Destino de ricos e famosos, Caribe quer aumentar visitas de turistas brasileiros

Destino de ricos e famosos, Caribe quer aumentar visitas de turistas brasileiros

Atualizado: Quinta-feira, 3 Março de 2011 as 1:22

O miliardário Bill Gates costuma ir, tal como a também poderosa apresentadora de TV Oprah Winfrey, para não falar na constelação de astros hollywoodianos que já elegeram esse paraíso terrestre para uns dias de folga. O arquipélago de Turks e Caicos, formado por 40 ilhas, parece ser mesmo o destino da hora no Caribe. Belas praias de areia branca e águas azuis cristalinas, que também podem ganhar tonalidade esverdeada, vêm seduzindo visitantes americanos e europeus, que lotam os voos que chegam diariamente à Ilha de Providenciales, a mais importante, embora não seja a capital. Vizinho da República Dominicana e das Bahamas, o arquipélago é território britânico onde o dólar americano é moeda corrente, mas prevalece a mão-inglesa no trânsito. Com topografia basicamente plana, Turks e Caicos oferece beleza natural em abundância - recifes perfeitos para a prática de mergulho e snorkeling - e é ainda habitat de golfinhos, baleias, arraias, tartarugas marinhas e flamingos. O arquipélago ainda engatinha no ranking de preferência dos brasileiros que viajam ao Caribe, mas está de olho no potencial dessa parcela de turistas, que já soma, por exemplo, 10% dos clientes de um dos resorts mais exclusivos do mundo, o Amanyara, localizado em Providenciales.

Com 320 dias de sol, temperatura média no arquipélago é de 28 graus Celsius

As ilhas de Turks e Caicos ficam a menos de 90 minutos de voo Miami, ponto de partida da maioria dos turistas que encontram nesse território britânico temperaturas amenas o ano inteiro. No inverno, os termômetros não se afastam muito dos 21 graus Celsius. E no verão, costumam manter a média de 28 graus Celsius. A garantia, com isso, é de pelo menos 320 dias ensolarados no ano, além de o território estar fora da rota preferencial de furacões. Não por acaso, o turismo se tornou a principal força da economia do arquipélago, que precisa importar praticamente tudo que precisa.

Das 40 ilhas, as mais conhecidas são Providenciales, North Caicos, Middle Caicos, East Caicos, South Caicos, West Caicos e Grand Turk - esta última abriga a capital, Cockburn Town. As duas primeiras concentram a maioria das acomodações de hotelaria. Para todos os bolsos, diga-se de passagem, embora as ilhas tenham caído no gosto, principalmente, do público mais endinheirado.

Abrigo tropical de muitos europeus, Turks e Caicos têm hoje em torno de 35 mil habitantes e 370 quilômetros quadrados, e longas paredes de recifes. A população nativa é de origem africana, mas há muitos moradores que saíram do Haiti e da República Dominicana em busca de oportunidades de trabalho.

O curioso é que as ilhas, descobertas por Cristóvão Colombo em 1492, tornaram-se independentes do Reino Unido, na década de 80. Porém, acabaram preferindo continuar a ser governadas como território da Coroa britânica.

Providenciales, ou Provo, como é chamada pelos locais, é a mais populosa do arquipélago, e a preferida dos turistas. Com 40 quilômetros de extensão e 25 mil habitantes, dá para atravessá-la de carro em apenas 35 minutos. Tem longas faixas de areia, e suas principais praias são Blue Hills e Grace Bay. Não apenas pela beleza, mas pela facilidade de acesso.

Restaurantes, frequentados pelos moradores, estão espalhados ao longo de Blue Hills, com destaque para o popular Conch Shack e RumBar, num trecho da praia protegido por coqueiros, ainda com aspecto selvagem preservado. As mesas de madeira instaladas na areia ficam de frente para um belo "tapete" das famosas conchas gigantes, acomodadas na linha da arrebentação. Às centenas, elas dão um tom rosado aos primeiros metros de mar. Quem quiser, pode levar uma para casa, por US$ 20, pois há vendedores de conchas (já secas e limpas) no local. Os visitantes se divertem porque, ao assoprá-las, elas reproduzem, com fidelidade, o apito de um navio.

Conch fritters é o carro-chefe do cardápio do restaurante. Trata-se de um tipo de bolinho de carne de concha frito, com tempero delicioso, que vem acompanhado de batatas e lulas fritas. Como bebida, o rum Bambarra, exclusividade de Turks e Caicos. Levar uma garrafa para casa, na volta da viagem, é quase obrigatório. O restaurante oferece ainda uma espécie de refresco local à base da mesma bebida, o rum punch.

De águas mornas e calmas, Grace Bay é a praia mais badalada de Provo, onde estão inúmeros hotéis, e um local para a prática de esportes náuticos ao longo dos seus oito quilômetros de extensão. Bares e restaurantes também ficam junto à areia. Quem se hospeda em Grace Bay saberá o que é mordomia. Os melhores hotéis mimam como podem seus hóspedes, seja mantendo uma equipe de garçons na areia ou instalando sofás e chaises longues na beira do mar, em vez das convencionais espreguiçadeiras.

Para quem busca diversão depois do pôr do sol, a sugestão é passear no centrinho de Grace Bay, onde estão as lojas que vendem artesanato, roupas e joias. Não estranhe se encontrar inúmeros enfeites em forma de um simpático lagarto colorido, bichinho típico da região. Outra dica é conhecer a fazenda de conchas da ilha, a Caicos Conch Farm, aberta à visitação. Num passeio de 20 minutos, é possível ver como elas são criadas até a idade adulta, e como é feito o cultivo das pérolas. Caso o visitante queira um pouco de vida noturna, a marina de Turtle Cove é a direção. Este trecho de Provo concentra bares e restaurantes. Também há um cassino funcionando na ilha.

Um sistema de ferryboat liga Provo a North Caicos, de onde partem vans-táxis para Middle Caicos - que tem o triplo do território de Provo, e apenas 300 moradores fixos. Ainda de Provo, partem voos para outras ilhas. Qualquer que seja o destino escolhido, o viajante sempre encontrará praias, reservas ecológicas, paredes de recifes e cavernas naturais.

Partindo de Providenciales, há passeios até West Caicos, região repleta de praias selvagens e dona de belos manguezais. Cerca de 40 minutos de viagem em lancha rápida separam as duas ilhas. A paisagem irretocável da orla, porém, acabou maculada pela construção inacabada de um complexo hoteleiro da rede Ritz-Carlton. A obra, iniciada em 2008, foi interrompida após a quebra do Lehman Brothers, que detonou a última crise econômica mundial: o banco era o principal financiador da construção. O monumental esqueleto de concreto, com uma dezena de imóveis, que consumiu US$ 170 milhões, está à espera de uma nova injeção de dinheiro.

O deslocamento dentro das ilhas pode ser feito de bicicleta ou de carro. Há inúmeras locadoras em operação no arquipélago. Mas é bom lembrar que, em Turks e Caicos, vale a regra da mão-inglesa. Deve-se prestar atenção na hora de alugar um carro, pois existem modelos com o volante do lado direito e também do esquerdo. Nas estradas, embora o trânsito seja tranquilo, todo o cuidado é pouco.A impressão que se tem é de estar trafegando na contramão.

Recifes que chegam a ter oito quilômetros são um convite para mergulho

Turks e Caicos tem mais a oferecer aos visitantes do que apenas praias deslumbrantes. Agências locais, assim como alguns resorts, têm uma série de atividades aquáticas para os já iniciados, os que gostam de emoção e os marinheiros de primeira viagem. Com águas cristalinas e recifes, que chegam a ter oito quilômetros de extensão, a apenas poucos metros de profundidade, é difícil resistir a um passeio de barco até um deles, para mergulhar com snorkel. Com uma fauna variada e colorida, o mergulhador ocasional vai encontrar desde pequenos peixes em cardumes até arraias e tartarugas. Com sorte, é possível avistar golfinhos, que, em geral, gostam de nadar em volta dos barcos, que rumam em direção a West Caicos, uma das ilhas mais procuradas para a prática de snorkeling.

Já os temidos tubarões também costumam aparecer para quem mergulha com cilindro. Em Providenciales, os passeios de barco para mergulho demoram em torno de uma hora e meia, e mesmo quem nunca se aventurou na prática pode experimentar. Os profissionais que oferecem os pacotes dão as orientações básicas aos clientes na própria embarcação, e mergulham junto, em trechos do mar a partir de oito metros de profundidade.

Os passeios de barco podem ser ainda apenas para avistar golfinhos e, principalmente, as baleias jubarte, que passam por essa região do Caribe entre fevereiro e abril. As agências oferecem ainda, durante todo o ano, opções para os adeptos da pesca. O mar está para cavalas, atum, peixe-rato e o famoso marlim-azul.

Por conta das águas transparentes e extremamente tranquilas, um dos programas favoritos entre os turistas é passear de caiaque. Alguns resorts oferecem as embarcações para os hóspedes. Até os iniciantes se sentem encorajados. Outra prática esportiva, o surfe com remo (surgido no Havaí e que inspirou o surfe como conhecemos) também aportou no arquipélago e faz o maior sucesso. As pranchas - ou stand up paddleboards - viraram mania em vários pontos da orla de Providenciales, em especial em Grace Bay e nos passeios pelos manguezais de West Caicos. Nesse local, conhecido como Frenchman's Creek e classificado de santuário marinho e terrestre, é possível ver estrelas do mar, grandes arraias, tartarugas marinhas e flamingos.

Aqueles que gostam de um pouco mais de adrenalina durante as férias podem praticar kitesurfe, parasailing, esqui aquático ou jet-ski. Em Grace Bay, há inúmeras opções para todos os níveis de coragem no mar e agências que oferecem os equipamentos o ano inteiro.

Se o visitante, ainda assim, preferir algo ainda mais tranquilo, barcos com fundo de vidro costumam sair da marina de Turtle Cove, para que os passageiros possam admirar a fauna e a flora subaquáticas sem precisar fazer snorkeling. As crianças, claro, adoram, pela quantidade de cardumes de peixes coloridos.

Mas é possível explorar as beleza das ilhas por terra firme, como, por exemplo, fazendo cavalgadas pelas regiões mais selvagens e trechos da orla. Como Turks e Caicos são refúgio de descanso para visitantes de alto poder aquisitivo, evidentemente, não poderiam faltar campos de golfe impecáveis.

As ilhas que se orgulham de oferecer beleza natural querem ainda fisgar os visitantes prometendo dias de relaxamento. Nessa linha, vieram os spas, instalados também em resorts e hotéis, e abertos não apenas para hóspedes. Há tratamentos de pele e massagens com pedras, óleos e uma infinidade de outras técnicas. Muitas vezes, com vista para o mar. Quer melhor?

Amanyara, o favorito das estrelas

Uma extensa lista de turistas vips, que não para de crescer, já atravessou o saguão do aeroporto de Providenciales, como a apresentadora Oprah Winfrey, o megaempresário Bill Gates e a escritora britânica J.K. Rowling, autora da saga de Harry Potter. Reforçando o time de celebridades, estão os cantores Prince e os jogadores David Beckham e Kaká, os dois últimos com as famílias a tiracolo. Mas o que faz com que tantos astros escolham Turks e Caicos como destino de férias? Parece ser o fato de as celebridades que desejam, verdadeiramente, dias de descanso sem assédio de paparazzi, encontrarem ali privacidade. A maioria dos famosos busca paz e conforto no exclusivo Amanyara Villas Resort, instalado numa reserva ecológica em Providenciales, cuja diária pode chegar a US$ 14.300.

Nos últimos dois anos, o resort vem percebendo um aumento no número de hóspedes brasileiros, que já somam 10% do total dos clientes que desfrutam do seleto mundo do alto luxo. Muitos dos vips chegam de helicóptero ou jatinho particular à ilha e rumam para o resort, onde se hospedam em vilas cercadas de vegetação alta, o que impede qualquer invasão de privacidade. Se o hóspede não quiser, ele nem precisa ser visto pelos outros que estiverem no resort. Sua vila terá acesso direto para o mar e ele contará com piscina, escritório, sala de jantar e uma equipe de funcionários (chef e camareiro) próprios. Kaká e Beckham já desfrutaram das vilas luxuosas, compostas de um a cinco bangalôs de paredes de vidros, para que o hóspede se sinta integrado à natureza. Mas se não quiser, um sistema eletrônico de cortinas (acionadas por controle remoto) garante a privacidade.

Mas há celebridades que, mesmo em busca de sossego, gostam de interagir com os hóspedes. Como foi o caso de Prince, que passou o último réveillon no Amanyara, e decidiu participar de uma festa na área comum do resort, com 200 convidados. Para surpresa geral, subiu no palco e fez um show. Dentro da política de privacidade, os funcionários do Amanyara não podem listar os famosos que já passaram por lá, mas o episódio com o músico acabou vazando para a internet porque outros hóspedes fotografaram a apresentação.

Bill Gates e a escritora J.K. Rowling também testaram os serviços do resort badalado. Já Paul Allen, sócio de Gates na Microsoft, prefere chegar no próprio iate, que fica ancorado próximo à praia privativa do Amanyara, a Malcolm Beach, como aconteceu no início de fevereiro. Nesse mesmo período, a praia serviu ainda de cenário para a grife americana Victoria's Secret fotografar seu catálogo de verão. Para isso, um time de angels, entre elas a brasileira Alessandra Ambrósio, se hospedou no complexo.

Aliás, quem acompanhou de perto as sessões de fotos das modelos comprovou que a vida delas não é glamourosa todo o tempo. Os contratos podem até conter cifras generosas, mas as moças têm dias de ralação. As modelos já estavam a postos na praia antes das 8h. Após serem maquiadas, elas começavam a experimentar uma infinidade de acessórios numa tenda improvisada na areia. As sessões eram individuais. Depois de pronta, a angel da vez se dirigia para a beira do mar e, diante do fotógrafo e seus assistentes, passava a manhã inteira dando pulinhos para as lentes. Cada saltinho, um clique. Isso debaixo de um sol forte, que não dava trégua. O jeito era reaplicar filtro solar e retocar a maquiagem um sem número de vezes, tarefa delegada à equipe de assistentes.

Alessandra Ambrósio trabalhou durante pelo menos dois dias e chegou a postar uma foto em seu Facebook. Depois dela, foi a vez de uma modelo de pele bem clara. Após três dias de sessões na beira do mar, a pobrezinha já estava quase morena jambo, de tão bronzeada.

Os hóspedes do Amanyara, refestelados nas espreguiçadeiras instaladas na areia, pareciam não demonstrar a menor curiosidade em acompanhar as sessões de fotos das angels da Victoria's Secret. Vez por outra, um deles apenas lançava um olhar blasé em direção à pequena tenda montada pela grife na praia, e olhe lá.

Há celebridades que preferem ter suas próprias casas numa das praias do arquipélago, como o ator Bruce Willis, o roqueiro Keith Richards e a estilista Donna Karan. Os atores Ben Affleck e Jennifer Garner (que se casaram numa das ilhas), Will Smith e Tom Cruistambém já passaram férias em Turks e Caicos.

SERVIÇO

Como chegar: A American Airlines voa do Rio para Providenciales com conexão em Miami e tarifas a partir de R$ 2.170. A Delta também voa para Providenciales, com conexão em Atlanta, a partir de R$ 2.400. Preços com taxas, pesquisados para a segunda quinzena de março.

Amanyara Villas Resort: Há bangalôs individuais, a partir de US$ 11,6 mil (casal), por sete noites. As villas disponíveis têm de um a cinco bangalôs, com piscina privativa. As diárias custam a partir de US$ 1.650 (um bangalô) ou de US$ 12 mil (cinco bangalôs). Northwest Point, Providenciales. Tel. (649) 941-2391. www.amanyaravillas.com e www.amanresorts.com

Pelican Beach Hotel: Diárias a partir de US$ 130 (single) e US$ 160 (duplo). Em North Caicos. Tel. (649) 946-7112. www.pelicanbeach.tc

Conch Shack e Run Bar: Diariamente, das 11h às 21h. A conch fritters custa US$ 14. Blue Hills Road, Providenciales. Tel. (649) 946-8877.

Ferryboat: A viagem entre Provo e North Caicos custa US$ 40 (ida e volta).

Aluguel de carros: A Gracy Bay Rentals oferece diárias a partir de US$ 39. www. gracebaycarrentals.com

Visto: Não é exigido nas ilhas, mas os voos passam pelos Estados Unidos, que cobram o documento. www.visto-eua.com.br

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