Depois de impedir voos, vulcão islandês vira atração

Depois de impedir voos, vulcão islandês vira atração

Atualizado: Terça-feira, 26 Julho de 2011 as 10:17

O vulcão islandês de Eyjafjallajökull, que, no ano passado, impediu milhares de aviões de voar, tem surpreendido pela atração exercida agora sobre milhares de turistas, ansiosos por admirar essa fonte de caos.

"As pessoas estão verdadeiramente interessadas. Querem estar perto da cratera do vulcão que as fez perder o avião", brinca Arsaell Hauksson, 30, administrador de um camping aos pés do Eyjafjöll, odiado, durante um tempo, por milhões de viajantes no mundo.

Escalar as encostas de um vulcão --a grande ilha da Islândia, no Atlântico norte, conta com pelo menos 130-- sempre despertou atração turística para a Islândia.

Mas a erupção do Eyjafjöll, também conhecido pelo nome da geleira onde fica, de Eyjafjallajökull --"geleira de Eyjafjöll", na língua local--, no ano passado, desencadeou uma campanha sem precedentes.

"A gente sempre conhece alguém que teve o voo bloqueado, a erupção será asssunto durante muitos anos", destaca Hauksson. EFEITO RETARDADO

Os negócios estão progredindo no camping neste ano, muito mais que no ano passado, com a erupção.

"Tive várias reservas, antes... mas ninguém pôde vir por causa das cinzas", lembra-se Unnar Gardarsson, diretor de Oebyggdaferdir ("Safari das geleiras"), que propõe há cinco anos visitas aos relevos desolados da Islândia.

Mas, para ele também, a sorte se inverteu após um ano difícil.

"A erupção ajudou verdadeiramente a pôr a Islândia no mapa. E isso foi muito bom para o meu negócio. O Eyjafjallajökull sempre foi magnífico, agora tornou-se célebre", comenta.

Unnar propõe desde maio uma escalada na geleira ainda fumegante de 1.660 metros. Muitos turistas já tentaram a experiência, e ele fatura 39.000 coroas (250 euros) por pessoa.

Após a subida, através de musgos amarelo-esverdeados, dos riachos de água quente e da rocha vulcânica negra, o pequeno grupo chega à região de neve, recoberta de cinzas, o que dá o aspecto de um gigantesco desenho a carvão.

"É incrível", exclama Nancy King, que trabalha com publicidade em Nova York.

Atrás dela aparece a cratera negra cuspindo vapor d'água e o leito do rio criado de repente pelo derretimento do gelo durante a erupção em Eyjafjallajökull.

"Nunca vi nada tão intenso e grandioso. Em Nova York, passo a maior parte de meu tempo diante do computador", explica a turista americana, de capacete e vestida com uma roupa especial, impermeável, para resistir ao frio glacial.

Os arranha-céus nova-iorquinos são substituídos por uma paisagem majestosa de cumes e longos rios, com o oceano Atlântico ao fundo para completar o último plano.  

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