Bons restaurante em meio ao verde de Petrópolis e seus arredores

Bons restaurante em meio ao verde de Petrópolis e seus arredores

Atualizado: Segunda-feira, 1 Novembro de 2010 as 2:15

Sem trânsito, da Linha Vermelha até o alto da serra de Petrópolis o motorista não leva mais do que uma hora. É uma escapada perfeita para um fim de semana. O programa pode ser feito por casais, famílias ou grupos de amigos. Para fugir do engarrafamento de sexta-feira vale tentar sair do Rio um pouco mais cedo, até as 16h, ou mais tarde, depois das 20h30m. Na primeira noite na serra, o ideal é descansar da estrada e curtir o restaurante da pousada. E o que não falta em Petrópolis e arredores é pousada com bom restaurante. Tem a Locanda della Mimosa, o Parador Santarém Marina (agora também com cardápio de Danio Braga), a Tankamana, a Les Roches, o Solar do Império, a Fazenda das Videiras, o Solar Fazenda do Cedro, a Fazenda Quinta do Lago, a Tambos los Incas, a Alcobaça... Todas pousadas charmosas e com boa mesa.

O Museu Imperial tem um dos mais importantes acervos históricos do Brasil, e nos fins de semana está sempre cheio. Mas se você começar a manhã de sábado por lá, dá para evitar a multidão. A melhor hora para se visitar a antiga residência de serra dos monarcas brasileiros é logo quando as portas da mansão rosada se abrem, às 11h. Assim, com menos gente e quase nenhuma excursão, fica mais fácil apreciar a valiosa coleção que inclui móveis, obras de arte, instrumentos musicais, louças, fotografias e toda a sorte de objetos relacionados ao período do reinado dos Orleans e Bragança. No rico acervo merecem destaque móveis como os berços dos príncipes, um lindo baú chinês e o cetro e as duas coroas imperiais, uma delas sem as pedras preciosas, incrustadas na segunda.

Depois do museu, para abrir o apetite, basta caminhar um pouquinho, margeando o Rio Piabanha, até a Catedral de São Pedro de Alcântara, em estilo gótico. No interior estão os restos mortais de Dom Pedro II e Teresa Cristina e da Princesa Isabel e do Conde d'Eu. Vale reparar nos vitrais e no órgão imponente. Quem tiver tempo e disposição pode subir até o alto da torre, de onde se tem uma vista privilegiada da Avenida Koeler, ladeada por mansões como o Palácio Rio Negro, antiga residência de verão do presidente da República, muito frequentada por Getúlio Vargas.

Ainda no Centro histórico, na esquina da Avenida Koeler com a Praça Ruy Barbosa, também chamada Praça da liberdade, fica o Hotel Solar do Império, que revigorou a região ao abrir as portas há cerca de cinco anos. Ocupando um imenso terreno com duas antigas construções do século XIX, de 1875 e 1893, é a melhor pedida para um almoço no Centro de Petrópolis. Pratos de bacalhau e cordeiro estão entre as especialidades do cardápio que mescla influências brasileiras e portuguesas.

No próximo dia 6 acontece mais uma edição da série "Encontros com o sabor", um ciclo com várias atividades relacionadas a gastronomia. Desta vez o tema será o arroz. Haverá palestra da chef Mari Hirata, exposição de fotos de Sergio Pagano e workshops com jovens chefs. Além disso entra em cartaz um menu especial com receitas de arroz que vai até o fim do verão.

- O bolinho de arroz de coco com recheio de bobó de camarão e cobertura de macarrão de arroz frito foi inspirado na receita do bolinho de feijoada do Aconchego Carioca - conta a chef Claudia Mascarenhas, criadora do acepipe e responsável pelo cardápio do restaurante Leopoldina, que funciona no hotel.

Depois do almoço sem pressa, que pode terminar com um charuto nos jardins, vale continuar o tour histórico passeando até a Casa de Santos Dumont e o Palácio de Cristal.

Neste curto roteiro de fim de semana na serra reservamos a noite de sábado, como convém, para o "jantar de gala". Selecionamos cinco dos melhores restaurantes da região para você escolher um deles.

A Locanda della Mimosa continua imbatível em termos de alta gastronomia. O melhor restaurante da serra fluminense está também entre os melhores do Brasil. Ainda mais agora, que o chef Danio Braga acaba de voltar da Itália trazendo as trufas brancas de Alba.

Vamos fazer o nosso tradicional festival no fim de novembro, provavelmente entre os dias 25 e 28 - adianta o chef.

Outra cozinha de exceção é a comandada pelo chef Barão, com passagens por alguns dos restaurantes mais premiados do país, como a própria Locanda, o Olympe e o Le Pré Catelan.

- Minha cozinha é baseada em receitas com carnes de caça, sempre preparadas com ingredientes frescos. Até o fim do ano vou trazer para o Brasil algumas novidades, como o castor e o canguru - conta Alessandro Soares Vieira, o chef Barão, que trabalha em uma das cozinhas mais bonitas da serra, toda aberta para o salão, com temperinhos à mostra.

Ele não tem cardápio fixo em seu restaurante, e é importante fazer reserva.

- Sirvo menus de três a 14 pratos - diz o cozinheiro que revela talento no preparo de receitas com carnes como paca, javali, cordeiro, capivara, búfalo, avestruz, ganso, pato e coelho, entre outros bichos, "todos certificados pelo Ibama", como gosta de lembrar o chef.

Outro endereço que é garantia de felicidade à mesa é o Parador Valência, pilotado pelo chef Paquito, craque no preparo de receitas espanholas, com uma boa variedade de tapas e paellas, além de um famoso cochinillo segoviano que deve ser encomendado de véspera. Já para um jantar romântico, boa pedida é o restaurante Duetto, a melhor novidade gastronômica nos últimos tempos em Petrópolis. O cardápio tem inspiração italiana, com uma boa seleção de massas frescas e risotos.

Quem estiver hospedado em Araras, ou não se importar em fazer uma jornada de 30 quilômetros a partir de Itaipava, deve considerar um jantar na Fazenda das Videiras, uma pousada totalmente dedicada ao vinho, com cardápio centrado na cozinha clássica francesa e uma bela seleção de garrafas.

Domingo entre cavalos e escargots

Se a noite de sábado foi dedicada à alta gastronomia em ótimos restaurantes, no domingo a nossa proposta é um programa rural ou ecológico. Petrópolis apresenta alguns circuitos muito interessantes para um domingo na roça antes da volta para o caos urbano. Um dos passeios possíveis é percorrer de carro as estradas de terra do Circuito Caminhos do Brejal, com acesso a partir da localidade da Posse, que fica depois de Itaipava.

Este ano, em abril, aconteceu a primeira edição do Circuito de Gastronomia Rural do Brejal, que envolveu diversos desses produtores. Mas mesmo sem um programa organizado, que ficamos torcendo para que se repita em 2011, dá para visitar várias propriedades que produzem escargots e trutas, por exemplo. A Provence agrega um pouco de tudo: é pousada, restaurante e produtor de ervas finas, que são usadas no cardápio da casa e também na produção de conservas com mel, mostarda e outras. O restaurante que andou fechado voltou a funcionar nos fins de semana.

Na Escargots Invernada os caracóis criados ali mesmo podem ser comprados in natura ou já preparados à la bourguignonne, com manteiga de ervas e alho. Quem quiser ainda pode aprender a receita.

Também fazem sucesso com os turistas que visitam a região as Trutas do Firmeza, produzidas e preparadas no próprio local, na chamada "barraca", uma construção simples, aberta apenas nos fins de semana e feriados, onde são servidos petiscos preparados com o peixe. O pastel de truta, sozinho, já justifica a visita. Para os que estão com crianças o Clube de Pesca e Pousada Três Vales tem uma boa estrutura, com parquinho, trilhas e cachoeiras, além da atividade principal, lançar anzóis para fisgar um peixe.

Para os que gostam de andar a cavalo o melhor destino na manhã de domingo é o Vale do Cuiabá, onde está localizado o Haras Analu, que tem criação da raça campolina, boa para os que não têm experiência. O haras organiza passeios para até 12 pessoas com duração entre uma hora e meia e quatro horas. Crianças a partir dos 7 anos podem participar de trilhas moderadas.

Outra região petropolitana perfeita para se entregar aos prazeres da roça é o Vale das Videiras, com vários haras, sítios e fazendas abertas aos visitantes. É possível acompanhar a produção de mel, geleias, cogumelos e queijos. Em todos os casos, se você fizer questão de conhecer um produtor específico, o melhor é ligar antes e marcar.

Em Corrêas, o universo rural dá lugar ao ecoturismo e aos esportes radicais. Além de estar ali a sede petropolitana do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, abriga o Campo de Aventuras com diversas atividades com rapel, tirolesa e arvorismo. No lugar também é possível fazer cursos de escalada.

Trutas e cogumelos antes de voltar

Para quem vai pegar estrada de volta em direção ao Rio, a melhor parada para uma refeição de despedida das montanhas é no Rocio, já quase na boca da serra. Há pelo menos três bons endereços para aquele almoço tardio de domingo. Com o horário de verão em vigor é possível até se sentar à mesa só lá pelas 17h e ainda assim viajar com o dia claro de volta para casa.

Quem vai com crianças encontra nas Trutas do Rocio uma ótima pedida de programa vespertino. O restaurante funciona numa casinha rústica e charmosa, no meio da floresta e rodeada por alguns tanques cheios de truta, que vão direto para cozinha em um cardápio enxuto, mas com receitas diferentes do habitual, como o bolinho de aipim com truta defumada e o ceviche.

No Funghi d'Oro a proposta é semelhante. A especialidade principal do cardápio é cultivada no próprio sítio: são cogumelos os mais diversos, que aparecem até nas sobremesas, como uma mousse de chocolate com shitake. Ao entrar na casinha rústica do restaurante uma bancada de madeira exibe os tipos de funghi disponíveis no dia, ainda presos à madeira na qual eles crescem. Mas não há só receitas com os fungos. Tem creme de abóbora com carne-seca, lasanha de chouriço, ravióli de siri e camarão, costeleta de cordeiro com cuscuz marroquino... e mais umas 15 ou 20 receitas com os cogumelos.

E o Rocio, ainda um segredinho conhecido só pelos apreciadores da boa mesa que frequentam Petrópolis, ainda guarda pelo menos mais um bom endereço para encerrarmos a nossa escapada de fim de semana: o Quiosque é um pequeno restaurante no meio do verde serrano, com direito a barulhinho de água e muitos passarinhos a cantar. O cardápio, embora enxuto, consegue ser bem variado, com boa seleção de receitas de caças, como javali e pato.

Pousadas para gourmets, famílias e casais

Tão difícil quanto escolher um entre os bons restaurantes de Petrópolis é decidir em que pousada ficar. São muitas as (boas) possibilidades. Para os que apreciam o vinho e a boa gastronomia as melhores pedidas são a Fazenda das Videiras, em Araras, e a Locanda della Mimosa, no Vale Feliz, a um curto desvio da BR-040, que segue para Juiz de Fora.

Agora que o chef Danio Braga, da Locanda della Mimosa, assumiu o direção do restaurante do Parador Santarém Marina, em Itaipava, este também entra na lista, servindo pratos com DNA italiano. O hotel é dos melhores da região para pais e filhos, porque tem atrações para a petizada, como pescaria, minigolfe e brinquedoteca, mas sem perder um certo romantismo de pousada serrana.

O Bomtempo Raquete & Resort, ainda em Itaipava, também agrada adultos e crianças, especialmente adeptos do tênis. O Solar Fazenda do Cedro, em Pedro do Rio, e a Fazenda $do Lago, em Itaipava, são outras boas pedidas para as famílias que viajam com crianças, com ótima estrutura de lazer para os pequenos.

Para casais, a Tankamana, com seu conceito eco-rústico-chique, é a mais sedutora de todas, seguida de perto pela Les Roches, sua quase vizinha. Já a Tambo los Incas tem uma proposta diferente: é um pequeno museu dedicado ao Peru, com um restaurante de boa comida - o coelho é a especialidade - em uma das propriedades mais agradáveis da serra. Todas as três estão no Vale do Cuiabá.

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