Antes moradora de país pobre,depois moradora de país rico - Coluna Madelayne Ramos

Antes moradora de país pobre,depois moradora de país rico - Coluna Madelayne Ramos

Atualizado: Terça-feira, 16 Dezembro de 2008 as 12

Minha humilde visão de mundo, típica de uma simples moradora do sertão nordestino, estatisticamente um dos lugares mais pobres do Brasil, resumia-se às páginas dos livros de história geral e geografia que precisava estudar na minha adolescência. Muitos eu nunca pude alcançar ou ter consciência de que existiam, mas pude aprender alguma coisa nas lições de casa. Eu tinha vergonha de dizer que não compreendia nada daquilo que ocorria em minha cidade e no meu país. Depois de adulta, comecei a viajar nas leituras e tentei me situar nos mapas e sonhar com as nações longínquas.

Aqui há um particular, no meio religioso dos neopetencostais, há um dom apostólico em evidência chamado profecia. Aos 28anos, vivi uma das fases mais difíceis da minha vida, e fui a uma reunião sem muita pretensão. Um missionário dirigiu-se a mim - aquela era a primeira vez que nos víamos - e bombardeou meu coração com a seguinte mensagem: “Você vai andar por terras muito distantes. Conhecerás muitas nações, o céu, o mar e os frutos estarão nos teus domínios. Hoje até tens uma fruta, mas falta apetite. Quando chegar este tempo, terás dinheiro para adquirir e também apetite. Desfrutarás destes frutos, e o Senhor teu Deus, a seu tempo, cumprirá esta promessa.”

Achei aquilo um tanto fanático, e apesar de conhecer, pela Bíblia Sagrada, as promessas para todos que crêem, eu enxergava aquilo como algo comum e ao mesmo tempo fi ctício. Havia uma realidade contrariamente brutal para o cumprimento daquilo tudo, a bem da verdade, eu desconhecia até o que era um passaporte, até então, nunca havia conseguido aprender uma frase sequer em inglês e dinheiro sempre foi “pé de cobra” , isto é, nunca aparecia. Como eu poderia alimentar esta idéia? Minha fé também não estava tão em alta.

Quinze anos depois, convivi em uma comunidade cuja língua oficial era o inglês, arranhava algumas outras línguas e os países já deixavam registrados em meu passaporte alguns carimbos, fazendo-o parecer uma nota de dinheiro, como diria meu avô. Fiz um curso para poder trabalhar a bordo de navios em alto mar, freqüentei escolas americanas e européias, ouvi palestras em faculdades e fiz turismo. Pude conhecer os frutos, as sementes, os vinhos, azeites, chocolates, perfumes e couros legítimos, o mundo da literatura, das artes, da música e da tecnologia avançada. Tudo isso proporcionou-me momentos de glória, e a possibilidade de ver uma civilização superior neste mundo afora.

Diante de tudo isso, falta-me somente descobrir como ajudar o meu povo, minha gente tão sofrida; e rogo ao Dono deste universo que me permita ser útil, mesmo que seja apenas para levar uma palavra, caso contrário, nada disso faz sentido.

Madalayne Ramos atua como educadora profissional nas áreas de turismo, comunicação e comércio. Cursou Teologia na Faculdade de Filosofia e Teologia de Alagoas; estudou na Winter Park Tech, em Orlando, Flórida (EUA) e na Escola de Turismo e Hotelaria de Lisboa, Portugal. Atualmente, vive em Brasília, onde trabalha no ramo de hotelaria.  Autora do livro "Braz il visto de fora", da editora Nobel.

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