Amã, capital da Jordânia, quebra todos os estereótipos com relação ao Oriente Médio

Amã, capital da Jordânia, quebra todos os estereótipos com relação ao Oriente Médio

Atualizado: Terça-feira, 14 Setembro de 2010 as 11:31

Quando se observa o mapa do Oriente Médio, pode até bater um certo receio em organizar uma viagem à Jordânia. O pequeno país está bem no meio de uma zona extremamente conflitiva, cercada por Iraque, Israel e territórios palestinos, Síria e Arábia Saudita. Mas basta colocar os pés na capital, Amã, para descobrir que, sim, é possível haver um ponto de equilíbrio, sensatez e paz neste território dominado pelo radicalismo político e religioso. Ao circular pelas ruas, conversar com os moradores, os estereótipos do Oriente Médio caem por terra e o viajante passa a desfrutar, sem medo, de uma capital marcada pelo forte contraste entre a Amã cosmopolita, de bares e restaurantes descolados, e a Amã histórica e de tradições beduínas.

A primeira cena que chama a atenção de quem chega à capital é ver a foto do rei Abdullah 2º estampada em todos os cantos. Em pôsteres gigantes que cobrem edifícios, em outdoors, no letreiro de lojas, em quadros nos restaurantes. Depois de um dia, o rei já parece ser um velho conhecido. Os jordanianos têm profunda adoração pela família real. Isso se deve, em parte, a questões culturais provenientes de um tempo em que o respeito pelos mais velhos e pelos governantes das tribos do deserto era um valor essencial ao povo. Mas a adoração deriva, principalmente, do reconhecimento que o povo dá às transformações positivas que o rei Abdullah 2º e seu pai, o rei Hussein, falecido em fevereiro de 1999, trouxeram para o país, melhorando a vida dos cidadãos e transformando-o em um ponto tranquilidade entre países em disputa.

Um dos passeios mais interessantes em Amã é simplesmente circular ao léu pelo centro da cidade. Dezenas de lojinhas enfileiram-se pelas ruelas e avenidas, numa poluição visual que acaba sendo divertida. Elas vendem de tudo, mas para os ocidentais o que chama mais a atenção são as roupas e acessórios típicos. Lenços de todos os modelos, cores e tecidos adornam dezenas de cabeças de manequins. Os kofias, lenços que se transformaram em hit fashion com o nome de "palestinos", balançam às dezenas em cabides no meio da calçada. Os jelbabs e deshdashs, as roupas típicas de mulheres e homens, respectivamente, são encontrados aos borbotões. No Beco do Ouro, jóias e adereços são a perdição das mulheres. É impossível ir ao centro e voltar de mãos vazias. E como reza a tradição no mundo árabe: vale pechinchar sempre, e muito.

Também é no centro antigo onde estão localizadas as principais atrações históricas de Amã, como o Teatro Romano, do século 2, que foi reformado em 1987 e preserva quase intacta sua estrutura original. De lá se pode avistar, no alto do monte Jebel al-Qala'a, o mais alto da capital, as colunas do Templo de Hércules e a Cidadela, com as ruínas de palácios e muralhas que contam a história dos povos que passaram por Amã. Vale a estafante caminhada morro acima para chegar ao mirante do sítio histórico e constatar porque a capital era conhecida como "a cidade branca". A grande maioria das casas e edifícios é feita com a pedra caliza, que sob o sol cria um espetáculo de brancura. Para o passeio ser ainda mais intenso, planeje-o para o fim de tarde, com o sol deixando a cidade dourada e as preces ecoando dos alto-falantes de todas as mesquitas e dominando a capital em uníssono.

Apesar dos atrativos históricos e culturais, talvez a maior atração da Jordânia seja o seu povo. No país, a expressão de boas vindas corriqueira no mundo árabe, Ahlan wa sahlan, que significa algo como "sinta-se cômodo, como se estivesse em família", parece ser levada ao pé da letra. Os moradores são receptivos, hospitaleiros, e não demora muito para tratarem o visitante como um familiar. Nas ruas de Amã, mesmo que não entendam uma palavra que você diz, vão tentar ajudá-lo, sempre com um sorriso no rosto. E não se espante se, ao pedir uma informação, for levado pelo braço até o local procurado. Isso, de certa forma, ameniza a dificuldade de se localizar pela capital, onde ruas podem ter nomes distintos e endereços oficiais de hotéis e restaurantes muitas vezes indicam apenas o nome da avenida, sem o número. Por isso, o táxi é o melhor amigo do viajante em Amã - se bem que, depois de alguns minutos, o taxista também pode se tornar um.

Cuidados que as mulheres devem ter

As turistas mulheres não vão ter muito problema em Amã - e no resto do país - com relação a vestuário. Apesar de ter imensa maioria de população muçulmana, em geral eles não são fundamentalistas. O uso do hiyab (véu) é opcional e poucas usam, e a burca é um artigo quase em extinção - senão já extinto. Algumas jordanianas cobrem a cabeça com lenços, mas não é raro ver nas ruas grupos de mulheres nos quais algumas estão usando e as outras não. Praticamente todas usam roupas ocidentais, então vale o vestuário padrão. Mas é bom evitar os excessos, claro, porque as turistas, mesmo que respeitadas, não deixam de ser um atrativo para os homens locais, que olham sem constrangimento algum. Melhor guardar as roupas um pouco mais ousadas para cair na balada nos bares, boates e restaurantes descolados que se concentram principalmente nas zonas de Jebel Amman, Abdoun e Shmeisani e são um verdadeiro contraponto ao caos e simplicidade do centro.

Nos últimos anos, Amã vem aprimorando suas opções de turismo para deixar de ser apenas uma escala para as principais atrações turísticas da Jordânia: Jerash, a 50 quilômetros da capital, e a imperdível Petra, ao sul, recentemente considerada uma das Sete Novas Maravilhas do mundo. E seria mesmo uma pena passar por ali e não conhecer a fundo esta capital que está quebrando paradigmas no Oriente Médio.

INFORMAÇÕES E SERVIÇO

Site do país - www.jordan.gov.jo

Site da cidade - www.ammancity.gov.jo/english

Site de turismo do país - www.visitjordan.com

Embaixada brasileira na cidade - Iskandaronah Street, 17, Abdoun, tel. 962 (6) 592-3941

Idioma - Árabe

Fuso horário - 5 horas a mais em relação a Brasília

DDI - 962

Código de acesso da cidade - 6

Telefone de emergência - 191 (polícia)

Informações turísticas - O Ministério de Turismo e Antiguidades tem um posto de informações e queixas no bairro Jebel Amman, Al-Mutanabbi Street, térreo, tel. 962 (6) 464-2322. Diariamente, das 8h às 21h. Para emergências, a polícia turística tem um posto junto ao escritório do Ministério e também na Hashemi Street, perto do Teatro Romano. Conta ainda com um serviço gratuito de atendimento telefônico ao turista, o Halla Line. É possível ligar de qualquer telefone fixo ou público para o número 0800-22-228.

Moeda - Dinar jordaniano

Valor de troca - 1 dinar jordaniano = US$ 1,41 = R$ 3,00

Câmbio - É fácil encontrar casas de câmbio em Amã, principalmente na região do centro (Il-balad). Euros e dólares podem ser facilmente trocados e não há grande variação de cotação entre as casas. No aeroporto internacional Queen Alia, tel. 962 (6) 445-200, www.qaia.gov.jo há dois guichês de câmbio ao lado da fila para carimbar o passaporte. Vale trocar um pouco ali para os primeiros gastos e para o táxi. No centro da capital estão os principais bancos e alguns têm serviço de câmbio. Na região, também é onde se concentram mais caixas automáticos, para quem prefere sacar dinheiro com cartão internacional.

Gorjetas - É esperado que se dê gorjeta para qualquer serviço prestado. Nos restaurantes, é praxe dar o valor correspondente a 10% o valor consumido. No hotel, 1 a 3 dinares jordanianos já está de bom tamanho para camareiros e carregadores, por exemplo.

Telefone - A maneira mais barata de ligar para o Brasil ou mesmo para dentro da Jordânia é utilizar as agências telefônicas, que cobram por minuto. Elas se concentram principalmente no centro da cidade. Uma opção prática é comprar cartões telefônicos que podem ser usados nos orelhões. Eles são vendidos nas lojas próximas aos telefones públicos, bancas de jornal e até mesmo em quiosques de comida. Quem não fica sem celular, pode comprar um chip. Se pode encontrá-los em diversas lojinhas do centro, não apenas nas especializadas em telefonia ou eletrônicos.

Internet - Não é difícil encontrar lan houses e cybercafés em Amã, principalmente no centro e nas regiões mais turísticas, como o bairro de Jabel Amman. A maioria dos hotéis tem business centers, mas os preços são exorbitantes. Melhor usar só em caso de emergência.

Segurança - São raros os casos de roubos em Amã. Caso esqueça a carteira em algum lugar, por acaso, não é surpresa voltar lá minutos - ou horas - depois e encontrá-la intacta. No geral, é uma cidade com baixos níveis de violência. Depois dos atentados com bomba a três hotéis turísticos em 2005, os restaurantes mais chiques e os hotéis passaram a adotar a revista na entrada e, inclusive, alguns têm aparelhos de raios-X para bolsas e equipagens, além de detector de metais.

Voltagem e tomadas - 220V, com dois ou três pinos redondos

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