Conheça as cores e sons da Amazônia peruana

Conheça as cores e sons da Amazônia peruana

Atualizado: Quarta-feira, 9 Dezembro de 2009 as 12

Quem desembarca em Pucallpa, uma das principais portas de entrada para a selva do Peru, tem a impressão de que desceu no lugar errado. O trânsito alucinado de mototáxis e o mercado informal nas ruas em nada lembram o principal atrativo da região: a Amazônia peruana.

Por sorte, essa é apenas a porta de entrada. O que vem pela frente, em um dos territórios mais verdes do planeta, é puro deleite para os olhos, os ouvidos e a alma. Essa é Ucayali, uma região com mais de 100 mil km² de pura Amazônia que fica encostada ao Acre, no vizinho Brasil.

A bela sequência de imagens começa em Yarinacocha, cidade às margens da lagoa de mesmo nome que segue alheia à desordem da vizinha Pucallpa. É nessa lagoa com 20 km de extensão, considerada o centro de uma rede hidrográfica que a conecta com rios importantes da região, que suas águas calmas ditam o ritmo dos próximos dias na selva.

O balanço da canoa de madeira, aparentemente frágil, chega a causar uma certa ansiedade nos forasteiros de primeira viagem pela região. Mas Dario, um jovem de origem shipibo de Nuevo Chicago, adverte: "Essa não vira nunca, é só ter concentração". Tentar concentrar-se sobre aquele pequeno meio de transporte é realmente um exercício complexo, mas a alma logo se aquieta quando a canoa entra pelos canais, lagoas e pequenas ilhas da região. Alucinante.

Se os olhos se enchem de lágrimas só de ver a paisagem natural que se abre a frente, o que dizer dos sons que vem da selva? Melhor não dizer nada mesmo. Apenas ouça-os.

O sol ainda nem pensa em dar as caras em Santa Clara, e as aves já começam a organizar a sinfonia amazônica que vai orientar a trilha sonora do resto do dia. Ao longe, ouvem-se os motores dos primeiros barcos que singram as águas do Yarinacocha com moradores das comunidades isoladas da Amazônia.

Santa Clara é uma comunidade indígena do grupo shipibo conibo que vive às margens do rio Ucayali, um afluente do rio Amazonas, e se mantém com os poucos recursos obtidos da pesca, da agricultura e das belas cerâmicas feitas por cuidadosas mãos femininas. Utimamente, os habitantes também acrescentaram o turismo vivencial às opções de renda. O visitante passa o dia entre os índios, conhece seu trabalho artesanal, visita suas casas simples sem móveis e prova iguarias locais. E se vão.

Mas a selva continua ali e, quando o sol começa a pintar os telhados das cabanas com tons de laranja mais escuro, os sons são substituídos pela música da noite. Agora é a vez do turno noturno de animais que assumem o comando da melodia seguinte. Vale até a participação especial de um macaco aranha incomodado com algum som fora de tom.

Por: Eduardo Vessoni

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