Alugue sua ilha privativa

Alugue sua ilha privativa

Atualizado: Quarta-feira, 17 Fevereiro de 2010 as 12

No title Em agosto, Debra Dawson e seu namorado, Joe Sinagoga, passaram férias em Jonathan Island, um pedaço de terra de 12 mil m2 na costa do estado americano de Rhode Island. Certa noite, a lancha que usavam quebrou e eles não tiveram como ir ao continente para jantar. Um problema? Não mesmo.

Para Debra, moradora de Manhattan que se descreve como "uma garota urbana", o imprevisto acabou sendo uma das noites mais românticas de sua vida. Ela passou o resto do dia pegando mexilhões presos nas bóias da doca, buscando mariscos na praia, colhendo tomates e pimentões no jardim para fazer uma paella. Mais importante: o casal tinha a ilha inteira para si, pagando razoáveis 3.250 dólares, além de outros 500 pelo uso do barco.

Bill Huggins, proprietário da Jonathan Island, não tem o perfil dos tradicionais donos de terras. Ele e a esposa compraram o terreno em 1998 por ser perto de casa e ao mesmo tempo passar a deliciosa impressão de isolamento. "No começo, minha mulher não tinha interesse algum", diz Huggins. "Um dia, eu a levei para lá e ela disse: ‘Meu Deus, este lugar é maravilhoso. Por favor, compre esta ilha para mim’."

Agora, Huggins e outros proprietários estão dividindo suas joias com os turistas, tornando o aluguel de ilhas privadas acessível mesmo para quem tem um orçamento de férias mais curto. Ficar na Jonathan Island, por exemplo, custa 375 dólares por noite. Já a Melody Key, ilha na Florida do vocalista da banda 311, Nick Hexum, cobra uma diária de 1.400 dólares para a hospedagem de até 6 pessoas.

Ainda existem, claro, ilhas luxuosas disponíveis, como a Necker Island, do magnata Richard Branson, cuja diária não sai por menos de 36 mil dólares.

"Cada ilha é diferente", explica Chris Krolow, presidente da Private Islands Inc., uma corretora de imóveis especializada na compra e venda de ilhas. "Nós temos algumas opções que estão literalmente no meio do nada, para onde você deve levar sua própria comida, e outras mais luxuosas, com sete empregados por pessoa", diz, se referindo a um pacote nas Ilhas Maldivas.

Vantagens para (quase) todos

A tendência de aluguel de ilhas parece ter surgido graças à recessão. Em tempos de economia instável, os proprietários não querem arcar com os gastos de manutenção sozinhos. "Ter uma ilha é um hobby caro", diz Huggins, que começou a alugar a Jonathan Island em 2007, quando seu trabalho como corretor começou a ir mal.

Os donos das ilhas se contentam com o fato de só pagar as contas. "A ideia não é lucrar", diz Farhad Vladi, fundador da imobiliária Vladi Private Islands e dono da Forsyth Island. "O objetivo é cobrir as despesas e manter as coisas como estão."

Para o inquilino, as ilhas oferecem o mais valioso dos mimos: privacidade. Durante as poucas semanas que pode ir a Melody Key com a família, Hexum pesca o que vai comer no jantar e compõe músicas ao ar livre – duas coisas difíceis de se fazer em Los Angeles, onde mora. "Tem sido ótimo para aliviar a cabeça completamente", diz. "Ficar em uma ilha é completamente diferente do que estar em LA."

Alugar uma ilha também é uma alternativa aos típicos resorts e seus muitos hóspedes. "Acho que estamos cansados dos hotéis tradicionais", diz Ron Kilius, proprietário de uma empresa médica em Toronto, que viajou neste ano para Royal Belize, uma ilha com três casas que começou a ser alugada em 2009.

Casar em uma ilha privada também se tornou popular entre noivos com poucos convidados. Molly e Kurt Pitts casaram-se em novembro em Melody Key com um número limitado de testemunhas. "Nós queríamos algo pequeno e amamos o mar", conta Molly. Depois da cerimônia, o casal permaneceu na ilha por mais uma semana. "Foi tudo muito calmo, sem ninguém para incomodar", diz.

Mas ilhas privadas não são para qualquer um. Quem busca museus, baladas ou farmácias 24 horas deve investir em outro tipo de viagem. Debra Dawson admite que ficar presa na ilha poderia ter sido um pesadelo. Mas ressaltou: "você está mentalmente preparado para achar uma forma de aproveitar a situação."

Como disse Dawson, o melhor é preparar-se mentalmente para a experiência, pois até mesmo os mais reclusos podem achar o isolamento um pouco demais. "O tempo em uma ilha é bem diferente do que no continente", diz Krolow, da Private Islands Inc. "Dois ou três dias podem parecer como uma semana." Por isso, Krolow recomenda que os viajantes limitem sua primeira aventura a poucos dias e passem o resto das férias em um resort.

Mas a solidão está nos olhos de quem vê. Jim Arthur, produtor de roupas esportivas, vai começar a alugar o cantinho que possui com sua mulher na Polinésia Francesa a partir de 2010 com o objetivo de conhecer novas pessoas. O casal pretende marcar presença na ilha se os hóspedes desejarem e espera estabelecer, em meio a toda quietude, um sentimento de comunidade. "Minha mulher e eu gostamos de viajar e conhecer novas pessoas e essa é uma forma de fazer isso."

Por Jonathan Vatner - NYT

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