Conheça Galápagos

Conheça Galápagos

Atualizado: Quinta-feira, 18 Agosto de 2011 as 9:08

  “Fiquem de olhos abertos, podemos avistar golfinhos", alerta o guia do iate Sea Finch à medida que a embarcação se aproxima da Ilha Bartolomé, uma das que formam o Arquipélago de Galápagos, pertencente ao Equador. Ele nem bem termina de falar e os animais aparecem à proa da embarcação dando saltos no ar.

Minutos depois, o barco lança âncora próximo à praia da ilha, onde é possível ver os lobos-marinhos deitados na areia e  os pinguins tomando sol nas pedras dos costões. Dali, todos são embarcados num pequeno bote inflável, munidos de máscaras, snorkel e nadadeiras, para realizar um mergulho de superfície naquele mar estupendamente azul. O guia é o primeiro a cair na água, seguido pelos outros ocupantes do bote. Com a ajuda de coletes salva-vidas, o grupo segue flutuando e, no raso mesmo, topam com filhotes de tubarão, pinguins, tartarugas, lagostas... Ao final, os lobos-marinhos deixam a preguiça de lado e inacreditavelmente entram na água para brincar com os visitantes, feito cachorros alegres que encontram o dono depois de um dia de trabalho.

Uma hora depois, o bote chega e leva as pessoas de volta ao iate Sea Finch, onde o almoço já está servido. E o que se vê são rostos em euforia, olhos brilhando e sorrisos largos a compartilhar, nos mais diversos idiomas, aquela experiência aquática única.

 É assim um típico passeio a uma das ilhas de Galápagos, o maior santuário de vida marinha do planeta. Espécie de SeaWorld a céu aberto, esparramado por 14 ilhas e meia centena de ilhotas perdidas na imensidão do Pacífico, o arquipélago fica a 1 mil km de distância da costa do Equador. É um lugar onde a natureza literalmente dá show – e o visitante pode fazer parte dele.

Numa comparação singela, seria como uma Fernando de Noronha equatoriana. Inclusive com o número de visitantes controlado por ser um parque nacional, que protege quase toda a área do arquipélago, 300 vezes maior do que Noronha. Por lá, são 8 mil km2 de área sob proteção do governo do Equador.

Em Galápagos, tartarugas-gigantes, aves de patas azuis, iguanas que nadam e comem peixes e muitos outros animais igualmente curiosos estão não só ao alcance dos olhos, mas também das mãos, embora os guias orientem a não tocar neles. Além da quantidade e diversidade de espécies, impressiona o fato de que ali os bichos não sentem medo das pessoas, nem fogem com a aproximação delas. Ao contrário, parecem fazer pose para as fotos – o que faz a alegria dos visitantes.

Os lobos-marinhos, figurinhas fáceis em quase todas as ilhas, são os mais simpáticos, pois até nadam junto de quem faz snorkelling. Curiosos, chegam quase a encostar o focinho bigodudo na máscara de mergulho.

O encontro com os animais em seu hábitat é sempre emocionante. Ainda mais assim, tão de perto, em pleno ambiente selvagem, sem nenhuma grade ou vidro separando-os dos turistas ou sem que haja necessidade do uso de um jipe de safári.

Formada pelo derramamento de lava vulcânica, que há 6 milhões de anos fez emergir das profundezas do Pacífico várias ilhas e ilhotas, Galápagos tem paisagens áridas, com solo rochoso escuro de pedra basáltica e muito pouco verde, que contrasta com o azul intenso do mar. Em termos geológicos, são consideradas terras jovens. Tanto que ainda há vulcões ativos nas Ilhas Isabela e Fernandina (a mais jovem do arquipélago, com cerca de 700 mil anos).

Diante desse cenário, a sensação é de estar num lugar praticamente intocado e igual ao que um certo naturalista inglês encontrou quando lá esteve, em 1835. Seu nome: Charles Darwin, na época um jovem de 22 anos, aspirante a biólogo, em meio a uma longa expedição pela América do Sul à bordo do navio HMS Beagle.

Ali, Darwin topou com enormes tartarugas terrestres, as quais apresentavam pequenas variações no formato do casco de uma ilha para outra. O pesquisador descobriu também os tentilhões, aves que se distinguiam pelo formato do bico, modificado conforme a dieta que cada área da ilha lhes proporcionava.

Esses indícios ajudaram Darwin a desenvolver a revolucionária teoria publicada no livro A Origem das Espécies, de 1859, um dos pilares da ciência moderna, que prega que os seres se adaptam ao ambiente e, na luta pela sobrevivência, a natureza seleciona os indivíduos mais aptos.

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