação de pássaros, cultivo de ervas aromáticas, passeios de burro ou percursos pela serra são algumas das propostas do interior da província portuguesa do Algarve, no sul do país, para "roubar" turistas do litoral e inverter a desertificação do território, num projeto denominado "Algarve Sustentável".

"O projeto é uma estratégia de eficiência coletiva que inclui o desenvolvimento do ecoturismo, turismo de natureza e local ligados por um fio condutor que é a via Algarviana", resumiu Artur Gregório, membro da associação de desenvolvimento local In Loco, uma das promotoras do projeto em parceria com os ambientalistas da Almargem.

A via Algarviana é o maior percurso pedestre de Portugal, unindo o Sotavento e Barlavento. A que a ideia vem dar "músculo turístico" em vários pontos da região, procurando uma "forma sustentável de descobrir os recursos endógenos", diz Gregório.

O projeto está orçado em 93,6 milhões de euros e conta com o apoio do Provere (Programa de Valorização Econômica de Recursos Endógenos). Ele integra uma série de ações turísticas no interior da província, muitos deles em parceria com investidores privados.

A articulação dos projetos de desenvolvimento local, segundo os responsáveis, vai permitir melhor comercialização e promoção integrada, uma solução para a qual também contribui o "rejuvenescimento dos promotores" --empresários que estão mais empreendedores e apresentam ideias mais novas, que fogem à lógica tradicional da região.

Segundo Gregório, muitos deles são "neorrurais", gente que veio de fora e filhos da terra que voltaram dos grandes centros, urbanos e que querem investir num território que, embora esteja a 10, 20 quilômetros do litoral, "está com um nível de envelhecimento tremendo".

É o imenso interior algarvio esvaziado de capital humano que o "Algarve Sustentável" quer combater.

Cortiça

Uma rota turística inovadora que mostra o percurso da cortiça desde as cascas dos sobreiros à produção das garrafas é a nova proposta de São Brás de Alportel para levar turistas ao litoral da província do Algarve, no sul do país.

O projeto está sendo desenvolvido pelo Museu do Trajo de São Brás de Alportel e é uma das ideias do projeto "Algarve Sustentável".

"Nós temos vivido nesse dilema de haver um Algarve desenvolvido onde há emprego e corre o dinheiro, muito sazonal, e um Algarve que está sempre na margem", afirmou Emanuel Sancho, diretor do museu. Para ele, a nova Rota da Cortiça constitui "um produto turístico-cultural".

Os grupos de visitantes terão guias próprios e passarão por vários espaços, de plantações a fábricas passando por atividades mais artesanais. Contudo, sempre se tem em comum a cortiça, um produto que é também o símbolo da região, graças ao microclima local que faz dele o habitat dos sobreiros.

"Aqui em são Brás de Alportel estão reunidos todos os ingredientes: temos 150 anos de história ligados à cortiça", considera Sancho. "São gerações atrás de gerações que têm trabalhado no setor. Há ainda dez fábricas em funcionamento, algumas com alta tecnologia."

Postado por: Felipe Pinheiro

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