Cristo Redentor peruano é criticado por prefeita e jornais

Cristo Redentor peruano é criticado por prefeita e jornais

Atualizado: Sexta-feira, 17 Junho de 2011 as 9:34

O litoral de Lima amanheceu nesta quinta-feira (16) com uma novidade em sua paisagem: a branca estátua do Cristo do Pacífico, iniciativa do presidente Alan García que provocou críticas e chacotas na imprensa, entre arquitetos e na própria Prefeitura de Lima.

Embora a inauguração da estátua de 37 metros de altura, inspirada no Cristo do Redentor, esteja prevista somente para o dia 29 de junho, os trabalhos de instalação avançaram rapidamente desde as primeiras notícias de sua existência na semana passada.   No dia 10 de junho, García, a pouco mais de um mês do fim de seu mandato, surpreendeu a todos ao apresentar os trabalhos já avançados da construção do monumento.

A estátua, que segundo o líder será "uma figura que abençoará o Peru e protegerá Lima", foi prontamente rejeitada, começando pela prefeita da capital peruana, Susana Villarán, que soube da existência da obra no mesmo momento que o resto dos peruanos.

"UNILATERAL"

"Com tantos arquitetos e artistas, poderiam ter convocado um concurso e não fazer as coisas desta forma. Devemos aprender a coordenar", afirmou Susana explicitando um dos principais motivos da irritação de muitos cidadãos: que a estátua tenha sido uma decisão unilateral de García.

O arquiteto Augusto Ortiz de Zevallos, responsável pelo projeto de melhoramento do litoral de Lima, mostrou seu desacordo ao dizer que a estátua "é um despropósito, sem sentido nem validade estética, histórica ou simbólica. É um gesto desmesurado e autoritário", disparou.   A ausência de anúncio prévio à população é explicada, segundo o ministro da Cultura, Juan Ossio, pela intenção de García em oferecer uma surpresa aos cidadãos peruanos. No entanto, as críticas superaram os elogios, e nesta quinta-feira vários jornais peruanos estamparam a imagem da estátua em suas capas com manchetes como "Capricho colossal", do "Peru 21".

"Não se importou com nada nem ninguém, além de sua obsessão em construir uma estátua que simbolize sua gestão", segue a matéria do jornal.

A Escola de Arquitetos de Lima também criticou a obra e anunciou o afastamento da instituição de dois arquitetos que aprovaram sua construção, uma vez que em sua opinião não foram cumpridos todos os trâmites necessários.

Embora muitas das críticas estejam ligadas ao suposto "mal gosto" da estátua, as críticas mais sérias estão relacionadas com o financiamento do projeto.

Se por um lado, o próprio García doou US$ 32 mil para o projeto (o que representa a décima parte de todo seu salário durante cinco anos de Presidência), o orçamento para a construção do monumento foi completado por uma doação de US$ 833,4 mil da empresa brasileira Odebrecht.

Alguns meios de comunicação afirmaram que esta doação permitirá à empresa deduzir do pagamento 30% do total doado, o que significaria que o fisco peruano deixará de receber da Odebrecht US$ 665,1 mil.

As maiores chacotas ao projeto foram registradas na internet, onde imagens com a cara e as formas físicas de García inseridas estátua invadiram a rede, e até mesmo já foi realizado um concurso com ideias alternativas para construir estátuas de personagens de desenhos animados no litoral de Lima.  

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