Cuenca é tesouro arquitetônico do Equador que ainda espera ser redescoberto

Cuenca é tesouro arquitetônico do Equador que ainda espera ser redescoberto

Atualizado: Sexta-feira, 5 Fevereiro de 2010 as 12

Cuenca, cidade colonial localizada em um vale da serra sul do Equador, até parece uma obra de arte. Cuenca, cidade colonial localizada em um vale da serra sul do Equador, até parece uma obra de arte. Calçadas estreitas, ruas de paralelepípedos que contornam inúmeras praças e jardins, e casarões bem preservados. Até a Unesco se rendeu às bem desenhadas linhas da terceira maior cidade do país e declarou seu centro histórico, em 1999, um Patrimônio Cultural da Humanidade.

Capital da Província de Azuay, Cuenca está a 2.535 metros sobre o nível do mar e possui, aproximadamente, 400 mil habitantes. Ainda assim, mantém uma tranquilidade alheia ao movimento alucinado de destinos turísticos concorrentes como Guayaquil e Quito, capital do Equador. Basta dar uma volta pelo centro, durante o horário de almoço, para ver que nem os pequenos engarrafamentos que se formam em alguns pontos são capazes de atrapalhar o ritmo interiorano dessa cidade de características conservadoras e espírito cultural intenso.

Igrejas do século 16, entre tantos outros belos templos religiosos dessa cidade fundada em 1557 por ordem do vice-rei do Peru; setores arqueológicos de grande importância para o país, como o Parque Pumapungo; e um traçado urbanístico que preserva, até hoje, suas características coloniais. Essas são algumas das surpresas para quem desembarca em um dos destinos mais preservados de todo o país.

Cuenca foi fundada pelos espanhóis, em 1557, sobre a cidade inca de Tomembamba que, por sua vez, foi erguida sobre Guapdondélic, outra urbe importante construída pelos cañaris, etnia indígena que já habitava a região do Cañar, desde 500 a.C., quando chegou a civilização pré-hispânica mais divulgada do setor andino do continente sul americano: os incas.

Em Cuenca, os famosos personagens dos Andes dividem a atenção não só com os cañaris, mas também com os espanhóis, conquistadores responsáveis pelos traços coloniais da cidade. E a fusão dessas três culturas deu origem a uma das cidades mais belas do país.

No entanto, longe dos casarões coloniais do agitado centro histórico, o viajante tem a oportunidade de conhecer ainda mais a fundo a cultura equatoriana em povoados próximos a Cuenca como Gualaceo, Chordeleg e Sigsig. As viagens não ultrapassam 50 minutos para quem sai do terminal rodoviário de Cuenca, mas são capazes de levar o visitante a cidadezinhas que parecem ter parado no tempo.

Estrangeiros ainda são raros na região e não é difícil ouvir crianças gritando "gringo, gringo!" quando algum forasteiro desembarca por ali ou senhores que cumprimentam com um simpático "buenos días, mister". Mas não se preocupe, a abordagem é discreta e não chega a atrapalhar o passeio. É curiosidade pura e ingênua.

Curioso mesmo é saber que o famoso chapéu Panamá, feito com palha toquilla, não vem desse país da América Central, pois se trata de um produto genuinamente fabricado em terras equatorianas, cuja produção pode ser acompanhada, e comprada, diretamente de mãos femininas de toda região rural de Azuay.

Sem dúvida, ainda falta muito para concluir o processo de descobrimento desses tesouros localizados ao sul do Equador.

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