Diversidade de etnias da Europa marca o Paraná

Diversidade de etnias da Europa marca o Paraná

Atualizado: Sexta-feira, 10 Junho de 2011 as 8:59

Frio que quase corta a alma, pinhão, barreado, múltipla colonização europeia: são muitas as características culturais que vêm engatadas à imagem das cidades do Paraná e da capital, Curitiba.

  A metrópole paranaense concentra mais de 1,7 milhão de habitantes, segundo o Censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e ostenta uma fama que chega a causar um certo orgulho ao curitibano mais tradicional: a de que os moradores locais são blasés e frios, tal como o clima da cidade (que, não raro, desce às escalas negativas da medição em graus Celsius).

"A explicação de que o clima é um fator que influencia o humor do curitibano é de um determinismo geográfico muito pueril", aponta a socióloga Simone Meucci, professora da Universidade Federal do Paraná.

"São duas as possibilidades que vejo para isso. A primeira é a composição étnica da cidade, do final do século 19 até a década de 1930, época na qual havia uma tensão muito grande entre povos europeus que vieram para Curitiba, povos que eram algozes em sua história, e que, por isso, não interagiam entre si", declara a socióloga.

De acordo com um levantamento realizado pela prefeitura de Curitiba no ano passado, "alemães, franceses, suíços, poloneses, italianos, ucranianos, nos centros urbanos ou nos núcleos coloniais, conferiram um novo ritmo de crescimento à cidade e influenciaram de forma marcante os hábitos e costumes locais".     FAMILIAR

"A outra explicação provém da ideia de uma cultura camponesa de ambiente familiar em detrimento de uma cultura cosmopolita, de que os imigrantes prezavam a família como esteio, sem interagir com os vizinhos", diz.

Mas, embora a fama de "carão" seja muito difundida, as próprias mudanças na sociedade de Curitiba acabaram derrubando essa teoria. Segundo uma pesquisa conduzida pelo Instituto Ethos, 51% dos habitantes da capital paranaense são provenientes de outras cidades.

"Muitas coisas das quais se fala do curitibano caíram por terra", observa Simone. "É difícil encontrar um curitibano hoje. A cidade está cada vez mais cosmopolita, com a vida noturna se diversificando. E isso é um movimento intenso que ocorre desde os anos 1990", completa.

Para ela, a mudança é correlacionada com a economia mais dinâmica e com processos de migração e emigração.    

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