Entre percalços, Nova York se reinventa

Entre percalços, Nova York se reinventa

Atualizado: Quinta-feira, 25 Fevereiro de 2010 as 12

A Nova York do início do século 19 era até que sonolenta: a metrópole que nunca dorme tinha, então, pouco mais de 35 mil habitantes. E, em 1898, menos de um século depois, com seus cinco bairros unificados, a população, engrossada por contingentes de imigrantes italianos, chineses e russos, saltou para 3,4 milhões de pessoas.

O incêndio medonho de 1835 acabou abrindo caminho para o progresso urbano -e logo surgiram milionários, alguns chamados de "robber barons" (ou "barões-ladrões"). Empresários e financistas como Cornelius Vanderbilt, J.P.Morgan e Jay Gould e, depois, John D. Rockefeller, ajudaram a transformar a cidade em metrópole. O mecenato de figuras inclusive controvertidas fez surgir museus como o Metropolitan (www.metmuseum.org), de 1880; a Ópera, de 1883; e o Museu de História Natural (www.amnh.org), de 1877.

Mais um século se passou e, em 1980, quando foi criada a campanha "I love NY", em que o logotipo de Michel Glaser incorporava o símbolo de um coração, Nova York (www.nycgo.com e www.newyork-visit.com), a metrópole já tinha perto de 700 museus.

Em 11 de setembro de 2001, Nova York foi indelevelmente abalada quando as torres gêmeas do World Trade Center solaparam diante de atentados terroristas. Soube reinventar atrações nos anos seguintes, atingiu níveis de visitação pré-atentados e, no lugar das cicatrizes, construiu um memorial.

Nos limites do Central Park, onde a frenética Nova York passeia e se diverte, surgiram, na época dos atentados, outro par de torres idênticas, o Time Warner Building, projeto de David M. Childs, do escritório de arquitetura Skidmore, Owings & Merrill.

Diante da rotatória marcada pela estátua de Cristóvão Colombo, que descobriu a América em 1492, esse prédio cujo endereço é 80, em Columbus Circle, na esquina com a rua 60, abriga, do 35º ao 42º andar, um hotel Mandarin Oriental (www.mandarinoriental.com), em cujo Lobby Lounge vale tomar um drinque.

Dentro, há supermecado -coisa rara lá, onde a comida é vendida em mercearias-, lojas, clube de jazz e restaurantes como o Per Se (www.perseny.com), de Thomas Keller. Reservas são indispensáveis e o céu é o limite para contas do Per Se, onde se gasta ao menos US$ 250 por pessoa.

Hoje, entre bistrôs luxuosos e pés-sujos, Nova York tem uns 18 mil restaurantes. Provocador, seu mais temido crítico gastronômico, o novaiorquino Tim Zagat, 69, costuma dizer que "não liga para estrelas", numa evidente provocação ao guia francês Michelin.

Nos guias Zagat, um sistema dá notas de zero a 30 para mercadoria, apresentação e serviço, classificando o custo com os conceitos I (barato, ou "inexpensive"), M (moderado, ou "moderate"), E (caro ou "expensive") e VE ("very expensive", ou bem caro). E não há praticamente nenhum estabelecimento de Nova York que não ostente na vitrina o adesivo "Zagat Rated".

Por Silvio Cioffi

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