Celas viram galerias no Uruguai

Celas viram galerias no Uruguai

Atualizado: Terça-feira, 2 Agosto de 2011 as 11:18

Neste ano de bicentenário, Montevidéu, a capital, adicionou novos museus e expandiu antigos na nova avaliação da arte e história do país.

A inclusão mais notável é o Espacio de Arte Contemporaneo (Arenal Grande 1930; 598-2-929-2066; www.eac.gub.uy ), inaugurado em julho de 2010 em um presídio de 1888 que ocupa o quarteirão inteiro da cidade entre os bairros Cordón e Aguada, uma área com sensação de pós-industrialismo e modestas casas de operários.

O planejamento do Ministério da Educação e Cultura iniciou em 2008, e o trabalho iniciou em 2009, com um auxílio de cerca de US$ 970 mil da Agência Espanhola de Cooperação Internacional. De acordo com Fernando Sicco, diretor do museu, “Na realidade, havia pouco tempo e pouca verba”.

Sicco disse que a cidade esperava que o museu, que em breve terá cinema, restaurante e espaços para artistas residentes, seria uma força de valorização da área. “Será mais que um impacto social e um desenvolvimento do bairro”, disse ele.

Do local da prisão, Sicco disse: “Queríamos mudar o significado de algo, brincar com a liberdade de criação e colocá-la na cadeia”. As celas permitem que os visitantes vejam a arte e as instalações modernas do Uruguai e da América Latina isoladas, mas o cenário da prisão não é para todos. “Pessoas com claustrofobia não passam bem aqui”, disse Sicco. Mas ele acrescenta: “No Uruguai, não há muitos locais históricos para renovar”. Em uma ala de três histórias, uma parede de vidro oferece uma vista para uma parte não renovada da prisão, onde espaços por muito tempo abandonados ainda estão cheios de entulho e tinta descascada das paredes.

Na Cidade Velha, próxima do porto de Montevidéu, o Museo Figari (Juan Carlos Gómez 1427; 598-2-915-7065; www.museofigari.gub.uy ) inaugurado em fevereiro de 2010 para abrigar as obras de arte de Pedro Figari (1861-1938), pintor modernista uruguaio que produziu mais de 4 mil quadros e outras peças de arte. (O Prêmio Figari de arte, financiado pelo Banco Central uruguaio, é em homenagem a ele.) Figari, advogado e político, “ficou famoso somente depois da terça parte de sua vida”, disse o diretor de comunicações do museu, Juan Carlos Ivanovich. Muitos de seus quadros estavam em cartolina, difíceis de restaurar e expor.

Figari, cuja arte reflete seu trabalho jurídico com o povo carente do Uruguai, costumava retratar afro-uruguaios e escravos, gaúchos e índios e os primeiros estágios da independência uruguaia. Apontando para 'Bailando’, quadro que retrata afro-uruguaios dançando, Ivanovich disse que Figari “gostava de mostrar as danças, as festas e os poucos momentos em que estavam felizes, em vez de mostrá-los trabalhando ou algemados. Era algo que a maioria das pessoas nunca via em Montevidéu”.

Ele também contrastava os pobres e sua própria classe rica. “Os retratos de negros têm movimento”, disse Ivanovich. “Os retratos de brancos mostram rigidez. Tudo é formal”.

A estrutura Belle Epoque de 1914 que abriga o Museo Figari tem apenas um andar aberto para exposições, enquanto dois andares superiores estão em reforma.

O Museo del Carnaval (Rambla 25 de Agosto de 1825, 218; 598-2-916-5493; museodelcarnaval.org), na margem da Ciudad Vieja, ampliado durante 2010, agregou uma galeria principal maior com exposições mais abrangentes que explicam a história do festival de Montevidéu e outras regiões do Uruguai.

O Museo Naval (Rambla Presidente Charles de Gaulle e Luis A. De Herrera; 598-2-622-1084), no bairro Pocitos com vista para o rio da Prata, reorganizou e ampliou suas exposições em 2009 e 2010, criando novos espaços para exposição temporária, segundo Hector Yori, diretor do museu. Ele acrescenta que o Museo Naval é um lembrete para os visitantes de que “o mar é o local de nascimento de Montevidéu”.

The New York Times News

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