Austrália congela amostras genéticas da Grande Barreira de Corais

Austrália congela amostras genéticas da Grande Barreira de Corais

Atualizado: Segunda-feira, 28 Novembro de 2011 as 10:37

Amostras genéticas de corais da chamada Grande Barreira de Corais, situada no nordeste da Austrália e declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1981, foram congeladas para garantir sua preservação, informa nesta segunda-feira (28) a imprensa local.

São células embrionárias e espermatozóides de duas espécies de corais que farão parte de um banco de amostras de animais em perigo criado no Zoológico de Taronga Western Plains na cidade de Dubbo.

A porta-voz do Instituto Australiano de Ciências Marinhas, Madeleine van Oppen, explicou nesta segunda-feira à emissora "ABC" que as células congeladas se mantêm vivas para que possam ser descongeladas no futuro e para que o sêmen possa ser utilizado na fertilização dos ovos.

"Esperamos que o desenvolvimento tecnológico ocorra de maneira que possamos fazer crescer novamente as colônias de corais a partir das células congeladas", destacou Van Oppen, que se mostrou confiante, no entanto, de que os recifes possam ser preservados e que estas amostras nunca precisem ser utilizadas.

Já a chefe dos programas de conservação e pesquisa do zoológico, Rebecca Spindler, disse que as ampolas contêm bilhões de sêmen de corais e células embrionárias, conservadas em nitrogênio líquido, capazes de produzir milhões de novos corais.

Essas amostras podem ser conservadas "por centenas de anos", comentou Spindler ao jornal "Sydney Morning Herald", ao ressaltar que elas representam "um seguro" contra as ameaças que põem em perigo as espécies, como o efeito estufa.

Spindler recolheu há duas semanas as amostras de duas espécies de corais comuns, a "Acropora millepora" e a "Acropora tenuis", junto à cientista americana Mary Hagedorn, especialista mundial em reprodução de corais in vitro do Instituto Smithsonian.

"Depois, vamos precisar perguntar aos especialistas australianos em corais sobre quais são as espécies mais importantes do país que devemos guardar", acrescentou.

A saúde da Grande Barreira de Corais - que abriga 400 tipos de coral, 1,5 mil espécies de peixes e 4 mil variedades de moluscos - começou a se deteriorar em 1990, quando se detectou a primeira queda de seu crescimento, de 0,3%, além de uma menor calcificação dos corais.

Segundo os estudos do Instituto Australiano de Ciências Marinhas, a queda do crescimento da superfície da Grande Barreira se deve ao impacto do aquecimento de água do mar e do aumento da acidez decorrente de uma maior presença de gás carbônico na atmosfera.

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